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Migração profissional e realização de sonhos; confira histórias de mulheres que conquistaram o sucesso profissional em diferentes áreas de atuação

A celebração do Dia Internacional da Mulher, nesta quarta-feira (8), poderia até ser motivo de celebração, entretanto a desigualdade de gênero parece estar longe de ter fim.  Em 106 anos foram boas conquistas, mas ainda existem muitas barreiras a serem vencidas como a do sexismo, da desigualdade no mundo corporativo, da violência e assédio sexual. Isso sem contar na quebra de diversos paradigmas impostos por uma sociedade, por vezes, retrógrada.

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Todos os argumentos mencionados são comprovados por fatos como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apurou que as mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais do que os homens por semana, com jornada total de 53,6 horas. A desigualdade de gênero é ressaltada após o estudo identificar que em contraposição, os homens trabalham 46,1 horas.

Em relação às atividades não remuneradas, mais de 90% das mulheres entrevistadas na pesquisa afirmaram realizar tarefas domésticas em paralelo com o seu trabalho. Já em questões salariais, pesquisa desenvolvida pela Catho apontou discrepâncias entre os salários de mulheres e homens, evidenciando a lentidão no desenvolvimento da carreira profissional do público feminino.

Contudo, muitas delas tiveram a oportunidade de ultrapassar os obstáculos no mercado de trabalho, conseguindo desenvolver projetos, ascender no ramo profissional de sua escolha e contrariar as estatísticas. Para ajudar mulheres de todo o País a se inspirar, o Brasil Econômico separou histórias de mulheres que superaram as dificuldades e atingiram o sucesso profissional.

Heloísa Medeiros

Mesmo afirmando não sentir a desigualdade de gênero tão presente em sua carreira profissional, a empresária Heloísa Medeiros  relatou que uma de suas dificuldades é conciliar o trabalho e outros afazeres paralelos a carreira
Divulgação
Mesmo afirmando não sentir a desigualdade de gênero tão presente em sua carreira profissional, a empresária Heloísa Medeiros relatou que uma de suas dificuldades é conciliar o trabalho e outros afazeres paralelos a carreira

Formada em administração de empresas e com especialização em matemática financeira, Heloisa Medeiros é sócia fundadora da PH3A, empresa desenvolvedora de softwares, que atua no segmento de combate de fraudes e na potencialização de campanhas de marketing e relacionamento com o cliente, e da Go Points, plataforma de troca de pontos que auxilia na execução de plataformas de premiação e de incentivos. A empresária também já vendeu uma de suas empresas anteriores, Informarketing, para a Serasa Experian, o que ajudou na realização de seus projetos.

Durante a sua trajetória profissional, Heloísa afirma não ter medo de arriscar com suas ideias e isso a impulsionou a abrir seus negócios. “Todo começo é bem difícil. No início não fazia ideia se conseguiria arrecadar o suficiente para o mês e a jornada dupla, com filhos e trabalho também influenciava muito. Mas ser uma boa ouvinte e contribuir para o meu trabalho sendo ágil e tendo ideias fez com que tudo se concretizasse”, concluiu a empresária.

Sheila Nunes

Sheila Nunes
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Sheila Nunes

A gerente de recursos humanos (RH), Sheila Nunes, trabalha há 11 anos na Finnet, empresa especializada em soluções de Tecnologia da Informação (TI) para fluxo de dados financeiros. Para Sheila, um dos grandes desafios de sua carreira foi conciliar a maternidade com sua ascensão profissional, uma vez que ocorreram no mesmo período.

“Acredito que trabalhando nossa consciência, inteligência emocional e gestão de tempo com dedicação, o sucesso seja uma consequência”, afirmou Sheila sobre a sua recente experiência, onde precisou rever e administrar seu tempo e suas prioridades.

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Carla Sarni

Carla Sarni
Divulgação
Carla Sarni

Graduada em odontologia, Carla Sarni fundou a clínica odontológica Sorridents em 1995, na zona leste paulistana. Com o desenvolvimento da clínica, a empreendedora criou o Instituto Sorridents, que já beneficiou mais de 3,5 milhões de brasileiros. Atualmente, são mais de 200 franquias em 16 estados brasileiros, o que impactou na execução do plano odontológico Sorriden, que atua no bem-estar e na prevenção da saúde.

