IOUU aposta no conceito de empréstimo de pessoa para pessoa para ajudar a alavancar o empreendedorismo no mercado corporativo nacional

A maior dificuldade para o micro e pequenos empreendedores e ter acesso ao crédito. Enquanto a burocracia dos bancos impede que muitos consigam progredir, na outra ponta existe o receio do endividamento, uma vez que o juro cobrado neste tipo de operação chega ser superior a 15% ao mês.

Leia também: Startup: entenda o conceito e saiba como funciona o investimento

Startup dos empreendedores Bruno Sayão (foto) e Ricardo Gobbo unem pessoas que precisam dinheiros as que estão dispostas a emprestar
Divulgação
Startup dos empreendedores Bruno Sayão (foto) e Ricardo Gobbo unem pessoas que precisam dinheiros as que estão dispostas a emprestar


A simplificação do processo de contratação de crédito e juros em valor justo foi o que motivou os empreendedores Bruno Sayão e Ricardo Gobbo a fundarem em 2016 a startup IOUU. Como uma espécie de financiamento coletivo, a empresa agrega em uma plataforma online investidores dispostos a investir e empresas de pequeno porte que estão em busca de um auxílio financeiro para progredir.

“A minha experiência de 11 anos no mercado financeiro me fez pensar em uma solução que fosse lucrativa para o investidor e justa para quem precisa de crédito”, afirmou em entrevista ao Brasil Econômico o sócio-fundador da startup, Bruno Sayão.

Novo conceito

Segundo o empresário,  a  IOUU atua com o conceito de peer to peer lending  (P2P), que é investidores emprestando dinheiro para outras pessoas ou empresas com juros mais baixos e rentabilidade maior. “Em mercados como o Europeu e dos Estados Unidos esse modelo já existe e tem um grande volume de transações e é legal. No País, devido às regras do Banco Central, foi necessário encontrar um nicho legal de atuação, já que aqui é proibido emprestar dinheiro de forma direta, sem uma instituição financeira sendo a provedora desse crédito”, explicou.

LEIA MAIS: Conheça os filmes que todo empreendedor deve assistir para ter inspiração

Em pesquisa para saber como tornar legal o que o Banco Central considera informar, Sayão percebeu que era possível enquadrar o P2P lending como um correspondente financeiro, fazendo com que a IOUU seja a ponte entre os que precisam de dinheiro e os que estão dispostos a emprestar.  “Para isso emitimos cédulas de crédito, o que nos encaixa como correspondente bancários”.

Porém, não é a IOUU que empresta o dinheiro e sim investidores interessados em ajudar uma empresa e que também procure lucrar com isso, já que na plataforma da statup o retorno do montante investido varia de 15% a 30%. “Nós unimos na plataforma investidores que, a partir de R$ 100, podem ajudar micro e pequenos empresários”, ressaltou o empresário.

Como funciona

Acesso ao crédito é complicado aos PMEs, mesmo sendo responsáveis por 27% do PIB do Brasil
shutterstock
Acesso ao crédito é complicado aos PMEs, mesmo sendo responsáveis por 27% do PIB do Brasil


O sistema é simples. O empreendedor que precisa de dinheiro deve acessar o site da IOUU  e cadastrar sua solicitação de crédito. A startup se encarrega de verificar se as informações cadastradas na plataforma são reais e se quem está pedindo o dinheiro emprestado tem real condição de pagamento desse financiamento.

Após a análise o pedido fica disponível na plataforma a espera de um investidor. “De dezembro para cá já somamos R$ 1 milhão em pedidos de empréstimos. São empresas dos mais variados setores: floriculturas, tecnologia, comunicação, escritórios de coworking, entre outros”, afirmou Bruno Sayão.

A plataforma tem 58 investidores cadastrados e pelo curto tempo em que está online, ainda não houve o fechamento de um empréstimo, as partes estão em negociação. “Depois de publicar o pedido na plataforma IOUU não participamos da negociação para o fechamento de negócios. Como a nossa intenção é desburocratizar todo o processo de empréstimos, nossa responsabilidade é unir quem precisa de dinheiro com quem está disposto a emprestar”, enfatizou ele.

Assim como a rentabilidade é maior para o investidor, o juro é menor para quem precisa do crédito. Sayão afirmou que os empresários têm de três a 24 meses para pagar o montante solicitado e o juro varia de 2% a 5% ao mês. “A nossa estimativa é que no final de 2017 a  IOUU tenha mais de 2.500 empresas cadastradas na plataforma e mais de 5 mil investidores”, afirmou Sayão.

Futuro

Outra meta da startup em curto prazo é ampliar as categorias de financiamentos ofertados. “Estamos fechando parceira com uma instituição financeira para a concessão de microcrédito. Em breve vamos oferecer as modalidades de crédito estudantil, agrícola, entre outras”.  Como a tendência é que cada vez mais formas colaborativas de fazer negócio despontem como promissoras, a meta dos empreendedores fundadores da statrtup IOUU é atuar em toda a América Latina.

 LEIA MAIS: Empreendedora abandona emprego e fatura R$ 20 milhões vendendo comidas saudáveis

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.