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Pesquisa mundial apontou que no Brasil, 32% dos entrevistados não acreditam que ambos os genêros tenham as mesmas condições de trabalho

Brasil Econômico

No Brasil, 72% das mulheres e 66% dos homens afirmaram que o público feminino deve exercer funções remuneradas
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No Brasil, 72% das mulheres e 66% dos homens afirmaram que o público feminino deve exercer funções remuneradas

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (8) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela empresa de pesquisa de opinião Gallup, apontou que 70% das mulheres e 66% dos homens no mundo afirmam que mulheres devem ter trabalhos remunerados. No Brasil, o resultado mostra que 72% das mulheres e 66% dos homens partilham da mesma opinião.

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O documento “Rumo a um futuro melhor para mulheres e trabalho: vozes de mulheres e homens” conta com a elaboração de um relatório sobre as atitudes e percepções globais sobre o público feminino no mercado de trabalho. A pesquisa é feita com aproximadamente 149 mil pessoas em 142 países, incluindo o Brasil , representando 99% da população adulta mundial.

As informações evidenciam que 29% das mulheres de todo o mundo preferem ter trabalhos remunerados e que 41% delas gostariam de estar em situações semelhantes que as possibilitassem cuidar também de suas famílias. Segundo o relatório, somente 27% das mulheres asseguram querer ficar em casa exercendo trabalho não remunerado.

Vale ressaltar que o índice de 70% de mulheres que gostariam de ter trabalhos remunerados inclui também as que não estão inseridas no mercado de trabalho, além de englobar quase todas as regiões do planeta, exceto estados e territórios árabes.

Opiniões divergentes

De acordo com o levantamento, 28% dos homens preferem que as mulheres de suas famílias tenham trabalhos remunerados, ante a 29% que afirmam preferir que elas fiquem apenas em casa. Cerca de 38% optou pela possibilidade de que elas possam fazer ambas as coisas. 

Mulheres que trabalham em tempo integral para um empregador, ou seja, mais de 30 horas por semana e mulheres e homens com níveis mais elevados de educação são os que mais desejam equilibrar a rotina acerca do trabalho e cuidados com a família e a casa.  

“Esta pesquisa mostra claramente que a maioria das mulheres e dos homens em todo o mundo prefere que as mulheres tenham trabalhos remunerados. Políticas de apoio às famílias, que permitam que as mulheres permaneçam e progridam no trabalho remunerado e incentivem os homens a assumir a sua parte justa do trabalho de cuidados da família e da casa, são cruciais para alcançar a igualdade de gênero no trabalho”, explicou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Outro dado importante exposto pelo relatório é a possibilidade de 83% das mulheres considerarem trabalhos remunerados perfeitamente acessíveis em relação aos homens, com 77%. Os números são ainda mais altos em países como o Brasil, com 96% das mulheres e 94% dos homens.

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Jornada dupla

Entre os maiores desafios na rotina das mulheres está conciliar o trabalho com os cuidados com a família. Tanto os homens quanto as mulheres da maioria do mundo mencionaram o equilíbrio entre a vida profissional e a família como um problema enfrentado por aquelas que exercem funções remuneradas.

Questões como tratamento injusto, assédio no local de trabalho, falta de trabalhos bem remunerados e desigualdade salarial também são apontados como problemas significativos para trabalhadoras de diferentes países.

Os dados ainda revelaram que mulheres entre 15 e 29 anos tendem a sofrer mais com os problemas mencionados acima em comparação a mulheres mais velhas. Entre o grupo feminino de 30 a 44 anos, a falta de acesso a cuidados para filhos e famílias é algo mais recorrente, assim como a menção aos salários desiguais entre funcionários e funcionárias.  

Renda e oportunidades de emprego

Em uma escala mundial, 30% das mulheres afirmaram considerar suas remunerações significativas para o cotidiano familiar, ante a 26% que tem como principal fonte de renda o próprio salário. Contudo, 48% dos homens que trabalham afirmaram ser os principais provedores da renda familiar. No entanto, entre mulheres e homens que trabalham e possuem níveis mais elevados de educação, a diferença na contribuição para o sustento familiar é ainda menor.

Em todo o mundo, 25% das mulheres e 29% dos homens afirmam que as mulheres têm melhores oportunidades de encontrar bons trabalhos.

No Brasil, 35% das pessoas entrevistadas afirmaram que mulheres com qualificações educacionais e experiências semelhantes às dos homens podem encontrar um bom emprego. Porém, as chances de não conseguirem em relação ao sexo masculino ainda é predominante, uma vez que 32% dos brasileiros enxergam que eles têm melhores oportunidades de trabalho. No que se diz respeito aos que acreditam que mulheres tenham mais oportunidade de emprego em comparação aos homens, a taxa é de 29%.

*Com informações da Agência Brasil

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