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Assim como a inflação elevada representa um problema para a economia, a queda de preços nem sempre será um bom sinal; veja como isso funciona

Brasil Econômico

Na década passada, inflação havia ficado negativa em apenas três oportunidades na década passada
Agência Brasil/EBC
Na década passada, inflação havia ficado negativa em apenas três oportunidades na década passada

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve redução de 0,23 no mês de junho. Quando isso acontece, temos a chamada deflação. Foi a primeira vez em 11 anos que este fenômeno foi observado.

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O significado da deflação é uma queda nos preços dos produtos e serviços durante o mês avaliado. Ainda segundo o IBGE, o que mais motivou a inflação negativa foram as quedas nos preços da energia elétrica, dos transportes e dos alimentos.

Por conta da deflação, o consumidor consegue comprar produtos pagando menos, o que, em um momento inicial, representa a recuperação do poder de compra. A deflação, no entanto, pode indicar dificuldades econômicas se persistir por vários meses.

Deflação é boa ou ruim?

Assim como a inflação alta representa um problema para a economia, a queda de preços nem sempre representa um bom sinal. Segundo a teoria econômica, índices negativos seguidos e generalizados indicam que os empresários estão baixando os preços por não estarem conseguindo vender as mercadorias a consumidores sem dinheiro.

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Normalmente, este comportamento está associado a países que enfrentam estagnações econômicas prolongadas, como o Japão, ou recessões severas acompanhadas de alto desemprego, como a Grécia.

Depois da crise econômica global de 2008, o Japão registrou resultados negativos de 2009 a 2012. Somente em 2013, o país asiático voltou a registrar taxas positivas, mas os preços subiram por causa do aumento de tributos anunciado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe ao chegar ao poder. Em 2015 e 2016, o país continuou a registrar taxas positivas, mas próximas de zero.

No Brasil

Mais comum em períodos de recessão nos países desenvolvidos, a deflação não é frequente no Brasil. De acordo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que compila estatísticas antigas do país, em poucos momentos da história, o Brasil registrou deflação por vários meses seguidos. A primeira vez foi em 1930, quando os preços caíram 8,9% após a crise do ano anterior que fez o preço do café despencar.

Em 1998, última vez em que o Brasil havia registrado o fenômeno, o resultado negativo foi mantida por quatro meses consecutivos. O índice fechou aquele ano em 1,66%. Na época, o Brasil tinha um câmbio supervalorizado e cresceu apenas 0,34%.

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A inflação ficou negativa em apenas três vezes na década passada: junho de 2003 (-0,15%), em junho de 2005 (-0,02%) e em junho de 2006 (-0,21%). As deflações, no entanto, não indicaram tendência porque os índices encerraram esses anos com resultados positivos: 9,3% em 2003, 5,69% em 2005 e 3,14% em 2006.

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