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As fintechs são as startups que buscam fazer um trabalho inovador no área de serviços financeiros; setor faturou R$ 450 milhões ao longo de 2016

Nubank está entre as startups do setor financeiro mais conhecidas no Brasil
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Nubank está entre as startups do setor financeiro mais conhecidas no Brasil

Para quem circula no mundo da tecnologia, o termo "fintech" já se tornou muito comum. Estas empresas são caracterizadas como startups que criam inovações no setor de serviços financeiros. Justamente pelo fato de ter como base o uso da tecnologia, elas têm desafiado instituições financeiras tradicionais. Há, inclusive, quem acredite que o fim dos bancos esteja próximo.

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Para Mauricio Valim, CEO da Paggi, os bancos talvez não estejam perto de acabar, mas as startups do setor financeiro vieram para ficar e revolucionar os processos. O especialista acredita que este processo seja irreversível.

"Se por um lado temos instituições financeiras que insistem em processos engessados e burocráticos, numa linha que segue quase o retrocesso, por outro, temos o advento da era digital, do mobile, o acesso mais barato a novas tecnologias, aliadas ao modelo disruptivo de oferecer produtos e serviços. Esse conjunto de fatores tem funcionado como molas propulsoras para o advento das fintechs. Chegou a hora das pessoas e empresas mudarem a forma como lidam com as questões financeiras", afirma Valim.

Além disso, o CEO da Paggi também acredita que um dos maiores diferenciais competitivos das fintechs seja a maneira como se relacionam com os usuários. Enquanto os bancos e outras grandes instituições financeiras concentram seus serviços para atender a indústria, com o objetivo de gerar receita imediata, as fintechs buscam oferecer um atendimento humanizado para seus usuários, que inclui desenhar serviços centrados em pessoas, em suas necessidades específicas, cujo sucesso é alcançado por meio de muita pesquisa, empatia, co-criação e metodologia.

Estas startups também contam com a vantagem de serem muito enxutas, o que as tornam totalmente focadas no modelo de negócios, construídas sobre uma base tecnológica consistente, com plataformas modernas e integradas aos serviços da nova geração cloud. Tudo isso reduz muito seu custo de operação e tempo para tomada de decisões. "Costumamos dizer que elas fazem muito com pouco", diz o especialista.

Outro benefício possibilitado pelas fintechs é o melhor aproveitamento do tempo e maior comodidade. Ao invés de agendar horário com o gerente responsável e se deslocar até um banco em dia e horário de funcionamento, por exemplo, é possível tirar todas as dúvidas 24 horas, conhecer as condições de empréstimos, os fundos e outros detalhes sem precisar sair do lugar. Só é necessário ter acesso à internet. 

Fora isso, também existe o benefício dos dados estratégicos e das tecnoligas de ponta. Usando diferentes tipos de algorítimos, estas startups conseguem cruzar as informações das empresas com a dos bancos de maneira rápida e fácil. Aqueles com maior semelhança entre si são combinados. O algoritmo cruza uma série de dados, incluindo fatores objetivos, como indicadores das empresas ou da operação, e subjetivos, como recorrência das receitas.

A captação mais rápida e eficiente de recursos também é outra das principais vantagens oferecidas por este modelo de empresa. Companhias que buscam captação no mercado de crédito nem sempre têm facilidade para encontrar um financiador disposto a liberar o recurso – ainda mais quando consideramos o momento de fragilidade econômica e de concentração bancária pelo qual o País passa. Por isso, por meio destas plataforma, é possível visualizar as melhores propostas de financiamento, deixando a cargo da empresa a tarefa de analisar as melhores condições e iniciar uma negociação de exclusividade.

Ainda de acordo com Valim, o crescimento desse mercado no Brasil é visível, principalmente nos dois últimos anos. A 3ª edição do Radar Fintechlab, elaborada no ano passado, apontou 130 iniciativas de fintechs mapeadas no país nas categorias Pagamentos, Gerenciamento Financeiro, Empréstimos e Negociação de Dívidas, Investimento, Funding, Seguros, Eficiência Financeira, Segurança, Conectividade e Bitcoin/Blockchain.

Segundo o levantamento, cerca de 70% das iniciativas monitoradas já estão em fase operacional, ou seja, já possuem clientes pagantes e já passaram pelas fases de ideação e de validação dos seus modelos de negócios. Em 2015, de cada 10 fintechs, 3 tiveram faturamento superior a 1 milhão de reais. E 1 em cada 5 fintechs já possui mais de 20 funcionários contratados. Outro dado interessante é que 31% das fintechs são direcionadas exclusivamente para o consumidor final, 27% para empresas e 42% atendem ambos os públicos. Cerca de 30% das fintechs já estão planejando expandir para o mercado internacional.

Até mesmo por uma carência deixada pelas instituições financeiras tradicionais, os brasileiros costuma aceitar muito bem as startups da área. A Techfoliance, empresa global de notícias e análises de fintech, apontam que mais de 55 milhões de adultos no Brasil ainda não têm conta bancária, algo em torno de 40% da população.

