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Análise técnica já foi concluída e cabe aos ministros tomar a decisão política para definir o percentual que cada investidor poderá ter no bloco de controle

Paulo Pedrosa, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, que
Saulo Cruz/MME - 05.10.17
Paulo Pedrosa, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, que "gestão forte" para a Eletrobras

As áreas técnicas dos ministérios de Minas e Energia, do Planejamento e da Fazenda já definiram a modelagem para o processo de privatização da Eletrobras. O texto da medida provisória deve ser encaminhado até a semana que vem para análise dos ministros.

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As informações foram divulgadas secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, nesta terça-feira (31). Segundo ele, a análise técnica já foi concluída e cabe aos ministros tomar a decisão política para definir o percentual que cada investidor poderá ter no bloco de controle. Pedrosa disse que a ideia é fazer da Eletrobras uma “grande corporação nacional” com “visão de longo prazo” e “gestão forte”, a exemplo da Embraer e da Vale.

“Você tem vários tipos de investidores no mercado. Tem o investidor que está disposto a pagar mais caro, se ele vai controlar o negócio, porque ele quer impor o modelo de gestão dele, vai enxugar custos de uma maneira mais radical do que outro e vai tirar valor daquele negócio, então ele paga mais", afirmou.

Ainda de acordo com o secretário, será preciso limitar os investidores, o que pode restringir alguns perfis e atrair, por exemplo, fundos de pensão, que têm visão de longo prazo. “Isso diminui o que a União pode receber, mas a política nossa não é focada na arrecadação, mas na melhoria do setor elétrico. Não é, por exemplo, para um investidor que queira entrar numa empresa que está quebrada, recuperar ela rapidamente, dobrar o valor dela e sair para entrar outro”, disse.

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De acordo com o secretário, a companhia irá para o novo mercado da bolsa, mas no bloco de controle haverá limitação que a área técnica sugere como 10% para conduzir a gestão da empresa, mesmo que o acionista tenha uma parcela maior das ações. “Não vai ter um controlador. Nós vamos fazer uma assembleia e formar um conselho. Ninguém terá mais do que 10% no controle da empresa, mesmo tendo mais do capital”.

Atualmente, não há uma visão do governo na venda de ações da estatal, disse Pedrosa. “Não vai vender o patrimônio público, pelo contrário, as ações do governo que permanecerem na Eletrobras serão proporcionalmente menos, mas serão em valor maior. Porque hoje há, digamos assim, um prêmio negativo de descontrole na Eletrobras”, explicou.

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O governo estima uma arrecadação de R$ 12 bilhões com a privatização da estatal que, segundo ele, perdeu R$ 175 bilhões nos últimos 13 anos em recursos que a União deixou de arrecadar e “vem se tornando irrelevante no setor elétrico brasileiro”. O objetivo do governo é concluir o processo até o final do ano que vem. Segundo ele, a rejeição à privatização da Eletrobras se restringe a “segmentos que se consideram prejudicados”.