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Um levantamento feito pelo SPC Brasil mostrou que grande parte dos consumidores inadimplentes desenvolvem comportamentos nocivos a saúde

Brasil Econômico

O sentimento de vergonha afeta 51% dos brasileiros que se encontram em situação de inadimplência
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O sentimento de vergonha afeta 51% dos brasileiros que se encontram em situação de inadimplência

Vida financeira, corpo e mente ficam comprometidos quando alguém contrai uma dívida e não consegue pagá-la. Isso é o que aponta um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito ( SPC Brasil ) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), uma vez que a inadimplência fez com que o número de endividados que afirmam se sentir mais ansiosos por conta da má situação financeira aumentou de 60% para 69%, na comparação anual.

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A insegurança, com 65% foi o segundo sentimento mais citado pelos brasileiros endividados. Na sequência aparecem o estresse, com alta de seis pontos percentuais frente ao ano passado, ao atingir 64%, a angústia, com 61%, o desânimo, com 58%, o sentimento de culpa, com 57% e a baixa autoestima, com 56%. Cerca de 51% dos que se encontram em situação de inadimplência também alegaram se sentir envergonhados diante da família e de amigos.

Segundo o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, é importante que o consumidor com dívidas em atraso tire o foco das mesmas e concentre-se em atingir as metas para eliminá-las.  “A postura emocional do devedor revela muito sobre como ele vai lidar com a reorganização das finanças. Quem se desespera no momento de dificuldade, multiplica os seus problemas. Um consumidor desorientado, ansioso e sem motivação dificilmente vai ter energia para traçar uma saída. Os primeiros passos nessas horas são manter a calma, buscar racionalidade e contar com a compreensão da família. Ou até mesmo recorrer a um profissional especializado”.

Comportamento

O estudo ainda mostra que em muitos casos, as dívidas em atraso alteram negativamente o estado emocional dos compradores, impactando até mesmo a vida profissional e social. Aproximadamente 25% dos entrevistados asseguraram terem ficado mais desatentos e menos produtivos no ambiente de trabalho, após o ocorrido. Esse percentual foi nove pontos percentuais maior do que o obtido no ano passado. Outro dado exposto pela pesquisa é que 21% não conseguiram controlar a paciência, se tornando irritadiços ao lidarem com colegas no serviço.

O vício foi outra consequência desencadeada pela contração de dívidas em atraso, já que 21% passaram a descontar a ansiedade em coisas como cigarro, comida e álcool. Os inadimplentes também afirmaram terem ficado mais agressivos, chegando a agredir verbalmente pessoas de seu convívio, com 18% das respostas. Já 14% admitiram terem partido para a agressão física. Vale mencionar que em 2016, essas taxas foram de respectivamente, 13% e 8%.

O humor desses consumidores foi influenciado pelo endividamento, abalando a vida social. Cerca de 52% relataram terem ficado irritados, 49% mal-humorados, e 45% sem vontade de sair e socializar com outras pessoas. Alguns devedores, por outro lado, apresentaram comportamentos inversos. Enquanto 44% sofreram de insônia e 34% descontaram a ansiedade comendo mais, 35% perderam o apetite e 36% sentiram mais vontade de dormir.

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Preocupação

Mesmo que 47% dos endividados tenham procurado realizar atividades que os façam esquecer os problemas gerados pelas contas atrasadas, houve aumento no percentual dos que se sentem mais preocupados perante tal dificuldade, passando de 42% em 2016 para 56%, neste ano. Os que possuem nível médio de preocupação detêm 25% da amostra, os que se preocuparam pouco, 12% e os que não demostraram preocupação, 6%.

Não conseguir pagar as pendências em atraso é o maior medo de 36% dos consumidores entrevistados, enquanto serem considerados desonestos pelas demais pessoas assombrou 11% deles. Não conseguir parcelar as compras, não arrumar um emprego, não poder fazer empréstimos e ainda terem que vender algum bem para cobrir a dívida são evidenciados como os principais temores de 9%, 9%, 7% e 5%, respectivamente.

Medidas

Para reverter a situação das contas no vermelho, sete em cada dez, ou seja, 76% dos brasileiros disseram ter diminuído as compras parceladas em cheques, cartões e carnês. Além disso, 74% realizaram cortes ou algum tipo de ajuste no orçamento e 47% deixaram de comprar itens de primeira necessidade. Entretanto, o ajuste orçamentário não é feito por todos, já que 45% não deixaram de consumir alimentos supérfluos, como iogurtes, congelados e bebidas e 36% não pararam de sair com amigos para se divertir, mesmo com o financeiro apertado. Os que não abrem mão de comprar de forma parcelada, roupas e calçados contemplaram 29% dos endividados.

“Não se sai da inadimplência sem esforço. É importante que o consumidor faça um detalhamento minucioso de todos os seus gastos e priorize o pagamento das contas e compras de primeira necessidade, visando uma sobra no orçamento, que será utilizada justamente para negociar e quitar a dívida em atraso. O importante é que o consumidor não caia na tentação de aumentar as despesas porque há uma fonte extra de renda. Por isso, o controle rígido dos gastos neste momento é fundamental”, conclui a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

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