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Investigação sobre possível dumping anunciada pelo Ministério de Comércio da China terá duração de um ano e possibilidade de extensão por mais um

Entre 2013 e 2016, 50% do fornecimento de frango na China procedia do Brasil
Cidasc/Divulgação
Entre 2013 e 2016, 50% do fornecimento de frango na China procedia do Brasil

O Ministério das Relações Exteriores informou nesta sexta-feira (18) que apoiará os exportadores brasileiros frente às investigações na China sobre possível dumping nas importações de frango procedentes do Brasil. "O governo brasileiro vai apoiar os exportadores brasileiros no processo antidumping e buscar assegurar que as normas da OMC [Organização Mundial do Comércio] sejam seguidas estritamente", anunciou o ministério.

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A investigação sobre o possível dumping nas vendas de frango foi anunciada também nesta sexta-feira pelo Ministério de Comércio da China. Em comunicado, a pasta disse que a investigação se prolongará por pelo menos um ano, até 18 de agosto de 2018, com possibilidade de extensão por mais 12 meses.

O dumping é caracterizado pela comercialização de produtos a preços inferiores ao do custo de produção. Esta prática comercial é considerada desleal, pois é usada para eliminar a concorrência e conquistar uma fatia maior de mercado.

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, o Brasil não vende frangos à China abaixo do preço de mercado. Ele assegura que o País não pratica dumping no comércio internacional de carne de aves, nem em qualquer outra proteína exportada pela avicultura e pela suinocultura.

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"Não é a primeira vez que brasileiros enfrentam este tipo de questionamento. Em 2010, a Ucrânia apresentou consultas semelhantes contra o Brasil e os Estados Unidos, que se defenderam conjuntamente e obtiveram vitória. Em 2012, o mesmo ocorreu com relação à África do Sul. Novamente, o Brasil saiu vitorioso da contenda, mostrando que são injustificados tais questionamentos", disse Turra.

A ABPA informou que teve acesso preliminar aos documentos encaminhados pelo governo chinês e está levantando as informações necessárias para subsidiar o governo brasileiro, para que todos os pontos sejam esclarecidos.

Estes questionamentos, de acordo com Turra, podem ser creditadas à alta competitividade da avicultura brasileira, que conta com farta oferta de milho e de soja, insumos básicos e determinantes para os custos de produção. "Além disso, o Brasil segue como um dos únicos grandes produtores mundiais a nunca registrar casos de influenza aviária em seu território, um problema que tem impactado a produção avícola mundial nos últimos anos", acrescentou.

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De acordo com o Ministério de Comércio da China, 50% do fornecimento da ave na China, o segundo maior consumidor desta carne no mundo, procedia do Brasil entre 2013 e 2016. O país também é o maior consumidor mundial de frango brasileiro, e 85% das importações congeladas desta carne procedem do Brasil.