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Parte da população de baixa renda tem mais da metade de seus rendimentos comprometidos com produtos financeiros, como empréstimo consignado

Brasileiros de baixa renda negativados estão em débito, principalmente, com o banco ou cartão de crédito  (39%)
Marcos Santos/USP Imagens
Brasileiros de baixa renda negativados estão em débito, principalmente, com o banco ou cartão de crédito (39%)

De acordo com um estudo da Serasa Experian, 27% da população de baixa renda – ou seja, pessaos com ganhos de até R$ 2 mil – tem mais da metade de seus rendimentos comprometidos com produtos financeiros, como cartão de crédito, empréstimo consignado, empréstimo pessoal, financiamento de automóvel, financiamento imobiliário e cheque especial.

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Entre a população de alta renda , que recebem mais de R$ 10 mil, o percentual é de 13%. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (9), no Recover Money 2017, evento que reúne, na capital paulista, economistas, especialistas, empresas do segmento financeiro e fornecedoras de serviços de recuperação. Os números consideram cerca de cinco milhões de consumidores que aderiram ao cadastro positivo da Serasa Experian.

“Se você pagar mais da metade do seu salário, da sua renda, apenas com produtos bancários, como você vai pagar as outras coisas? É uma situação difícil, e 27% dessas pessoas têm grande chance de não conseguir pagar isso, e entrar na lista dos inadimplentes. O ponto é tentar rapidamente regularizar, procurar uma taxa de juros mais baixa para evitar problemas futuros”, afirmou Julio Guedes, diretor da Serasa Experian.

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Ainda segundo a pesquisa, a maioria (69%) dos brasileiros negativados possui renda de até R$ 2 mil. Eles estão, principalmente, em débito com o banco ou cartão de crédito (39%), seguido por financeiras (13%), empresas de serviços (12%), varejo (9%), água, energia e gás (9%), e outros (18%).

“A gente acaba tendo muitas situações em que o brasileiro tem acesso ao crédito e depois não consegue pagar, porque os juros ficam muito altos, o que torna mais difícil pagar. Houve uma redução do rendimento do brasileiro e os juros não caíram na mesma proporção”, acrescentou Guedes.

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Os dados também indicam que cerca de 40% dos brasileiros de baixo rendimento têm acesso ao cartão de crédito. A proporção é de 51% para os de alta renda. No cheque especial, a porcentagem de acesso é de 12% para os de que ganham até R$ 2 mil e de 18% para os de alta. O cartão de crédito e o cheque especial são os dois principais produtos bancários utilizados tanto pelos clientes de baixo rendimento como pelos de alto.