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Divulgação
David Vélez, CEO e fundador do Nubank, anunciou novo produto durante evento na sede da empresa, em São Paulo

Depois de muito mistério, o Nubank finalmente anunciou o lançamento de sua conta digital . Após três anos de atuação como operadora de cartão de crédito, a empresa dá um novo passo em busca da tão sonhada revolução financeira que propõe.

Apesar de toda a divulgação, ainda restam dúvidas sobre onde a empresa deseja chegar com a NuConta e o que será feito para atingir estes objetivos. Para elucidar essas questões, é necessário entender primeiro que o Nubank está propondo mudanças na forma como lidamos com nosso dinheiro.

Para todos

De acordo com a empresa, cerca de 60 milhões de pessoas no Brasil não possuem conta bancária. A startup mira nestes potenciais clientes com uma meta agressiva: atingir a todos eles. David Vélez, CEO e fundador da companhia, afirmou por diversas vezes que a intenção é fazer com que 100% da população em território nacional tenha acesso a experiência bancária do Nubank.

Somente a parcela da população que ainda não tem conta em bancos representa 29% do total de brasileiros. A adesão completa do grupo, como deseja a empresa, indicaria um percentual gigantesco de pessoas entrando no mundo de finanças digitais.

O sonho de alcançar a todos os brasileiros vai ao encontro de uma das principais filosofias de Vélez. Para ele, "uma verdadeira revolução só faz sentido se é para todo mundo". É por isso, segundo o empresário, que a revolução do Nubank começa agora.

Nova cultura de consumo

O entendimento das mudanças propostas pela startup passa por uma questão fundamental: a NuConta não oferece parceria com bancos ou caixas eletrônicos 24 horas. Isso significa que, ao substituir contas comuns pelo serviço da startup, o usuário abre mão do dinheiro em papel, pois não existe a possibilidade de sacar valores em pontos físicos. Todas as receitas do cliente tornam-se digitais. Caso a empresa alcance o crescimento esperado, uma parcela significativa da população poderia deixar de movimentar notas e moedas, criando assim uma nova cultura de consumo no Brasil.

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Apostando em um futuro cada vez mais digital, Vélez deixa claro que não há o objetivo de viabilizar um meio para saques. Segundo o empresário, só existe uma situação que poderia levar a empresa a estudar algo do tipo. "Se entendermos que é algo muito importante para o cliente, podemos pensar nessa possibilidade", afirma.

Substituto ou complemento?

Em seu período inicial, a NuConta possibillitará apenas transferências, pagamento de faturas do cartão Nubank e investimentos. Por isso, é possível que muitas pessoas acreditem que ninguém substituirá uma conta comum pelo serviço no curto prazo. Na cabeça de Vélez, porém, o novo produto pode ser muito mais que apenas um complemento, dependendo do perfil do cliente.

O CEO é sincero ao dizer que algumas pessoas não conseguiriam usar apenas a conta da startup, mas, ao mesmo tempo, tem certeza de que alguns consumidores podem ter todas as suas necessidades bancárias supridas pelo aplicativo em breve. Um dos motivos para que Vélez acredite no potencial de solução do modelo proposto é que, dentro de alguns meses, a NuConta permitirá também o pagamento de boletos, facilitando a captação de uma parcela ainda maior do mercado consumidor.

Rentabilidade do negócio 

É claro que, para oferecer estes serviços aos clientes, a empresa precisa de um negócio sustentável. A solução encontrada para manter a ferramenta em operação sem precisar cobrar qualquer taxa dos clientes foi retirar um percentual mínimo dos rendimentos extras, promovendo uma verdadeira relação ganha-ganha. 

Ao colocar o dinheiro na conta, o consumidor automaticamente investe em títulos públicos e garante um rendimento médio de 9,46% ao ano, segundo a empresa. Deste valor adicional, 99% fica com o cliente, enquanto a startup abocanha apenas 1% da rentabilidade pela operação. "Nossa ideia com esse produto não é ganhar nem perder dinheiro", define Vélez.

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Ao dispensar análise de crédito para abertura da conta, o Nubank democratiza o acesso ao mundo de finanças digitais. Será preciso tempo para avaliar a efetividade do trabalho, mas a busca pela revolução e a ideia de confrontar os métodos aplicados pelos grandes bancos ganham mais força a cada novidade lançada pela empresa.

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