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Após Carne Fraca, Planalto montou força-tarefa para reverter suspensão de compras anunciada pelo país asiático, maior importador do produto em 2016

Mão na massa. Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acompanhou fiscalização e recolheu salsichas
José Cruz/ Agência Brasil
Mão na massa. Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acompanhou fiscalização e recolheu salsichas

A China anunciou neste sábado (25)  a “reabertura total do mercado de carnes brasileiras”, segundo informa o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O país asiático havia suspendido as importações de carnes do Brasil no início da semana, após a deflagração da Operação Carne Fraca  pela Polícia Federal. 

A retomada das importações se deu após intensa movimentação do governo federal, preocupado com a perda do mercado chinês, que foi o principal importador da carne brasileira em 2016, pagando aos produtores do País cerca de US$ 1,75 bilhão no período.

“Nos últimos dias, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Itamaraty e a rede de embaixadas do Brasil no exterior trabalharam incansavelmente para o êxito que se anuncia hoje”, destacou o ministro Blairo Maggi, em nota.

“Trata-se de atestado categórico da solidez e qualidade do sistema sanitário brasileiro e uma vitória de nossa capacidade exportadora”, afirmou o ministro.

Blairo Maggi agradeceu o que classificou como “gesto de confiança” da China e ponderou que o país asiático nunca fechou mercado aos produtos brasileiros, “apenas tomou medidas preventivas para que tivéssemos a oportunidade de oferecer todas as explicações necessárias e garantir a qualidade da nossa inspeção sanitária”.

Para o ministro, “a regularização do ingresso da carne brasileira na China mostra o espírito de confiança mútua entre os dois países e a disposição para dialogar com boa-fé”.

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Carne Fraca

A megaoperação que a Polícia Federal promoveu na última sexta-feira (27) atacou esquema que envolvia o pagamento de propina por parte de donos de frigoríficos a agentes fiscalizadores do Ministério da Agricultura.

Segundo as investigações, os empresários pagavam para obter certificados de qualidade sem comprová-la, estratégia que permitia "maquiar" produtos que não atendiam aos padrões exigidos e comercializar carnes inadequadas para o consumo.

Entre as empresas envolvidas no esquema criminosos estavam a JBS e a BRF, os dois maiores produtores nacionais, que agregam marcas como Friboi, Seara, Sadia e Perdigão.

Além da China, diversos outros importadores  do produto brasileiro anunciaram a suspensão da compra de carnes do País após o início da operação.