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Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,24% frente ao decréscimo de 0,23% registrado no mês anterior

Brasil Econômico

IBGE: os grupos habitação e transporte impulsionaram positivamente o resultado mensal, com altas de 1,64% e 0,34%, respectivamente
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IBGE: os grupos habitação e transporte impulsionaram positivamente o resultado mensal, com altas de 1,64% e 0,34%, respectivamente

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (9) uma variação de 0,24% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ( IPCA ) em julho, frente ao recuo de 0,23% registrado no mês anterior. Assim, o acumulado no ano ficou em 1,43%, resultado bem menor se comparado aos 4,96% registrados em igual período do ano passado.

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No que se diz respeito aos últimos 12 meses, o IBGE apontou que o índice foi para 2,71%, menor taxa acumulada em 12 meses desde fevereiro de 1999, quando o resultado foi de 2,24%. Vale lembrar que em julho do ano passado, o índice havia apresentado variação de 0,52%.

Também no sétimo mês do ano, mesmo com o grupo alimentação e bebidas sendo responsável por 25% das despesas das famílias e obtendo a terceira queda consecutiva, com recuo de 0,47%, os grupos habitação e transporte impulsionaram positivamente o resultado mensal, com altas de 1,64% e 0,34%, respectivamente.

Grupos

Com 0,20 ponto percentual (p.p) – maior impacto individual –, energia foi o item que mais contribui para o registro de julho, com 6%. Isso ocorreu por conta da entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, a partir de 1 de julho, o que representou uma cobrança adicional de R$ 2 a cada 100 kwh consumidos. Além disso, foi acrescentado o aumento na parcela do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), que aconteceu na maioria das regiões avaliadas, o reajuste de 7,09% em Curitiba, a partir do dia 24 de julho. Houve também o reajuste de 5,15% e uma das concessionárias de São Paulo, que entrou em vigor desde 4 de julho.

Em relação ao grupo habitação, a taxa de água e esgoto ficou em 1,21%, resultado influenciado pelas regiões metropolitanas de Fortaleza, com 11,27% e de Porto Alegre, com 1,90%, devido aos reajustes de 12,90%, em 26 de junho e de 4,50% no primeiro dia de julho. Já Goiânia ficou em 5,89%, com reajuste de 6,29%, em vigência desde o dia 1 de julho.

No grupo transportes, que registrou taxa de 0,34%, o principal destaque foi dado aos combustíveis, com variação de 0,92%. O litro de etanol ficou em média, 0,73% mais caro, enquanto a gasolina variou para 1,06%. Isso aconteceu, pois durante o mês de julho, foram anunciados diferentes reajustes - com aumentos e reduções - nos preços da gasolina na refinaria, e em 20 de julho houve a elevação da alíquota do PIS/COFINS. No dia 25 de julho, a alta foi suspensa por liminar, derrubada no dia seguinte. A nova liminar, do dia 3 de agosto também foi desconsiderada no outro dia, suspendendo o efeito do decreto que reajustou alíquotas do PIS/COFINS dos combustíveis.

É importante mencionar que no grupo transportes as tarifas dos ônibus interestaduais, passaram a custar 2,15% a mais devido ao reajuste médio de 1,45% no valor das passagens a partir do dia primeiro de julho. As variações ficaram entre -1,27% da região metropolitana de Salvador e os 6,56% da região metropolitana do Recife.

Referente as quedas, o destaque partiu do grupo alimentação e bebidas, com baixa de 0,47% e 0,12 ponto percentual de impacto causado pelos alimentos para consumo em casa, mais baratos em 0,81%, passando para -1,81% em Goiânia e 0,06% em Brasília. Por outro lado, alimentação apresentou acréscimo de 0,15%, no intervalo de -0,32% na região metropolitana do Rio de Janeiro e até 1,71% em Goiânia.

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Mesmo com a maioria dos alimentos passando a custar menos na transição de junho para julho, como a batata-inglesa, com recuo de 22,73%, o leite longa vida, com baixa de 3,22%, as frutas, com menos 2,35% e as carnes, com decréscimo de 1,06%, houve alta nos preços do tomate e da cebola, com 16,90% e 11,70%, respectivamente, frente aos recuos do mês anterior.

Índices regionais e metodologia

Na ótica dos índices regionais, os resultados ficaram entre  -0,24%, registrado em Campo Grande e o 0,49% da região metropolitana de Curitiba. Na região metropolitana de Curitiba, o acréscimo foi potencializado pelas contas de energia elétrica, que ficaram 9,33% mais caras por conta do reajuste de 7,09%, que entrou em vigor desde o dia 24 de junho. Já em Campo Grande, as carnes apresentaram redução de 2,02%.

 O IPCA é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desde 1980, abrangendo as famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, independentemente da fonte. Além disso, avalia 10 regiões metropolitanas do País, assim como os municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília. Para o cálculo mensal do índice, foram comparados os preços coletados em um período de 29 de junho a 31 de julho de 2017 - período de referência, com os preços vigentes no período de base, que vai do dia 1º ao dia 28 de junho de 2017.

Índice Nacional de Preço ao Consumidor

Ainda em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou cerca de 0,17%, ficando acima do recuo de 0,30% do mês anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice decresceu para 2,08%, abaixo dos 2,56% registrados nos 12 meses passados.  Em julho do ano passado, a taxa de variação do INPC foi de 0,64%.

No mês, os produtos alimentícios tiveram baixa de 0,45%, ante a taxa negativa de 0,52% de junho. O agrupamento dos não alimentícios em 0,45%, acima da taxa de -0,20% do mês anterior.

Em relação aos índices regionais, as variações ficaram entre -0,30% de Campo Grande e 0,42% da região metropolitana de Curitiba. Em Campo Grande, vale mencionar a redução de 2,15% nas carnes. Na região metropolitana de Curitiba, a energia elétrica impulsionou o alto resultado, devido ao seu encarecimento de 9,71%, recorrente ao reajuste de 7,09%, que entrou em vigência no dia 24 de julho.

Metodologia

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pelo IBGE desde 1979, levando em consideração as famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, sendo o chefe assalariado. Abrangente a dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília, para calcular o resultado mensal do índice foram comparados os preços coletados no período de referência, que vai de 29 de junho a 31 de julho de 2017 com os preços vigentes no período base, de 1º a 28 de junho de 2017.

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