Tamanho do texto

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aproximadamente 25,4% da população brasileira em 2016 viveu com menos de R$ 387 por mês

Pesquisa sobre desigualdade social aponta que grupo dos mais ricos conquistou o dobro da riqueza dos mais pobre
Marcelo Casal/Agência Brasil
Pesquisa sobre desigualdade social aponta que grupo dos mais ricos conquistou o dobro da riqueza dos mais pobre

A camada 1% mais rica da população brasileira concentra 28% de toda a riqueza do País, de acordo com o estudo World Inequality Report, divulgado nesta quinta-feira (14). Os dados apontam uma desigualdade social maior do que a constatada nas regiões do Oriente Médio, Europa Ocidental, Estados Unidos e África do Sul. Segundo o levantamento, nem a crise financeira de 2008 foi capaz de afetar a camada mais rica da população

Neste período, a arrecadação salarial do grupo pessoas permaneceu forte mesmo em um cenário problemático. Com dados de 2015, o estudo aponta que o grupo dos 50% mais pobres da população (cerca de 71 milhões de pessoas) registrou um crescimento de renda limitado entre 2001 e 2015 e que as políticas voltadas para combater a  desigualdade social ao longo desse período não tiveram êxito.

Leia também: Ocupação de jovens entre 18 e 24 anos tem aumento de 3,1%

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também divulgou uma pesquisa sobre a concentração de renda. Segundo os dados do instituto, 25,4% da população brasileira viveu com menos de R$ 387 por mês, em 2016. O resultado faz parte da Síntese de Indicadores Sociais (SIS 2017) que segue o critério do Banco Mundial para medir a situação de pobreza, que considera pobre quem ganha menos do que US$ 5,50 por dia.

A situação é ainda mais preocupante nos 7,4 milhões de moradores de domicílios em que vivem mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos de até 14 anos. Neste recorte, 64% estavam abaixo da faixa de renda de R$ 387 mensal per capita. A pesquisa do IBGE também se estendeu para critérios como o acesso a educação, proteção social, moradia adequada, serviços de saneamento básico e internet.

Segundo o levantamento, 64,9% da população brasileira tem restrição a pelo menos um desses direitos. Novamente, o grupo composto por mulheres pretas ou pardas sem cônjuge com filhos de até 14 anos é o mais vulnerável, em que o nível de restrição sobre para 81,3%.

China, Índia, Rússia e América do Norte foram os locais que tiveram as elevações mais aceleradas desde 1980
Divulgação
China, Índia, Rússia e América do Norte foram os locais que tiveram as elevações mais aceleradas desde 1980

Leia também: Após assinatura, acordo sobre planos econômicos é usado em tentativa de golpe

Desde 1980, o 1% da população mais rica do mundo conquistou duas vezes mais do que os 50% dos mais pobres, segundo o World Inequality Report. O número equivale a dizer que, neste período, 27% das novas receitas produzidas no mundo foram destinadas a 1% dos mais ricos, enquanto que os 50% mais pobres capturaram apenas 13% do crescimento total.

Os números ficam ainda mais surpreendentes quando a pesquisa cita que 75 milhões de pessoas representam o grupo 1% mais rico da população mundial. Já os 50% mais pobres, representam cerca de 3,7 bilhões de indivíduos no planeta. Em relação à população intermediária – assalariados de média ou baixa renda – o crescimento foi modesto ou nulo.

Privatização

O World Inequality Report constatou que em países considerados ricos, o capital público atualmente está próximo ou abaixo de zero. No entanto, entre as consequências deste cenário, está o desafio dos governos de investir seus recursos na educação, saúde ou proteção ambiental.

Leia também: Saiba o que muda na aposentadoria com o atual texto da reforma da Previdência

O coordenador do relatório, Emmanuel Saez, avalia que a combinação das privatizações e a crescente desigualdade social alimentou a desigualdade da riqueza. "Nesses países e em nível global, o capital privado está cada vez mais concentrado entre alguns indivíduos. Esse aumento foi extremo nos EUA, onde a participação da riqueza do 1% superior aumentou de 22% em 1980 para 39% em 2014", conclui.  

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.