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Pesquisa realizada pelo SPC Brasil e CNDL mostra que maioria dos brasileiros só organizam gastos e os ganhos em casos de urgência

Brasil Econômico

Levantamento do SPC Brasil e CNDL registra que 45% dos brasileiros não controlam gastos por falta de hábito
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Levantamento do SPC Brasil e CNDL registra que 45% dos brasileiros não controlam gastos por falta de hábito

Pesquisa sobre educação financeira, realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), registrou que apenas 51% dos consumidores entrevistados afirmam fazer um controle sistemático do orçamento. O levantamento apontou que, por mais que os brasileiros tenham conhecimento sobre a importância de práticas financeiras adequadas, a maioria não as aplica em seu dia-a-dia.
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De acordo com a pesquisa do SPC Brasil e CNDL, cerca de 58% dos entrevistados têm alguma dificuldade na hora de organizar gastos e ganhos mensais, sendo o ato de reunir e lembrar de todos os pagamentos a maior dificuldade para 20% delas. O controle de finanças, por meio de anotações em cadernos ou agendas, aumentou de 32% para 41% entre as mulheres. Outros métodos utilizados para o controle de gastos são aplicativos no celular e planilhas no computador, usadas por 4% e 15% dos entrevistados, respectivamente.

Gastos fundamentais com itens de primeira necessidade como higiene, água e luz foram os mais registrados, tendo 95% dos entrevistados afirmado se planejar financeiramente para esses tipos de despesas. Outros 77% explicaram se planejar para gastos extra necessários, enquanto 76%, se organizam em casos de rendimentos. Já 69% possuem controle sobre gastos supérfluos e 59% em casos de reserva financeira.  

Em contrapartida, 48% não costumam fazer um controle efetivo de seus ganhos e gastos, uma vez que 27% afirmam fazer de cabeça e 2% têm outras pessoas para desenvolver esse tipo de planejamento, diiferente dos 19% que não registram ou controlam os gastos. A falta de hábito para a não execução do controle foi considerada uma barreira para 45% dos entrevistados, seguida dos 19% que ressaltaram não ter uma renda mensal fixa.  

A pesquisa também evidenciou que 42% das pessoas se consideram inseguras a respeito de seus conhecimentos para gerenciar suas finanças e gostariam de aprender mais sobre o assunto. Segundo o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, controlar gastos ainda não é visto como prioridade para a maioria. “É necessária uma mudança na maneira como as pessoas encaram sua vida financeira, entendendo que o controle adequado é fundamental para alcançar o equilíbrio. Assim, os consumidores irão entender que honrar os compromissos, constituir reservas, concretizar planos e sonhos de consumo e se preparar para a aposentadoria desde cedo são atitudes muito importantes”, explica.

Organização

Levando em consideração os compromissos financeiros, 49% dos entrevistados relataram conseguir pagar suas contas e ainda ter algum dinheiro extra no final do mês. Já 28% afirmaram ter finanças para gastos pessoais e 21% para investimentos. Outros 35% dizem conseguir pagar as contas, porém sem sobra financeira e 11% admitem não pagar algumas vezes, já que precisam se esforçar para administrar o dinheiro.

Se comparado a 2015, o ano de 2016 pode ser considerado um ano de avanço ao que se diz respeito ao conhecimento dos brasileiros sobre suas respectivas situações financeiras. De acordo com o levantamento, o conhecimento do valor de contas básicas aumentou, indo de 81% em 2015 para 89% no ano passado. Assim como as parcelas de compras que devem pagar, evoluindo de 70% para 78% no mesmo período. A compreensão acerca da quantidade de renda usada para compras parceladas também cresceu, indo de 59% para 75%. O total da renda mensal no próximo mês foi de 68% para 71% em um ano.

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O número de pessoas que calculam juros quando fazem compras a prazo teve aumento de 14 pontos percentuais, indo de 45% em 2015 para 59% em 2016. Se levadas em consideração as classes A e B, o resultado chegou a 67%. A pesquisa mostrou ainda que, 73% dos consumidores estabelecem e cumprem suas metas para a realização de sonhos, diferente dos 27% que afirmaram não conseguir o mesmo. 

Pagamento

Em casos em que o orçamento mensal não é o suficiente para as despesas, 47% das pessoas entrevistadas optam pela mudança nos hábitos de consumo, recorrendo a pesquisas e a compra de itens mais baratos. Outros 30% realizam cortes, como gastos em supermercados e TV por assinatura, e 24% utilizam a reserva financeira. Usar o limite do cartão de crédito, cheque especial ou tomar empréstimos, são métodos utilizados por 33% deles, em média, três vezes ao ano.

“Essa é a situação vivida por muitos brasileiros ao tentarem lidar com as despesas do orçamento. Na tentativa de honrar os compromissos, os consumidores adquirirem novas dívidas ou atrasam o pagamento de algumas delas, o que os insere em um círculo vicioso difícil de interromper. E mesmo quando não recorrem a novas dívidas, sacrificam a reserva financeira que deveria servir para alcançar metas ou ser utilizada em situação de extrema emergência ao invés de cobrir rombos corriqueiros no orçamento”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Teoria X Prática

O levantamento do SPC Brasil e da CNDL investigou o nível de importância que os brasileiros costumam dar para alcançarem uma vida financeira estável, sendo atribuídas notas de 1 a 10 para a relevância de cada prática e notas de 7 a 10 para a importância de cada ação.  Os resultados obtidos foram medianos, evidenciando assim, que os brasileiros tem conhecimento sobre suas ações e sobre ferramentas para se organizarem, porém não as utilizam com frequência:

· 81% consideram importante fazer pesquisa de preço antes de realizar compras, mas somente 48% fazem isto sempre;

· 73% consideram importante juntar dinheiro para fazer compras à vista, mas apenas 26% têm sempre esta atitude;

· 67% consideram importante pechinchar, mas apenas 38% dos entrevistados sempre pechincham;

· 67% consideram importante reduzir as despesas da casa, mas apenas 26% fazem sempre isto;

· 62% consideram importante mudar o local de compras por um mais barato, ainda que mais distante, mas apenas 19% fazem sempre isto;

· 59% consideram importante economizar para investir, mas apenas 17% fazem sempre isto;

· 58% consideram importante trocar marca de produto por mais baratas, mas apenas 22% fazem sempre isto. 

“Colocar em prática, rotineiramente, as atitudes mais assertivas em relação ao uso do dinheiro para a condução de uma vida financeira equilibrada é um hábito que deve ser construído aos poucos, com disciplina e perseverança. É necessário adquirir conhecimento e informação sobre juros, inflação, preços e parcelamento, dentre outros, além da disposição para economizar tanto nas compras mais significativas quanto nas despesas básicas do dia a dia”, conclui o educador financeiro do SPC Brasil.

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