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Em janeiro, os saques somaram R$ 176,85 bilhões, enquanto os depósitos totalizaram R$ 166,12 bilhões; rendimentos alcançaram R$ 4,31 bilhões

Os brasileiros retiraram, em janeiro, R$ 10,73 bilhões a mais que depositraram na poupança. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, nesta segunda-feira (6), este é o segundo pior resultado para meses de janeiro em toda a série histórica, iniciada em 1995, e perde somente para o registrado em janeiro do ano passado, quando a caderneta ficou negativa em R$ 12 bilhões.

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O saldo negativo de janeiro de 2017 também é o terceiro pior da poupança em todos os meses. No primeiro mês do ano, os saques somaram R$ 176,85 bilhões, contra R$ 166,12 bilhões relativos aos depósitos. O valor total nas contas ficou em R$ 658,56 bilhões. O volume de rendimentos creditados nas cadernetas dos investidores alcançou R$ 4,31 bilhões.

Principal motivo para fuga de recursos da poupança é a inflação, que contribui para a perda de atratividade da caderneta
Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
Principal motivo para fuga de recursos da poupança é a inflação, que contribui para a perda de atratividade da caderneta

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Entre os fatores que contribuem para a fuga de recursos, está a alta da inflação, que contribui para a perda de atratividade da aplicação e vem influenciando a caderneta desde 2015. Em janeiro, no entanto, houve a primeira sinalização de arrefecimento da alta de preços, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2016 em 6,29%, sinalizando uma desaceleração. Isso significa que o IPCA terminou o ano passado abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Quando elevada, a Selic, taxa básica de juros da economia, também torna a caderneta menos atraente. Reagindo à queda da inflação, em sua primeira reunião de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em 0,75 ponto percentual. No momento, a taxa está em 13% ao ano. Segundo o presidente do BC, Ilan Goldfajn, este deverá ser o "novo ritmo" da redução da taxa.

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A tendência, segundo instituições financeiras consultadas pelo Boletim Focus, é que a inflação continue apresentando redução, o que favoreceria a poupança. De acordo com o levantamento, a projeção é que o IPCA termine 2017 em 4,64%. Enquanto isso, a estimativa para a Selic é de reduçnao para 9,5% ao ano.

* Com informações da Agência Brasil.