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Exigências demais e pouca capacidade da empresa em entender a real qualificação do profissional criam uma má impressão do processo seletivo

Brasil Econômico

Muitos profissionais deixam de participar de processos seletivos devido as intermináveis listas de exigências e requisito feitas pelas empresas contratantes. O prejuízo se estende a empresa, já que bons profissionais podem desistir e um excelente talento deixa de fazer parte da equipe. Isso poderia ser evitado se avaliassem detalhadamente as reais necessidades de suas vagas e as comparassem aos perfis dos candidatos.

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Veja os mitos sobre processos seletivos
boonchoke/shutterstock
Veja os mitos sobre processos seletivos


"Para avaliar o potencial dos futuros contratados, os processos seletivos devem ser mais criterioso. É necessário ser bem sensato ao compor o perfil para recrutar o melhor talento que cumprirá as funções que a empresa necessita que sejam cumpridas", explica Juliana Constantino, Gerente de RH da Luandre, empresa especializada em Recrutamento e Seleção.

Segundo a experiência de Juliana, sempre haverá características, conhecimento técnico ou formações fundamentais para cada função, mas a avaliação deve considerar o candidato por completo e tudo o que ele tem a oferecer e não apenas pré-requisitos avaliados separadamente.

"Muitas vezes, o profissional não possui todas as exigências, mas tem uma ou duas características até mais importantes que farão a real diferença no desempenho dele para a função determinada. E é aí que se faz a inteligência do processo seletivo para aproximar estas empresas destes profissionais e as vagas ideais para cada um”.

Para tentar melhorar essa dinâmica entre empresas e profissionais, a executiva listou alguns mitos que devem ser esclarecidos para que o processo seletivo da empresa seja realmente eficaz; veja quais são:

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1. Conhecer idiomas é essencial para preencher uma vaga?

Falar mais de um idioma é considerado um diferencial no currículo, mas nem sempre são usados com frequência no dia a dia do profissional. Ter um colaborador mais capacitado para desenvolver o essencial daquele cargo é o mais importante do que o segundo idioma. Segundo Juliana, o candidato não deve desanimar, mas seguir em busca da vaga em que vê em si próprio a maior parte dos pré-requisitos exigidos. Já as empresas, por sua vez, devem avaliar com mais cautela ou auxílio de um consultor profissional seus critérios de avaliação.

2. Diploma fundamental

Sim, o diploma contribui sempre e muito para se preencher boas vagas do mercado. Entretanto, atualmente existe uma infinidade de cursos técnicos e profissionalizantes que ajudam a agregar no currículo do profissional que ainda não teve a oportunidade de cursar uma faculdade ou universidade. “Eles formam profissionais que podem desempenhar determinadas funções com excelência, como é o caso daqueles formados como técnico de enfermagem, técnico eletromecânico, técnico eletrônico, coordenador de manutenção predial, programador de manutenção”, explicou a executiva da Luandre.

3) O profissional qualificado

Atualmente a falta de opções e de vagas compatíveis com o nível de especialização do candidato é uma realidade. Em casos como este, cabe à empresa explicar ao candidato que existe a possibilidade de ele se sentir frustrado com o trabalho a ser executado e com a remuneração proposta. E isso é prejudicial às duas partes. “É preciso uma substancial avaliação para ver o quanto aquele profissional suporta e está disposto a recomeçar e se desenvolver novamente a médio e longo prazo”.

4) Distante do local de trabalho

Há muitos profissionais gabaritados que moram em cidades periféricas e podem levar mais de uma hora para chegar ao local de trabalho. Isso, no entanto, não deve ser um fator de desclassificação automática. Disposição, garra e comprometimento devem contar mais na hora do desempate. “Diariamente milhares de brasileiros se deslocam horas e horas no trânsito e isso não os impedem de serem pontuais, comprometidos e eficientes.

5) O introvertido

Existe uma super valorização do indivíduo extrovertido, que fala com desinibição. Obviamente essa é uma característica importante para vendedores ou funções que lidam diretamente com o público, mas uma pessoa introvertida pode ser um ótimo profissional em diversas áreas, muitas vezes apresentando até melhor concentração para tarefas que exigem foco no detalhe. Características pessoais ou de comportamento não podem ser generalizadas durante os processos seletivos.

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