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Açaí Villa Roxa tem mais de 30 unidades espalhadas por quatro Estados; em 2017 negócio será expandido para fora do País

Quando se viu endividado, a decisão de Jefferson Domingos foi ousada: abrir o próprio negócio. Apesar de o investimento inicial ter sido baixo – de apenas R$ 300 –, as contas a pagar somavam mais de R$ 300 mil na época, o que tornou a manobra do empreendedor extremamente arriscada. 

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A opção de Domingos se mostrou ainda mais perigosa quando ele definiu o local em que abriria o estabelecimento. "Era um ponto da rua que você não via. Tinha que entrar em um corredorzinho", lembra o empresário. Por lá, muitas pessoas já haviam tentado a sorte do negócio próprio – todas sem sucesso até então. A falta de êxito do imóvel como ponto comercial fez com que Domingos chegasse a um acordo com o dono do espaço: só pagaria o aluguel se a loja desse certo. E deu. O Açaí Villa Roxa rapidamente se tornou um fenômeno na pequena cidade de Cambuí, em Minas Gerais. Oito anos após a inauguração, a empresa deve fechar 2016 com faturamento de R$ 20 milhões. 

A veia empreendedora

Domingos é empreendedor desde a infância. Por não aceitar suas condições financeiras, começou a vender gelinhos aos seis anos de idade, com a intenção de comprar as coisas que seus pais não podiam pagar. "Eu era de família pobre e morava em uma cidadezinha pequena. Lá não tinha escola particular, então se era rico na cidade ou era pobre, estudava na mesma escola. Via as criaças com tênis que eu queria ter, videogame que eu não tinha, bicicleta, então fui atrás de começar a ganhar dinheiro", conta. 

Chuva de prejuízos

Aos 17 anos, Domingos viu na organização de eventos uma boa oportunidade de negócios. Começou a promover shows pela cidade e, assim como os demais empresários do setor, ganhava dinheiro em alguns e perdia em outros.

O maior inimigo, de acordo com o empreendedor, era o clima. "Se chovia era prejuízo certo", afirma. E foi justamente esta a razão do final prematuro de sua carreira na área. Em um evento de dois dias, as tempestades não deram folga e o público não compareceu, inviabilizando a arrecadação da receita mínima necessária para a cobertura dos gastos e deixando o empresário com um prejuízo total de R$ 308 mil.

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No início do Açaí Villa Roxa, Jefferson Domingos guardava 50% do faturamento e destinava o restante para as dívidas

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O plano de ouro

A dívida gigantesca, por si só, já era motivo de muita preocupação e noites mal dormidas, mas havia uma questão que deixava o empreendedor ainda mais incomodado: a recordação do esforço de seu pai. "Meu pai é meu espelho. É uma pessoa pobre, mas que nunca ficou devendo para ninguém. Aí, de um dia para o outro, o filho dele é o maior caloteiro da cidade", diz.

A ideia de vender açaí para mudar essa situação veio de maneira simples. Domingos era, como ele próprio define, viciado no produto – que sempre consumia com alguns amigos em sua casa. Resolveu, então, apostar em algo que gostava. Conversou com todas as pessoas para as quais estava em débito e se comprometeu a honrar os compromissos em até dois anos. 

Com a ajuda da namorada, que emprestou dinheiro para completar o investimento de R$ 300 – somando, ao todo, R$ 480 – o empresário ergueu, por conta própria, com o auxílio de vídeos do Youtube, uma parede para separar a cozinha da área de atendimento. Também arrumou a parte hidráulica e, obviamente, comprou alguns potes de açaí para dar início às vendas. 

Descrédito e superação

Uma das histórias mais marcantes da carreira do empresário aconteceu logo ao final do primeiro mês de funcionamento do Açaí Villa Roxa. Domingos havia decidido que sempre guardaria metade do faturamento, enquanto a outra parte seria destinada ao pagamento de dívidas. Como havia ganho apenas R$ 100 no período, teria somente R$ 50 para pagar a algum fornecedor – e ele escolheu uma pessoa para quem devia R$ 13 mil. 

"Ele amassou o dinheiro e jogou em  mim. Falei para ele que agora devia R$ 12.950 e que pagaria em dois anos", recorda o empresário. Ao final do tempo estabelecido, Domingos não apenas havia zerado suas dívidas, como já tinha cinco unidades da loja e uma fábrica para a produção completa de açaí no Pará. 

Franquias

Com a fábrica estabelecida, Domingos percebeu que poderia abrir a empresa para o franchising, pois seria capaz de oferecer maior retaguarda aos parceiros. O Açaí Villa Roxa se tornou, então, a única franquia brasileira com fábrica própria. 

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Atualmente, já são são mais de 30 lojas espalhadas por São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. No próximo ano, o negócio será estendido para fora do Brasil. Em parceria com o Walmart, o Açaí Villa Roxa terá produtos à venda no Canadá e no Panamá, a partir do mês de junho. 


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