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Segundo a pesquisa, 41% dos consumidores consultados dizem que as contas estão empatadas; somente 18% deles dizem estar com dinheiro sobrando

Brasil Econômico

A maioria dos consumidores pretende  reduzir os gastos em dezembro. Segundo o Indicador de Propensão ao Consumo, calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 54% pretendem diminuir as despesas. Outros 36% pretendem mantê-los no mesmo patamar, enquanto 6% esperam aumentá-los.

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O levantamento mostra que, entre os que vão desembolsar menos nas compras, 25% justificam a ação devido aos altos preços. Endividamento (15%), desemprego (12%) e queda na renda mensal (11%) também são fatores apontados pelos consumidores. O fato de estarem sempre economizando como hábito, foi citado por 25% dos entrevistados pelo SPC Brasil e a CNDL.

SPC Brasil: somente 18% dos brasileiros ficaram com as contas no azul em novembro
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SPC Brasil: somente 18% dos brasileiros ficaram com as contas no azul em novembro

Excluindo os itens de supermercado, os produtos que os consumidores planejam adquirir ao longo de dezembro são em sua maioria roupas, calçados e acessórios (26%). Remédios (20%), recarga para celular pré-pago (12%), perfumes e cosméticos (11%), eletrônicos (8%), viagens e brinquedos (8%) também são citados.

De acordo com o estudo, em novembro, somente 18% dos brasileiros ficaram com as contas no azul, com sobra de recursos para consumir mais ou fazer investimentos. Por outro lado, 41% admitem estar no zero a zero, sem sobra e nem falta de dinheiro. Por outro lado, 36% alegam estar no vermelho, sem conseguir pagar as contas.  

Para a economista do Serviço de Proteção ao Crédito, Marcela Kawauti, a renda extra de final de ano pode ajudar a aliviar o aperto no orçamento. “O pagamento de 13º pode aliviar a situação do consumidor, mas vale lembrar que se trata de um aumento de renda temporário. Uma vez restaurado o equilíbrio do orçamento, o consumidor precisa manter o controle dos gastos, estabelecendo prioridades e fazendo ajustes quando necessário. É uma tarefa constante, que exige disciplina, mas que faz diferença no bem-estar financeiro do consumidor”.

Despesas

Em relação ao mês de outubro, o Indicador de Uso do Crédito, que apura o uso das principais modalidades e mapeia os principais gastos dos consumidores, ficou em 26,5 pontos. O resultado é próximo da média de 26,8 pontos obtida durante o ano. A escala do indicador varia de zero a 100. Quanto mais alto, maior o número de usuários e da frequência da utilização das modalidades.

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Cerca de 59% dos consumidores asseguraram não terem utilizado em outubro nenhuma modalidade de crédito, como empréstimos, linhas de financiamento, crediários e cartões de crédito. O restante mencionou ao menos uma modalidade a qual tenham recorrido no período. Os cartões de crédito, com 36%, crediário, com 13% e o cheque especial, com 7% foram as mais utilizadas.

Aproximadamente 41% dos usuários de cartão de crédito aumentaram o valor da fatura em outubro. Para 31%, o valor permaneceu estável em comparação aos meses anteriores e, para 23%, houve diminuição no total a ser pago na fatura. A média dos gastos no cartão foi de R$ 1.065. Segundo 61% dos consultados, a modalidade foi utilizada para comprar alimentos. Remédios (45%), bares e restaurantes (34%), combustível (31%), roupas e calçados (28%) e recarga para celular (16%) aparecem em seguida.

Crédito negado

Outro dado evidenciado pela pesquisa é que 50% dos brasileiros consultados consideram difícil a contratação de crédito, empréstimo ou financiamento no mercado. Apenas 14% consideram a contratação simples.

Ao tentar fazer uma compra parcelada em estabelecimentos comerciais, 23% tiveram o crédito negado em outubro, sendo que 9% estavam com o CPF negativado e 8% não conseguiram comprovar renda ou não tinham dinheiro suficiente.

Considerando os consumidores que possuem empréstimos e financiamentos atualmente, 28% relatam ter atrasado o pagamento ao longo do contrato e 23% disseram estar com parcelas pendentes de pagamento. Com isso, há aproximadamente 51% de consumidores com dificuldades para honrar esse tipo de compromisso.

"O cenário de recessão intensificou o cuidado das instituições financeiras no momento de conceder crédito, dificultando seu acesso pelo consumidor. Com desemprego elevado, muitos nem conseguem comprovar renda. Com a retomada gradual da economia, a expectativa é de que esse quadro comece a se reverter aos poucos”, expõe Marcela.

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Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, alguns cuidados devem ser tomados na hora de contratar um empréstimo ou financiamento. "Se o empréstimo não visa a cobrir uma necessidade emergencial, pode ser o caso de esperar mais um pouco para tomá-lo. Convém analisar a real necessidade de assumir um compromisso que, muitas vezes, só acaba depois de anos", conclui.

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