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Em 2008, na Índia, a justiça decidiu utilizar a neurotecnologia em um processo criminal envolvendo uma mulher condenada por assassinato

Brasil Econômico

Seus pensamentos são seus, não são? Apesar do que você fala ou faz em público, em particular, em relação aos outros ou quais informações você compartilha online, os pensamentos, os ideais, e ações contidas em sua própria mente devem ser particularmente seus. Contudo, avanços na tecnologia – principalmente da neurotecnologia - que lidam com imagens cerebrais/escaneamento cerebral, desenvolvido em ordem de estudo e interpretação da mente humana, podem estar invadindo essa maneira de pensar, e colocando a questão: é nosso direito controlar nossos próprios pensamentos e processos?

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Em 2008, na Índia, decidiu: utilizar a neurotecnologia em um processo judicial envolvendo uma mulher condenada por assassinato
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Em 2008, na Índia, decidiu: utilizar a neurotecnologia em um processo judicial envolvendo uma mulher condenada por assassinato

Liberdade cognitiva e o direito à autodeterminação mental são os que nos permitem controlar nossas mentes. Pergunte a qualquer pessoa a questão acima, e a maioria vai concordar que sim, é verdade. No entanto, quando feita a mesma pergunta com relação aos seus potenciais benefícios em medicina e direito, a resposta pode ser diferente. Se um leitor de cérebro pode provar que alguém cometeu um crime, não seria do interesse de todos usá-lo por meio da neurotecnologia ?

Em 2008, na Índia, decidiu: utilizou a tecnologia em um processo judicial envolvendo uma mulher condenada por assassinato. O julgamento, utilizando a leitura do cérebro da ré, concluiu que ela tinha o “conhecimento experimental” sobre o crime, sendo que isso só seria possível para quem matou, levando a sua sentença a prisão perpétua. Na época, a decisão e o uso da análise cerebral foram fortemente debatidos. A tecnologia ainda era nova e não totalmente comprovada.

Agora, nove anos depois, a tecnologia avançou ainda mais, e nós, como uma sociedade, estamos mais dispostos do que nunca a dar partes de nós mesmos nessa ferramenta, desde que os resultados valham a pena.

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Anteriormente, nossos direitos

As compras certamente seriam mais fáceis se as empresas conhecessem nossos gostos e desejos. O CEO do Santa Fe Institute (SFI) e complexo teórico, David Krakauer, disse à Forbes, que os avanços da tecnologia , podem ajudar, em especial, identificar quanto as pessoas podem ser preguiçosas quando se trata de tomar decisões ou medir esforços.

"O que eu me preocupo com quase mais do que qualquer outra coisa é um tipo de preguiça mental, e uma falta de vontade para se envolver com as questões difíceis. E o fato de ser possível ter um sistema disposto a tomar decisões por você”, disse Krakauer.

Com certeza, as ferramentas do leitor de cérebro não podem ser usadas no público em geral, ou por aqueles nas áreas médica e jurídica acima mencionadas. A revista Scientific American apontou que até que foram feitos experimentos com militares para o monitoramento do cérebro, para aumentar o alerta e a perspicácia do soldado.

Isso é outro benefício que vem com a neurotecnologia, porém os riscos e consequências não intencionais precisam ser abordados. Foi apenas no mês passado que neurocientistas chineses revelaram que poderiam mudar a propensão dos ratos para serem mais dominantes ou submissos promovendo a atividade em diferentes partes do cérebro. Caso a varredura cerebral seja proliferada, o uso indevido é certo.

Uma conversa sobre liberdade cognitiva

O leitor de cérebro e as ferramentas que tornam isso possível podem trazer benefícios sociais, mas o perigo em potencial não pode ser ignorado. Uma conversa aberta é necessária sobre a liberdade cognitiva, e isso precisa acontecer entre peritos legais, neurocientistas e, o mais importante, entre as pessoas que terão as vidas afetadas pela aplicação.

Não é difícil imaginar cenários em que os dados neurológicos relacionados a um evento ilegal possam funcionar contra um réu. As populações oprimidas terão uma cadeia muito diferente e extensa de associações mentais, por exemplo, da polícia e da violência, do que uma não – minoria acusada do mesmo crime. Isso não significa nada sobre como a tecnologia seria aplicada, e a intenção (ou a desvantagem) daqueles cujo processo adjudicativo inclua escaneamento cerebral como evidência. Certamente as implicações iriam além da ciência.

O especialista em neuroética, Paul Root Wolpe, disse no World Science Festival de 2015: “Isso é algo, como uma sociedade, vamos ter que trabalhar. Mas eu realmente acredito que isso irá acontecer muito em breve, e que é muito importante para todo mundo ir pensando como vão querer [os limites da liberdade cognitiva] estar”.

Estaria a liberdade cognitiva sendo ameaçada pela neurotecnologia?

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*Com tradução da futurism.com

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