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A partir de abril, administradoras de cartão de crédito estarão proibidas de financiar saldo devedor por meio do crédito rotativo por mais de um mês

Agência Brasil

Juros médios do rotativo do cartão de crédito chegavam a 15,33% ao mês no fim de dezembro
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Juros médios do rotativo do cartão de crédito chegavam a 15,33% ao mês no fim de dezembro

O consumidor poderá economizar até 50% em 12 meses com a nova regra que limita o uso do rotativo do cartão de crédito. O cálculo é feito com base na diferença que o cliente deixará de pagar ao migrar dos juros mais caros do crédito rotativo para as taxas mais baixas do crédito parcelado.

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A partir de abril, as administradoras de cartão de crédito estarão proibidas de financiar o saldo devedor dos clientes por meio do crédito rotativo por mais de um mês, conforme decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) tomada na última quinta-feira (26).

Segundo o levantamento mais recente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), os juros médios do crédito rotativo – cobrado de quem não paga a totalidade da fatura do cartão de crédito – chegavam a 15,33% ao mês no fim de dezembro. Para o crédito parcelado, a taxa média estava em 8% ao mês.

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Quanto mais longo o tempo dos financiamentos, maior a diferença. Uma dívida de R$ 1 mil na fatura do cartão , por exemplo, sobe para R$ 1.534 no crédito rotativo ao fim de três meses. Com a nova regra, pela qual a taxa mais alta – de 15,33% ao mês – incide nos primeiros 30 dias e a taxa de 8% ao mês incide nos dois meses restantes, a dívida aumenta para R$ 1.345,20, diferença de 12,3%.

Considerando o período de 12 meses, a disparidade fica ainda maior. Uma dívida de R$ 1 mil na fatura chegará a R$ 5.537,42 ao fim do período no sistema atual, financiada por meio do crédito rotativo. Pela nova regra, a mesma dívida seria corrigida para R$ 2.689,07, diferença de 51,4%.

O cálculo leva em conta as taxas médias de juros cobradas no fim de dezembro. A economia efetiva pode variar porque os bancos personalizam as taxas para cada consumidor no rotativo e no crédito parcelado. Os juros finais podem variar em função do histórico e da capacidade de pagamento do cliente.

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Ao fazer o anúncio das regras, o diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso, afirmou que as elevadas taxas de juros no crédito rotativo estão relacionadas à grande inadimplência nessa modalidade. De acordo com a autoridade monetária, a inadimplência no rotativo do cartão de crédito estava em 37% para as pessoas físicas e em 59% para as empresas no fim de dezembro.