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Fazer as crianças questionarem a origem e o fim dos produtos é um dos segredos para que elas desenvolvam a consciência ecológica desde cedo

Furacões, terremotos, tsunamis e tornados são apenas alguns dos sintomas que a Terra está sofrendo em decorrência do descaso com o meio ambiente e a sustentabilidade. Indústrias e empresas preocupadas em obter lucros cada vez maiores esquecem que têm grande responsabilidade com a finalidade que seus dejetos vão tomar, e acabam por prejudicar cada vez mais o planeta.

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Ao perceber que existem pessoas engajadas com a causa, outras empresas se preocuparam em utilizar materiais reciclados e biodegradáveis para disseminar o discurso verde de conscientização com seus produtos pautados na sustentabilidade .

Mas quando a gente pensa em produtos com o selo verde, geralmente relacionamos o tema à roupas, acessórios, calçados e objetos de grande porte. De forma geral, coisas voltadas para os adultos.                                  

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"Não vemos ainda a procura pelo selo. Esta cultura precisa ser melhor trabalhada no Brasil. Questionamentos sobre sustentabilidade do produto, no entanto, costumam partir das próprias crianças", afirma Mariane Tichauer

Mariane Tichauer é fundadora da Itté, que é uma empresa responsável pela importação e distribuição de itens voltados para crianças – desde o seu nascimento – e pais. E atende duas marcas estrangeiras específicas que têm em seu DNA a proposta sustentável.

Papelão. Esta é a principal matéria-prima dos produtos da marca israelense Krooom que produz quebra-cabeças 3D de fácil montagem, que podem ser transformados em cenários. O objetivo da marca é mostrar que simples materiais como o papelão podem garantir uma interação familiar de forma sustentável.

Mas não só marcas de brinquedos a Itté traz para o Brasil, a Becothings oferece produtos destinados à linha de alimentação infantil, de forma muito peculiar. Desde cedo as crianças podem utilizar um conjunto com pratinho, copo e tigela feitos de casca de arroz e bambu.

Uma das propostas mais interessantes da marca é o fim que o conjuntinho poderá tomar. Após o tempo de uso da linha é possível plantar o utensilio com semente de flores. O tempo de decomposição dos produtos da Becothings é de apenas dois anos, o que pode fazer com que a criança acompanhe de perto o que acontece com o produto quando jogado fora.

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Sustentabilidade: conjuntinho da Becothings voltado para a alimentação infantil
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Sustentabilidade: conjuntinho da Becothings voltado para a alimentação infantil

De acordo com a Mariane Tichauer, é justamente essa a proposta de oferecer produtos com selo verde às crianças, fazê-las questionar de onde vem o brinquedo e o que acontece quando ele é descartado. Essas perguntas (da onde vem? pra onde vai?) é o que fazem a crianças desenvolverem uma consciência acerca de suas responsabilidades com o planeta, e que elas tenham consumos cada vez mais críticos e pensados.  

Contexto atual

Embora o Brasil esteja em um momento crítico, Mariane ressalta que os produtos ecológicos têm um público fiel no País e que obteve crescimento mesmo com o atual contexto econômico. A explicação da fundadora é que está havendo uma valorização desses produtos, que possuem características que vão muito além de seu mero uso ou design, e sim a preocupação com o planeta.

Negativa

Uma das maiores problemáticas dos produtos sustentáveis é o seu alto custo. O que infelizmente faz com que pessoas de baixo poder aquisitivo não consigam ter acesso a essas marcas com propostas pautadas na sustentabilidade. “Gostaríamos que todos os brasileiros pudessem comprar produtos nos quais eles acreditam, mas estamos ainda na base da pirâmide de Maslow”, disse Mariane Tichauer sobre a teoria do psicólogo americano Abraham Maslow, na qual ele afirmou que na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas.

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