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Segundo engenheiro eletricista, consumidor deve considerar a potência dos aparelhos e seu tempo de utilização no mês; chuveiro e geladeira são vilões

Brasil Econômico

Todos os meses, ao receber a conta de luz, os consumidores devem pagar um valor estipulado pela companhia de energia elétrica referente ao consumo no período. Porém, você sabe como as empresas chegam aos valores que são cobrados em sua conta de luz? Ao entender os cálculos, é possível saber quais eletrodomésticos são os responsáveis pelos maiores consumos e quais as melhores formas de se economizar energia.

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De acordo com o engenheiro eletricista Carlos Tadeu Lauand, professor nos cursos de Engenharia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o consumidor precisa considerar alguns dados antes de calcular o consumo de energia elétrica . O primeiro deles é a potência dos eletrodomésticos e aparelhos elétricos. Estas informações são fornecidas na unidade de potência adotada pelo Sistema Internacional de Unidades, ou seja, watts (W).

Para calcular consumo de energia elétrica de um aparelho, basta multiplicar sua potência pelo tempo de uso no mês
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Para calcular consumo de energia elétrica de um aparelho, basta multiplicar sua potência pelo tempo de uso no mês

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Para potências acima de 1.000 watts, costuma-se utilizar antes da unidade o prefixo "k", entendido como "mil". Assim, se um aparelho tem potência de 3.000 watts, por exemplo, pode ser especificado como 3.000 W ou apenas 3 kW (quilowatts). Quanto maior o número, maior a quantidade de energia consumida por este aparelho em um período de tempo. Portanto, para calcular a energia consumida por um eletrodoméstico, basta multiplicar sua potência em kW pela quantidade de horas em que ele foi utilizado.

O resultado dessa conta será obtido em kWh (quilowatt hora). Por exemplo, para determinar o consumo de energia mensal de um secador de cabelo com potência 2 kW (2.000 watts), é preciso saber o tempo de utilização do aparelho no período. Se ele é usado durante 10 minutos por dia, são 300 minutos (10 x 30 dias) no mês. Depois é preciso transformar estes minutos em horas.

Para isso, basta dividir 300 por 60 e obtemos 5 horas de utilização por mês. Com isso, o aparelho terá consumo de 2 kW vezes 5 horas, ou seja, 10 kWh no mês. Esta conta pode ser feita com qualquer aparelho, caso você saiba qual sua potência. Em geral, aparelhos e dispositivos voltados para a iluminação  são responsáveis por um baixo consumo de energia. Uma lâmpada com potência de 15 W (ou 0,015 kW) que permanece ligada 4 horas por dia, por exemplo, consumirá 0,015 kW x 120 horas (mensais). Ao final do período, terá consumido apenas 1,8 kWh.

Cuidado com chuveiros e geladeiras

Segundo o professor, aparelhos que envolvem aquecimento ou resfriamento costumam ser responsáveis por um maior consumo de energia elétrica. O chuveiro , por exemplo, é responsável por uma boa parcela do consumo residencial, pois tem potência muito alta se comparado com outros aparelhos domésticos. Na posição inverno, o chuveiro costuma ter 5,4 kW (5.400 W) de potência.

Soma-se a isso o longo período no qual ele é utilizado. Uma residência com quatro pessoas que demoram 15 minutos cada no banho , o período de utilização diário fica em 1 hora, acumulando 30 horas mensais. O consumo será 5,4 kW vezes 30 horas, totalizando 162 kWh no final do mês.

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Os refrigeradores ( geladeiras e freezers ), por sua vez, são aparelhos que, mesmo sem possuir uma potência muito elevada, respondem por um alto consumo mensal em uma residência. Isto porque ficam ligador por um grande período de tempo. "A geladeira, por exemplo, tem seu motor ligado e desligado num ciclo de 50%, ou seja, num período de 24 horas, ela permanece ligada durante 12 horas", explica Lauand. Neste período, seu motor está ligando e desligando constantemente.

Ao final do mês, são 360 horas de funcionamento. Com potência de, aproximadamente, 250 W (ou 0,25 kW), seu consumo será 0,25 kW vezes 360 horas. A conta totaliza 90 kWh mensais. Se a sua residência tem uma geladeira e um freezer, são consumidos, em média, 180 kWh no período.

Como transformar quilowatts em dinheiro?

Depois de todas as contas, é preciso calcular qual o valor pago no final do mês. Para isso, é necessário descobrir qual o valor do kWh cobrado pela concessionária de energia de sua região. Esta informação pode variar de acordo com a empresa, com a região, mas costuma estar indicada na própria conta de luz.

Valor do kWh cobrado por concessionárias de energia elétrica pode variar de acordo com a faixa de renda, a região e o perfil do consumidor
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Valor do kWh cobrado por concessionárias de energia elétrica pode variar de acordo com a faixa de renda, a região e o perfil do consumidor

As residências na região metropolitana de São Paulo que são atendidas pela AES Eletropaulo , por exemplo, tem valores que giram em torno de R$ 0,18 por kWh. Neste caso, o valor pode mudar de acordo com a faixa de renda, a região e o perfil do consumidor, mas podem ser consultados diretamente no site da concessionária . Caso você não encontre o valor na fatura, uma boa alternativa é consultar o site da empresa que fornece energia na sua região.

Após descobrir o preço do kWh, basta multiplicar este valor pelo consumo de todos os aparelhos. "Sabendo o preço do kWh, fica fácil descobrir quantos reais cada aparelho necessita para funcionar durante o mês", resumo Lauand.

Bandeiras tarifárias

Vale lembrar que, mensalmente, a Agência Nacional de Energia Elétrica ( Aneel ) determina a cor da bandeira tarifária, que pode incluir uma cobrança extra para o consumo. O sistema foi criado para equilibrar os gastos extras por conta da utilização de usinas termelétricas, mais caras que as hidrelétricas. A cor da bandeira tarifária é impressa na conta de luz – podendo ser verde, amarela ou vermelha (patamar 1 ou 2). Essa informação indica o valor do kWh em função das condições de geração de energia.

As bandeiras amarela e vermelha costumam ser utilizadas em períodos com níveis de chuva mais baixos, obrigando a ativação de usinas termelétricas, que são mais caras, mas garantem o atendimento à carga exigida pelo sistema. Por outro lado, em períodos de chuvas prolongadas, a bandeira fica verde, pois os reservatórios das usinas hidrelétricas ficam cheios e não há a necessidade de produzir energia com as termelétricas.

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A Aneel defende que a bandeira tarifária não é um custo extra na conta de energia, mas, sim, uma forma diferente de cobrar um valor que já era incluído na conta de energia, por meio do reajuste tarifário anual das distribuidoras. A agência diz que o modelo torna a conta mais transparente para o consumidor e apresenta, de forma simplificada, a informação para um uso consciente de energia.

Quando a bandeira de energia elétrica está verde, não há custo extra com outras usinas e o consumidor não precisa pagar nenhuma tarifa adicional em sua conta. No caso da bandeira amarela , a tarifa fica R$ 2 mais cara a cada 100 kWh consumidos. O valor da bandeira vermelha patamar 1 fica em R$ 3 para cada 100 kWh e o valor da bandeira vermelha patamar 2 , em R$ 3,50 a cada 100 kWh.