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O quesito que mede o otimismo com a situação dos negócios nos próximos seis meses foi o maior contribuinte para a queda, com baixa de 1,1 ponto

FGV aponta que a retração do ICOM foi observada em seis dos 13 segmentos avaliados, sendo influenciado pela piora no índice de Expectativas
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FGV aponta que a retração do ICOM foi observada em seis dos 13 segmentos avaliados, sendo influenciado pela piora no índice de Expectativas

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) divulgou nesta quinta-feira (25) um recuo de 0,5 ponto no Índice de Confiança do Comércio (ICOM) em maio. Ao passar de 89,1 para 88,6 pontos, o indicador registra o primeiro decréscimo ante a cinco altas consecutivas que o fez acumular 11,1 pontos.

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“Mesmo após ter avançado expressivamente nos meses anteriores, a acomodação da confiança do Comércio em maio ocorre em um patamar ainda baixo em termos históricos. Nota-se recentemente uma melhora de humor nos segmentos relacionados às vendas a prazo, um possível reflexo da tendência de queda dos juros e liberação de recursos do FGTS. A coleta de dados para a pesquisa de maio já estava quase terminando quando foi deflagrada uma crise política, no dia 17, com potencial para aumentar o grau de incerteza econômica e afetar o ritmo (já lento) de recuperação do setor”, afirmou o Superintendente de Estatísticas Públicas do Ibre/ FGV , Aloisio Campelo Jr.

A retração do ICOM foi observada em seis dos 13 segmentos avaliados, sendo influenciado pela piora no índice de Expectativas (IE-COM), que apresentou queda de 1 ponto no mês, indo para 94,8 pontos. Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) permaneceu estável, com 82,9 pontos.

O quesito que mede o otimismo com a situação dos negócios nos próximos seis meses foi apontado como o maior contribuinte para o movimento negativo do índice, com decréscimo de 1,1 ponto se comparado a abril, passando para 94,3 pontos. 

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Relação

Entretanto, mesmo com a estabilidade em maio, o ISA-COM avançou pelo quarto mês seguido, se levado em consideração a métrica de médias móveis trimestrais. Em paralelo, o indicador de “desconforto” evidenciou uma melhora no ambiente de negócios no ano.

Vale ressaltar que este indicador foi elaborado com dados da Sondagem do Comércio, agregando-se as proporções de entidades que apontam a demanda insuficiente, custo financeiro e acesso a crédito bancário como fatores limitativos ao avanço dos negócios, também os relacionando com o mau humor empresarial.

De acordo com a FGV, a relação entre os dois indicadores é historicamente forte, havendo uma correlação negativa de 0,99. Porém, apesar deste vinculo histórico, a estabilidade do Indicador de Desconforto nos dois meses anteriores mostrava a possibilidade de que o ISA-COM estivesse avançando além do desempenho do setor. O retorno do indicador à tendência de queda, com nova crise política que atingiu o País a partir de 17 de maio, interrompeu os sinais de melhora no ambiente dos negócios do comércio em 2017.

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