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Campanha veiculada na televisão recebeu reclamações de aproximadamente uma dezena de consumidores; relator afirmou que filmes podem ofender

Conar, campanha
Reprodução/Youtube
Conar, campanha

Em uma decisão inédita, o Conselho de Ética do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), responsável por avaliar as campanhas de publicidade veiculadas no Brasil, reprovou dois anúncios do próprio órgão. Foi recomendada a alteração dos comerciais para televisão.

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De acordo com a decisão publicada no site do órgão, foram recebidas reclamações de "aproximadamente uma dezena de consumidores". O órgão explica que as pessoas entenderam que os anúncios desmereceram movimentos que lutam por diversidade social e respeito. A campanha, nomeada "Confie no Conar ", foi assinada pela agência AlmaBBDO. 

Tanto o órgão quanto a agência afirmaram que vão recorrer da decisão tomada pelo Conselho de Ética . Apesar disso, os anúncios não serão mais exibidos até que haja um posicionamento diferente. 

A defesa do órgão justificou que as reclamações "foram pautadas em percepção individual, num ambiente onde é cada vez mais difícil agradar a todos". "É exatamente para tratar deste tipo de controvérsia que foi criado o Conar, que dentre as suas atividades, tem a responsabilidade de avaliar em seus julgamentos se uma publicidade está calcada em irregularidade ou em elementos subjetivos pautados na percepção e gosto individual, tudo com o propósito maior de não permitir que o 'direito' reclamado por uma parcela da sociedade possa configurar restrição à liberdade de expressão", alegou a defesa.

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Os anúncios

Na campanha que gerou controvérsia, são mostradas, simultaneamente, duas cenas semelhantes, mas com algumas diferenças, como um casal heterossexual e um lado e um homossexual do outro – além de mudanças como a cor da goiaba consumida pelos filhos do casal e o animal de estimação da família.

Um narrador diz "Já pensou se todo comercial tivesse que ter opções para agradar todo mundo? Por isso que existe o Conar. Para separar o que é gosto pessoal do que é ofensivo e ilegal".

O relator do caso afirma que a campanha dá margem para que as pessoas sintam-se ofendidas. "A lógica da campanha é correta, pertinente, louvável. No entanto, o resultado infelizmente não comunica a separação de questões esdrúxulas, ridículas, de gosto ou simples opinião daquelas questões que mobilizam parcelas significativas da sociedade e do mercado – cada vez mais marcas valorizam a diversidade, por exemplo", disse.

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Ele recomendou a alteração nos filmes para que não haja a possiblidade de que as pessoas interpretem, por exemplo, "que diversidade de goiabas e diversidade étnica estejam no mesmo nível de importância". O Conar já havia avaliado campanhas próprias em duas oportunidades, mas em ambas o processo foi arquivado. 

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