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Especialista comenta que após polêmica Operação Carne Fraca, o volume de buscas no Google pelo “desafio 21 dias sem carne” apresentou alta de 2500%

Com o crescimento dos adeptos a causa vegetariana, a indústria do ramo tem aprimorado seus produtos, conquistando não só simpatizantes da dieta, mas também pessoas que buscam viver de forma mais saudável e sustentável. De acordo com a gerente da Campanha da Sociedade Vegetariana Brasileira, Mônica Buava, a expansão e o conhecimento do mercado vegetariano/vegano ocorreu em 2012, quando cerca de 8% da população brasileira passou a se declarar como tal.

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Mercado vegetariano movimenta R$ 55 bilhões, enquanto pecuária R$ 484 bi
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Mercado vegetariano movimenta R$ 55 bilhões, enquanto pecuária R$ 484 bi

Demanda

Devido à alta no número de brasileiros que passaram a modificar suas dietas e hábitos de consumo, a criação de produtos e até mesmo de estabelecimentos comerciais especializados, se tornou uma demanda recorrente no mercado vegetariano .

Com isso, identificou-se também um acréscimo na quantidade de pessoas que se declaram veganas, ou seja, que além de adotarem uma dieta livre de alimentos de origem animal, visam o consumo de cosméticos, roupas, entre outros itens com baixo impacto ambiental e ausente de qualquer animal em seu processo de produção.

A tendência nacional, de acordo com Mônica, é só mais uma evidência da expansão do setor, visto que países como Reino Unido e Estados Unidos têm apresentado em seus indicadores seguidos crescimentos de adeptos pela causa. No primeiro, em um período de 10 anos, o número de veganos cresceu 360%, e nos EUA a porcentagem dobrou em seis anos.

Consumo

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha em janeiro deste ano evidenciou que 63% dos brasileiros desejam reduzir o consumo de carne. Outro dado destacado pelo estudo é que 73% dos consumidores se sentem mal informados em relação à produção da carne no Brasil, além dos 35% que alegaram preocupação em relação aos impactos causados na saúde pelo consumo do item.

Dados de um levantamento realizado em 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) ainda apontaram uma queda de 8% na ingestão de carne bovina no País, sendo o menor nível desde 2001.

Para a especialista, um dos fatores que tem contribuído ativamente para esses dados é o acesso à informação, que está cada vez mais democratizado. “Diferentes camadas sociais estão tendo contato com os horrores da indústria da carne e os benefícios da alimentação vegetariana, que além de ser mais barata é facilmente encontrada em feiras, supermercados e zonas cerealistas”.

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Mudança

O crescimento anual de 150% e 250% de buscas no Google Trends pelo veganismo tem enfatizado o aumento do interesse das pessoas pelo tema e por alternativas para reduzir o consumo de carne. Como exemplo, Mônica ressalta a alta de 2500% na busca pelo “desafio 21 dias sem carne” após a polêmica Operação Carne Fraca.

Outra evolução observada é o crescimento na variedade de produtos que imitam alimentos e receitas adoradas pelos brasileiros, auxiliando assim, na inserção de itens sem origem animal. “Crescemos tomando leite, comendo cachorro-quente, hambúrgueres, churrasco e respeitamos a memória afetiva que eles trazem. Para esses momentos, o leite vegetal de caixinha, as carnes fakes e queijos vegetais industrializados são ótimos aliados”, avalia Mônica.

Embora os indicadores tenham mostrado melhora para o mercado vegetariano, essa indústria ainda está muito atrás da tradicional pecuária. Enquanto a primeira faturou cerca de R$ 55 bilhões, a segunda movimenta um total médio anual de R$ 484 bilhões, dado que, para a especialista impossibilita até mesmo uma comparação, diante do abismo de incentivo de consumo presente.

*Com edição de Flávia Denone

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