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Por exemplo, se mais de 50% das pessoas responderem “sim” uma questão, o candidato também irá votar “sim”, independente da sua opinião; entenda

Brasil Econômico

A tecnologia tem o potencial de mudar radicalmente como os políticos eleitos desempenham seus deveres, e pelo menos um candidato político acha que agora é o momento de aproveitar esse potencial. Camilo Casas prometeu que se for eleito conselheiro da cidade de Boulder, Colorado – EUA – em novembro, ele não tomará nenhuma decisão por si mesmo. Em vez disso, o político planeja colocar esse poder nas mãos das pessoas através de um aplicativo de democracia líquida chamado Parti. Vote.

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Mais democracia? Casas está convencido de que Parti. Vote representa um passo na direção certa
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Mais democracia? Casas está convencido de que Parti. Vote representa um passo na direção certa

Foi o próprio Casas que desenvolveu o app, e ele explicou ao portal de notícias Motherboard que também projetou a plataforma para facilitar a democracia líquida. A ideia é que, em vez de simplesmente esperar que os representantes eleitos apoiem sua posição, os cidadãos serão capacitados a afetar diretamente a formulação de políticas por meio da votação no aplicativo.

Se Casas for eleito, os cidadãos de Boulder vão se cadastrar no app online, e a sua equipe examinaria cada pessoa para evitar fraudes. O candidato, após toda essa análise, então opinaria de acordo com os votos que a comunidade fez na plataforma. Por exemplo, se mais de 50% das pessoas responderem “sim” em uma questão política, Casas também irá votar “sim”, independente da sua opinião sobre o assunto. Apenas em questões voltadas ao seu vínculo que ele mesmo decidiria com base em suas crenças. 

A esperança de Casas é que, ao entregar o seu poder de um funcionário eleito pelo povo para um aplicativo, ele poderá criar uma democracia líquida que seja mais equitativa do que a presente nos EUA. “Pessoalmente, estou convencido de que, quando tiver que pressionar um círculo eleitoral e não um escritório eleito, você obterá, em média, resultados mais democráticos e consensuais”, disse ao Motherboard.

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Para o povo?

A ideia de usar tecnologia para empoderar votos para influenciar diretamente a política tem seu apelo. Se ele for eleito, os votos de Casas representariam a vontade do povo – o resultado ideal para um sistema democrático, mas que não era prático no mundo pré-internet. A democracia obteria um tom mais transparente, e os cidadãos poderiam se envolver na formulação de políticas sabendo que eles têm a capacidade de influenciá-las diretamente.

Contudo, a proposta de Casas não é isenta de riscos. Por um lado, os cidadãos tecnicamente habilidosos podem ser representados de forma exageradas, e como com qualquer coisa digital, a possibilidade de hacks e fraudes também devem ser levadas em consideração.

Ainda assim, Casas está convencido de que Parti. Vote representa um passo na direção certa. “Nós não estamos tentando construir um sistema perfeito de participação democrática”, ele explicou. “Estamos tentando melhorar o sistema que já temos”.

E ele não está sozinho nessa avaliação que se deve usar a tecnologia para criar uma democracia líquida. Os criadores do aplicativo Sovereign propõem usar o blockchain para dar uma resposta direta às pessoas sobre questões importantes, enquanto um candidato para o cargo de advogado público da cidade de Nova Iorque quer confiar em um aplicativo chamado NYSpeaks para solicitar feedback direto. Enquanto isso, outro aplicativo baseado em blockchain chamado Flux apoiou 13 candidatos nas eleições federais de 2016 da Austrália.

Embora Casas admita que uma vitória em novembro é “bastante improvável”, ele está chamando a atenção das pessoas para uma questão importante simplesmente executando: temos a tecnologia parar melhorar nosso sistema político. Não é hora de tentar usá-la?

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*Com tradução de futurism.com

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