Por outro lado, 74% dos clientes de bancos no país adotaram serviços fintech. Um case de sucesso por aqui, embora a empresa não revele o número de clientes, é o Nubank, que recebeu quase US$ 180 milhões desde o seu lançamento em 2013, e prova que a fintech caiu no gosto do povo. Ainda a favor das fintechs, está a penetração do telefone móvel em todo o país, que hoje é superior a 115%.

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A crise financeira, inclusive, parece ter passado bem longe das startups financeiras. Em 2015, o investimento no setor foi de aproximadamente R$ 200 milhões, saltando para R$ 450 milhões em 2016, números muito bons para um ecossistema empreendedor que está em processo de amadurecimento, mas que promete ano a ano ocupar posições cada vez mais relevantes, tanto em termos de faturamentos, como na conquista de clientes. Agora, conheça algumas das principais finthechs que atuam no Brasil e conheça o trabalho de cada uma delas:

1) Nubank

Talvez a mais famosa das startups financeiras atuantes no Brasil, o Nubank trabalha com o objetivo de automatizar alguns serviços bancários. A empresa oferece cartões de crédito sem tarifas e cobra taxas de juros abaixo do mercado. Uma das principais diferenças é o atendimento desburocratizado da startup, que ajuda a manter a ampla satisfação dos seus clientes, principalmente porque os mesmos conseguem ter o controle do que foi gasto.

2) Stone

Mesmo sem saber, é possível que você já tenha usado o serviço da Stone. Caso já tenha comprado pipoca em alguma vending machine em estações de metrô ou aeroportos, provavelmente deve ter passado por uma das máquinas de cartão de crédito desta startup 100% brasileira. Por ser licenciada para efetuar pagamentos em todo o Brasil, vem se destacando na forma de otimizar o processo de vendas e reduzir as depesas de processamento para o estabelecimento. Além das vending machines, a startup também atua em pequenos estabelecimentos, como bares, restaurantes e docerias.

3) FoxBit

Esta startup trabalha como uma corretora de bitcoins. Ela permite que vendedores encontrem compradores em um ambiente simples, ágil e seguro, com a maior liquidez do Brasil. Possui cerca de 50 mil clientes cadastrados e mais de R$ 250 milhões transacionados.

4) Adyen

Você pode até não conhecer este nome, mas a chance de já ter usado a tecnologia da Adyen é grande. A fintech presta serviço para empresas como Uber, Netflix, Spotify e Airbnb. Portanto, se você já realizou algum pagamento usando uma dessas plataformas, já utilizou seus serviços. Seu principal diferencial é fazer uma operações complexas como pagamentos se tornarem simples, com integração de mecanismos antifraude, adquirência, gateway e conciliação de pagamentos.

5) Iugu

A Iugu é uma das startups facilitadoras para empresas que precisam realizar cobranças de forma recorrente e acompanhar métricas de negócios. Todas as funcionalidades permitem automatizar fluxos de recebimentos e pagamentos, o que otimiza a operação de departamentos financeiros, além de diminuir o custo e erros humanos para tornar o negócio mais eficiente.

6) MundiPagg

Quem faz compras pela internet certamente já usou serviços da MundiPagg. Especializada em soluções de meios de pagamentos online, a empresa processa pagamentos para boa parte das lojas virtuais brasileiras, incluindo gigantes como B2W (responsável por Americanas.com, Submarino e Shoptime) e Cnova (Pontofrio e Casas Bahia). Fundada em 2012, a startup conta com mais de sete mil lojas virtuais usando seus serviços.

7) Konduto

Monitorando o comportamento de navegação e compra de um usuário em uma loja virtual, esta startup do setor financeiro consegue calcular a probabilidade de fraude em uma transação on-line. A empresa tambem considera informações “básicas” da análise de risco, como geolocalização, dados cadastrais e características do aparelho utilizado na compra.

8) Equals

Apesar de passar pelo consumidor, o trabalho da Equals tem importância maior para o departamento financeiro da loja virtual. Fundada em 2010, a startup tem papel importante na gestão financeira de empresas, como companhias aéreas, por exemplo. O gerenciamento acontece em compras realizadas por cartão de crédito e débito. A startup permite ao departamento financeiro controlar a visibilidade sobre seus recebíveis, oferecendo informações confiáveis, mais produtividade, melhores práticas e controle nas atividades. Se você já comprou algo em lojas como Mercado Livre, Centauro, ou em sites de companhias como Emirates e Delta, certamente sua compra foi contabilizada pela Equals.

9) BeeCâmbio

Facilitar a vida das pessoas na aquisição de moeda estrangeira é o principal objetivo da BeeCâmbio. Criada em 2014, a startup intermedia a negociação entre o cliente e casas de câmbio, com cotações atualizadas em tempo real, oferecendo mais agilidade na aquisição para o consumidor, conceito da maioria das fintechs. Após a efetivação do negócio, o cliente recebe o dinheiro em casa.

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10) Contabilizei

De maneira automatizada e simples, a Contabilizei está entre as startups que oferecem os principais serviços de contabilidade. O trabalho da empresa engloba a elaboração de relatórios, registros contábeis, emissão de nota fiscal, controle de resultados e guia de impostos feito por meio de uma ferramenta online que permite agilizar processos com um preço mais acessível.