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Pesquisa identificou que os homens ganham mais que as mulheres em quase todo o mundo e quando elas engravidam, a desigualdade cresce; entenda

Brasil Econômico

Igualdade de gênero seria capaz de injetar trilhões no Produto Interno Bruto mundial, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA),
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Igualdade de gênero seria capaz de injetar trilhões no Produto Interno Bruto mundial, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA),


Dados do relatório Situação da População Mundial 2017 lançado nesta terça-feira (17) pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), apontou que a promoção de igualdade de gênero entre homens e mulheres poderia somar ao Produto Interno Bruto (PIB) global a cifra de US$ 28 trilhões.

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O relatório indicou que a associação positiva entre igualdade de gênero , PIB per capita, índices de desenvolvimento humana e a redução das desigualdades, são capazes de fazer com que diversas nações consigam atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em 2030.

Porém, foi identificado que falta um longo percurso para que isso aconteça. O relatório identificou que atualmente, os homens são responsáveis por 76% da força de trabalho global, enquanto as mulheres ocupam apenas 50%. Outra disparidade entre os gêneros é que o valor pago às mulheres corresponde a 77% do que é pago aos homens.

A desigualdade se mostra mais latente quando se faz uma análise mais profunda dos dados. No mundo, apenas metades das mulheres têm um emprego remunerado. Daquelas que conseguem entrar no mercado de trabalho, três em casa cinco dessas profissionais não têm acesso à licença maternidade, sendo que muitas acabam sendo “penalizadas” pela maternidade.  

Tais dados representam que direitos básicos das mulheres são deixados de lado quando se fala em direitos iguais.  “Isso significa que para as mulheres de qualquer lugar, a gravidez e a criação dos filhos podem significar a exclusa o da força do trabalho ou salários mais baixos”.

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O relatório indicou que as mulheres mais pobres são as que mais sentem a diferença no mercado de trabalho. “Em muitos países em desenvolvimento, as mulheres pobres, que estão nos 20% inferiores da escala de renda, e principalmente aquelas de área  rurais, têm menos probabilidade de acesso a contraceptivos, cuidado durante a gravidez e o parto do que suas contrapartes nas áreas urbanas mais ricas.”

Gravidez

A pesquisa da UNFPA expos ainda que, mulheres mais pobres e com menor grau de instrução – residentes em áreas rurais – são mais afetadas pela desigualdade e a gravidez não planejada. “A falta de poder para decidir se, quando ou com que frequência engravidar pode limitar sua educação, atrasar a participação na força de trabalho remunerada e reduzir os ganhos”.

O número de mulheres que engravidam sem planejamento chega a 89 milhões, sendo que 48 milhões de abortos são ocorrem em países desenvolvidos todos os anos. Medidas preventivas e métodos contraceptivos seriam capazes de reduzir os custos com assistência gestacional. A UNFPA afirmou que a cada US$ 1 gasto em serviços os contraceptivos a economia com a assistência médica especializada seria reduzida em US$ 2,22.

Outro dado referente à disparidade de gênero refere-se a número de partos em adolescentes. Em 2015 houve 14,5 milhões de partes em meninas em 156 países em desenvolvimento, sendo que 95% desses partos são frutos de um casamento ou união.

O que revela um grande problema em países de baixo desenvolvimento: o casamento infantil. “As adolescentes (entre 15 e 19 anos de idade) nos domicílios que está o entre os 20% mais pobres nos países em desenvolvimento têm cerca de três vezes mais partos do que as adolescentes nos domicílios que está  entre os 20% mais ricos. As adolescentes em áreas rurais têm, em média, duas vezes mais partos (taxa por 1mil mulheres) do que suas contrapartes nas cidades”, diz o relatório.

Brasil

No Brasil os índices são altos: um em cada cinco bebês nascem de mães adolescentes. O estudo mostra ainda que entre essas mães adolescentes, de cada cinco, três não trabalham nem estudam; sete em cada dez são afrodescendentes e aproximadamente a metade delas mora na Região Nordeste.

O relatório mostra ainda o longo caminho que o país precisa percorrer para conseguir rumar para o caminho da igualdade de gênero. Segundo o estudo, do total de 22,5% das pessoas jovens (15-29 anos) não estudam e nem trabalham. Desses jovens, mais de 65% são mulheres, sendo que a maioria, ou seja 54,1%, tem ao menos um filho ou filha.

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