Em 2017, Carla fundou uma consultoria focada na gestão de consultórios e outros negócios, sempre estimulando novas ideias e metas, o que considera importante para o desempenho na carreira. “Coloque prazo nos seus sonhos. Você pode passar por uma vida e não conseguir realizar nada, por isso, enquanto realiza um, já pense no outro."

Adriana Fernandes

Adriana Fernandes
Divulgação/Youtube
Adriana Fernandes

Insatisfação da política no ambiente de trabalho, marido desempregado e o filho com restrições alimentares foram os fatores que levaram Adriana Fernandes, em parceria com seu cônjuge e cunhado, a iniciarem a Mandala Comidas Especiais. Após ver o seu cotidiano mudar devido a atenção especial às demandas do filho, a empresária decidiu desenvolver comidas de origem natural e sem glúten.

Adriana não deixou as negativas cotidianas a abalarem. Pelo contrário, as usou a seu favor para realizar um sonho que vinha se tornando uma necessidade, por conta das diversas alergias de seu filho. A empreendedora frisa que foi muito importante o papel do Sebrae, sem o qual não teria conseguido as conquistas que tem hoje. 

Flavia Miranda

Flavia Miranda com sua companheira Sheila Cristina e o filho Gael
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Flavia Miranda com sua companheira Sheila Cristina e o filho Gael

Representante comercial na empresa farmacêutica Bayer há seis anos, Flavia Miranda sempre sonhou em ser mãe ao lado de sua companheira Sheila Cristina. Após notar a vontade da funcionária, a empresa decidiu dar um auxilio financeiro de 50% para a realização de uma inseminação artificial. Não só isso, quando Flávia retornou ao trabalho após a licença maternidade ingressou no programa interno LGBT, o Blend, para incentivar outras pessoas a participarem do projeto e a discutirem a maternidade e paternidade entre homossexuais.

Rosicleide Gonçalves Nascimento

Rosicleide Gonçalves Nascimento, mecânica de aeronaves da American Airlines
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Rosicleide Gonçalves Nascimento, mecânica de aeronaves da American Airlines

 Lugar de mulher é onde ela quer estar. Mecânica de aeronaves da American Airlines, Rosicleide Gonçalves Nascimento contrariou as expectativas da sociedade ao ingressar em uma profissão taxada como masculina.  Curso técnico, especialização e manutenção de motores e cabines de aeronaves são os feitos realizados pela única mulher da equipe da companhia aérea ao longo de seus 23 anos de carreira. O tempo de experiência profissional permitiu que Rosicleide constatasse que a mulher possuiu um olhar mais detalhista, o que é um diferencial para a área técnica, permeada por exigências minuciosas.

“A mulher tem um olhar mais detalhista e consegue ver coisas além. Tenho ótima relação com meus colegas, pois a empresa sempre se empenhou em criar um ambiente de respeito”, relatou a mecânica de aeronaves.

Maria Beatriz Keppler

Maria Beatriz Keppler
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Maria Beatriz Keppler

Maria Beatriz Keppler tinha duas paixões: o designer de interiores e o direito. A carreira era mais promissora na advocacia, carreira essa que seguiu por 15 anos antes de optar por mudar o rumo de sua vida.  Após o divórcio e a dificuldade de encontrar companhia para suas viagens e passeios culturais, Maria Beatriz enxergou em sua demanda pessoal uma oportunidade de negócio e criou a assessoria cultural YouWithUs, que ajuda a pessoas a encontrar companhia em suas viagens e passeios culturais. 

A empreendedora acredita que as mulheres estão mais abertas às possibilidades do mercado de trabalho. “O meu trabalho demanda muito feeling para saber o que o cliente precisa. Esse mercado de mulheres empreendedoras é crescente, fazemos parte de 40% da mão de obra. Somos responsáveis por quase a totalidade desses lares e a responsabilidade econômica deles, mesmo ganhando salários inferiores se comparado aos homens”, expôs a empresária.

Todas as histórias retratam o poder de uma mulher em minar a desigualdade de gênero. Hoje, além de mães, profissionais e demais papéis impostos pela sociedade, as mulheres mostram que o conceito de sexo frágil não existe mais. E isso é comprovado com o potencial empreendedor, por suas conquistas em âmbito político e social. Ainda há um longo caminho pela frente, basta dar o primeiro passo como todas as mulheres acima retratadas. 

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