Tamanho do texto

Outro estudo que reforça esse cenário é que 46% dos brasileiros consideram difícil ou muito difícil contratar empréstimos ou linhas de financiamento

Cerca de 25% dos brasileiros tiveram o acesso ao crédito negado no mês de maio ao tentar fazer uma compra a prazo ou contratar algum tipo de empréstimo ou financiamento. Isso é o que aponta o Indicador de Uso do Crédito feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Paulistas (CNDL).

Leia também: Mulheres receberam 23,6% a menos do que os homens em 2015, revela IBGE

SPC Brasil: “O cartão é um excelente instrumento de pagamento, pois ao contrário do crediário e do empréstimo, ele só cobra juros em casos de não pagamento ou pagamento mínimo da fatura
shutterstock
SPC Brasil: “O cartão é um excelente instrumento de pagamento, pois ao contrário do crediário e do empréstimo, ele só cobra juros em casos de não pagamento ou pagamento mínimo da fatura", diz Vignoli

De acordo com apuração do SPC Brasi l e da CNDL, o que mais impulsionou o resultado foi o fato de 10% desses consumidores estar com o nome inserido no cadastro de inadimplentes e a falta de comprovação de renda, citada por 4% dos entrevistados.

Outro estudo que reforça esse cenário é que 46% dos brasileiros consideram difícil ou muito difícil contratar empréstimos ou linhas de financiamento. “Crédito fácil e desburocratizado pode parecer algo positivo para quem precisa de dinheiro imediato para resolver um problema financeiro. Em muitos casos, porém, a contrapartida da agilidade e do crédito farto é a cobrança de taxas de juros muito elevadas. Nesses casos, se o consumidor não analisar a sua capacidade de pagamento, ele poderá ficar inadimplente e desajustar todo o seu orçamento”, avalia a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Leia também: Redução de 4,5% no preço do gás de cozinha começa a valer nesta quarta-feira

Cenário de maio

O balanço também revela que 58% dos consumidores não utilizaram nenhuma modalidade de crédito em maio, enquanto que 42% responderam que utilizaram ao menos uma forma de crédito. Cartão de crédito e cartões de loja e crediário foram os meios mais utilizados, com saldos respectivos de 35% e 16%.

No ranking, em seguida, aparece o cheque especial com 7%, enquanto que empréstimos e financiamentos foram buscados por 5% e 4% dos entrevistados, respectivamente.

Além da comparação das variáveis, as entidades também mensuraram em pontos o Indicador de Uso de Crédito no mês de maio, que registrou a marca de 27,5 pontos, o que é um resultado tecnicamente estável frente à marca de 27,6 de abril. A escala varia entre zero e 100, sendo este a maior disposição do consumidor a tomar crédito.

Fatura do cartão de crédito

Entre os 35% dos consumidores que utilizaram o cartão de crédito, apenas 23% conseguiu reduzir o preço da fatura, enquanto que 38% manteve estável os valores de abril e maio e 33% observou alta. As entidades calcularam ainda que o valor médio foi de R$ 933.

Compras de supermercado e remédios e farmácia foram os itens mais consumidos pelo cartão de crédito do brasileiro, com saldos respectivos de 65% e 52%.

“O cartão é um excelente instrumento de pagamento, pois ao contrário do crediário e do empréstimo, ele só cobra juros em casos de não pagamento ou pagamento mínimo da fatura. Isso requer organização do consumidor para que ele tenha a garantia de que não haverá atrasos ou uso do rotativo, uma vez que os juros superam os 300% ao ano quando não há quitação em dia”, alerta o educador financeiro do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.

Expectativas

Apenas 16% dos consumidores brasileiros estão com as contas no azul, isso quer dizer, com sobra de recursos para consumir ou fazer investimentos. Já 42% confessa que está sem sobra e nem falta de dinheiro, ao mesmo tempo em que 34% diz estar sem conseguir pagar todas as contas com a renda que possuem, ou seja, no vermelho.

Cerca de 57% dos entrevistados pelo SPC Brasil e da CNDL afirmaram que pretende cortar gastos no mês de julho. Dessas pessoas, 37% afirmou que os motivos pela nova postura é a redução da renda, desemprego e o endividamento.

Leia também: Salário médio do trabalhador brasileiro ficou 3,2% menor em 2015, aponta IBGE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.