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SPC Brasil aponta que 45% dos consumidores consideram vida financeira positiva, devido a boa organização orçamentária
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SPC Brasil aponta que 45% dos consumidores consideram vida financeira positiva, devido a boa organização orçamentária

Em setembro, o Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) apurado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) manteve sua estabilidade, ao passar de 42,3 para 41,3 pontos, registrando uma leve variação negativa se comparado ao mês anterior. Com uma escala que varia de zero a 100 pontos, os resultados abaixo de 50 destacam o pessimismo dos consumidores em relação à economia e vida financeira.

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O SPC Brasil também apontou estabilidade no indicador que avalia a Percepção do Cenário Atual, que variou de 30,1 para 29,8 pontos. Segundo a sondagem, somente 11% dos brasileiros enxergam como positiva suas condições financeiras atuais. Para 43% deles, a situação é apontada como ruim, enquanto que para outros 45%, as condições se mostram regulares.  No que se diz respeito à situação econômica atual do Brasil, a taxa é expressivamente negativa, uma vez que 81% dos consumidores a apontam como ruim. Apenas 3% consideram a situação positiva.

De acordo com o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, “a consolidação da volta da confiança é uma condição necessária para a retomada do consumo das famílias e dos investimentos pelo lado dos empresários. Mas isso dependerá, fundamentalmente, do aumento de vagas de emprego e ganhos reais de renda, depois de longo período de queda”.

Vida financeira

A dificuldade de pagar as contas e o orçamento reduzido são os principais fatores que influenciaram os brasileiros que afirmam que a vida financeira vai mal, com 38% das respostas. Já o desemprego foi citado por 34% e a renda familiar, por 14%. Entre aqueles que avaliam a situação atual da economia negativamente, o desemprego foi apontado como o principal sintoma para tal pessimismo, com 47% das menções. Os altos preços de produtos e serviços também foram lembrados, por 27% deles, assim como os juros elevados, com 10%.

O alto custo ainda foi mencionado por 47% dos entrevistados como o fator que mais tem pesado na vida financeira familiar, bem como o desemprego, com 21% e o endividamento, com 13%. Quando o assunto é aumento dos preços, os combustíveis são os mais citados, com 76% das respostas.

Cerca de 45% dos consumidores consideram sua vida financeira positiva, entendendo que as coisas vão bem por conta do controle que desempenham com seu orçamento pessoal. A reserva financeira para situações de emergência, com 8% foi outro fator evidenciado por eles.

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A economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito, Marcela Kawauti afirma que o dado revela a importância em se organizar financeiramente, sobretudo em momentos de crise. “Quem faz um controle sistemático do orçamento consegue ajustar os gastos e o padrão de vida com mais rapidez em momentos de aperto”.

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Estimativas

Mesmo com a negatividade do diagnóstico atual, os brasileiros se mostraram esperançosos, ao acreditarem que a situação financeira deve melhorar em um período de seis meses. Isso foi destacado pelo Indicador de Expectativas, que atingiu 52,7 pontos, mostrando mesmo que timidamente um otimismo em relação ao futuro. A expectativa para a vida financeira ficou em 63,7 pontos e as expectativas para a economia em 41,8 pontos.

Aproximadamente 58% dos avaliados possuem boas expectativas para a própria vida financeira. Entretanto, 36% não sabem justificar o motivo do otimismo. Ao contrário de 25% que respaldam esse sentimento na esperança de conseguirem um novo emprego ou uma promoção no trabalho, enquanto 10% asseguram gerir o orçamento de forma eficiente. Já 11% nutrem expectativas negativas para o próprio bolso, 27% ressaltam o aumento dos preços e 26% asseguram estarem apreensivos com a possibilidade de a crise econômica persistir.

Otimismo

Um dado levantado pelo indicador é um relativo descolamento entre a percepção da própria situação financeira e as condições econômicas do Brasil. Se por um lado, o consumidor estima conseguir controlar seu orçamento, por outro, desconfia da economia nacional. A maior parte deles, com 42%, se diz pessimista para um período de seis meses. Em contrapartida, 16% acreditam que a economia brasileira irá melhorar e 36% mantiveram opiniões neutras sobre o assunto.

A corrupção foi o principal impacto para o pessimismo do brasileiro diante da economia.  Quatro em cada 10 dos que não tem boas expectativas, ou seja, 37% afirmaram que os escândalos atrapalham o desempenho do País. Cerca de 21% mencionam o alto nível de desemprego. Entre os otimistas, 46% não sabem explicar o porquê pensam dessa maneira, 13% dizem que a razão está no fato de o pior da crise política já ter passado  e 8% na queda no desemprego.

“Ainda que algumas variáveis já comecem a apresentar sinais positivos, como é o caso da inflação controlada e da queda das taxas de juros, que são fatores com impacto no bolso do consumidor, o mercado de trabalho e a renda das famílias, ainda se encontram em patamares historicamente ruins e, isso acaba deteriorando as expectativas dos consumidores”, conclui a economista-chefe do SPC Brasil.

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