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Segundo SPC Brasil e CNDL, cerca de 62% dos entrevistados afirmaram não guardar dinheiro mensalmente e nem possuírem uma reserva financeira

Brasil Econômico

Nesta terça-feira (21) o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram os números referentes ao novo Indicador de Reserva Financeira. De acordo com o levantamento, apenas 17% dos entrevistados guardam recursos pensando na aposentadoria.

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Reserva financeira mensal é hábito de apenas 36% dos entrevistados
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Reserva financeira mensal é hábito de apenas 36% dos entrevistados

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, alerta que o dado é preocupante, uma vez que abrir mão de poupar hoje pensando na aposentadoria de amanhã, pode fazer com que muitos idosos futuramente sejam obrigados a rever seus padrões de vida, e podem chegar a até mesmo depender de terceiros se não pensarem em uma reserva financeira .

Na opinião de Marcela Kawauti, o quadro é ainda mais inquietante devido a existência de uma forte discussão sobre a reforma da Previdência Social, porém, mesmo assim poucos pensam na aposentadoria.

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Reserva financeira

Cerca de 62% dos entrevistados pelas instituições afirmaram não guardar dinheiro e nem possuir uma reserva financeira. Já entre os que poupam, a média reservada é no valor de R$ 481, sendo a pupança o principal destino das finanças do brasileiro, citada por 62% dos consumidores. Enquanto isso, 36% dos entrevistados conservam um valor fixo ao mês.

O principal motivo que faz os poupadores guardarem dinheiro é proteger-se contra imprevistos, citado por 43% dos entrevistados. Além disso, o quadro de desemprego é a segunda razão mais citada entre os consumidores, com 31%.

Os que pensam no futuro da família compõem 27% dos entrevistados. Algum sonho de consumo é o motivo para que 24% dos consumidores reservem dinheiro, enquanto que viagens e compra ou quitação de casa somam respectivamente, 23% e 18%.

Desigualdade

Outro dado importante que o Indicador de Reserva Financeira apurou é que 36% dos poupadores fazem parte das classes A e B. Enquanto que apenas 19% dos entrevistados que tem reserva financeira, compões as classes C, D e E.

A pesquisa também fez um balanço sobre dezembro de 2016, e constatou que 75% das pessoas não conseguiram reservar nada no mês do Natal.

“É notável que a maioria dos brasileiros não reservou parte de seu dinheiro em dezembro, inclusive quem pertence a classes de alta renda. A crise econômica certamente tem seu papel no resultado da baixa poupança. Com o crescimento do desemprego, o orçamento familiar tornou-se mais apertado e, em alguns casos, insuficiente até para honrar compromissos já assumidos”, explica o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.

Mesmo entre os poupadores habituais, 46% recorreram à sua reserva financeira em dezembro. Pagamento de dívidas, despesas extras, contas da casa e imprevistos são os motivos alegados pela retirada de recursos, respectivamente de 13%, 11%, 12% e 4% dos consumidores entrevistados.

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