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Inteligência artificial de Jerimiah Hamon pode beneficiar empresas, melhorando conteúdo e gerando um maior lucro

Ao assistir a um filme em uma sala escura, é possível que as reações das pessoas passem despercebidas. Entretanto, e se estivessem em uma sala equipada com “visão computadorizada” ou com inteligência artificial (AI)? Os humanos assistiriam ao filme ao mesmo tempo em que ele os observaria.

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A empresa Silver Logic Labs está trabalhando para que isso seja possível, com o aprimoramento de um programa de computador, já existente. Com essa ferramenta, o CEO, Jerimiah Hamon, que passou a maior parte de sua carreira resolvendo problemas de consumo na Amazon, Microsoft e na Harvard Medical School, visa entender como a inteligência artificial pode atuar sobre o comportamento humano.

Para Hamon, o uso da AI para analisar as reações dos indivíduos em relação a vários tipos de meios de comunicação é benéfica para pesquisadores e empresas. O AI vê uma audiência assistindo um filme, detecta as emoções das pessoas através de expressões faciais, até mesmo as mais sutis e gera dados para que o sistema estude.

O CEO começou este tipo de testes há três anos e, embora ainda seja uma aplicação bastante nova no setor de mídia, está ganhando cada vez mais espaço, uma vez que se mostra uma fonte produtora de resultados confiáveis acerca do comportamento humano.

Benefícios

Essa visão de AI e computador pode dar às empresas um olhar baseado em informações sobre como as pessoas reagem a filmes ou programas de TV de forma mais eficiente do que qualquer grupo de foco.  Tudo isso é feito por meio do treinamento do AI, para que forneça diagnósticos rápidos, consistentes e detalhados.

Hamon aponta o feito como uma vantagem as indústrias que procuram entender esses resultados, já que podem implementá-los e consequentemente melhorar seus serviços e aumentar o lucro.

As classificações são uma forma importante que as indústrias de televisão e cinema medem o sucesso de um projeto. O software de Hamon foi capaz de prever com eficácia e assertividade as classificações do programa de Nielsen, Rotten Tomatoes e IMDB, com uma precisão que variou de 84% a 99%.

O intervalo se faz presente por serem "multimodais", ou seja, tentam avaliar diferentes tipos de audiência, geralmente as mais difíceis de prever. Com a matemática, no entanto, tudo é possível. "Nós tomamos as respostas emocionais que as pessoas têm de estímulos visuais e auditivos e convertemos em um valor numérico”, explica.

Além do entretenimento

Como sua IA era tão boa em prever os gostos e as desculpas dos indivíduos, Hamon se perguntou o que mais poderia contar as pessoas sobre elas mesmas. Talvez pudesse descobrir se estão mentindo. Como um teste de polígrafo, a AI pode comparar dados que indicam os níveis de estresse de uma pessoa em relação a um conjunto de dados estabelecido para determinar se ele está ou não falando a verdade.

Os dados também podem ser eficientes para que aqueles que os interpretem possam detectar se uma pessoa sabia que estava mentindo ou não. Para testar essa ideia, Hamon usou sua AI para desempenhar tarefas de reconhecimento de emoções em vídeos de baixa qualidade. Ele usou takes de cabeças conversando no CSPAN, bem como filmagens de conferências de imprensa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em um momento em que a verdade parece estar sendo atacada, a separação das pessoas honestas dos mentirosos parece crítica. Mas o sistema também pode ser usado em situações literais de vida ou morte, auxiliando os clínicos a avaliarem melhor a dor do paciente para descobrir o tratamento ideal.

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O sistema pode ser essencial para a detecção de um acidente vascular cerebral, por exemplo. Enquanto profissionais médicos e cuidadores são treinados para reconhecer os sinais de um acidente vascular cerebral, eles muitas vezes sentem falta dos "mini golpes" ou ataques isquêmicos transitórios, que podem preceder um acidente vascular cerebral completo. Desse modo, o olho de AI, então, pode detectar os micro sinais do acidente, ou mesmo os sintomas ou sinais de uma doença que se estabeleceu antes do início agudo nos pacientes.

Isso permitiria aos cuidadores responder e intervir em tempo hábil para que o paciente pudesse ser monitorado em casos de um acidente vascular cerebral mais grave. Além disso, tal tecnologia poderia otimizar o tempo de decisão dos médicos, impedindo que o acidente se conclua.  

Mas afinal, isso realmente funcionaria? Sendo a AI sensível o suficiente para detectar esses tipos de mudanças minuciosas, quando o sistema estava testando o público, os pesquisadores tiveram que tomar nota dos medicamentos prescritos pelos participantes  –alguns, como estimulantes, causam efeitos como a pressão sanguínea mais alta e pequenos distúrbios musculares. Um ser humano pode não notar essas mudanças sutis em outra pessoa, porém a IA pode buscá-las e possivelmente confundi-las com estresse.

Futuro

Para Hamon, seu algoritmo é imparcial: o computador interpreta o comportamento físico de uma pessoa, independentemente do rosto ou corpo que possua, além de trazer mais segurança ao indivíduo. 

"Você fica nervoso quando a polícia se põe atrás de você. Mas acho que esse tipo de tecnologia pode desfazer esse nervosismo, porque se você não está fazendo nada de errado, o computador vai dizer ao oficial que você não está fazendo nada de errado. Eu sentiria uma sensação de segurança sabendo que um computador está fazendo essa avaliação de ameaça".

O CEO ressalta não se preocupar com a interpretação dos resultados do algoritmo que criou, já que está confiante e também sabe das limitações da experiência, o que o faz preferir deixar que especialistas em áreas, como medicina e psiquiatria deem sentido as informações coletadas.

O futuro do trabalho de Hamon no Silver Logic Labs é bastante amplo, havendo pequenas implicações e limitações para a inteligência artificial, por conta da imaginação humana. O estudioso quer disponibilizar sua ferramenta para o maior número de usuários possível, mas por enquanto prefere manter o foco no desenvolvimento de uma tecnologia que melhore a qualidade do entretenimento.

*Com tradução do futurism.com

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