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Em seminário, ministro da Fazenda afirmou que contas do governo podem se tornar insustentáveis se modelo e gastos atuais forem mantidos

Brasil Econômico

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou a afirmar que a reforma da Previdência será a próxima etapa para o governo enfrentar o desequilíbrio fiscal. As mudanças deverão entrar em pauta após a aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição que prevê um teto para os gastos públicos  nos próximos anos. "O que está acontecendo no Rio de Janeiro é didático", disse, ao se referir ao Estado que propôs o aumento da contribuição previdenciária para enfrentar os problemas de caixa.

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Durante um seminário sobre infraestrutura e desenvolvimento, nesta terça-feira (8), o ministro disse que as contas se tornarão insustentáveis se forem mantidas as regras atuais e os gastos do governo, incluindo o crescimento das despesas de programas como a Previdência . "É necessário garantir que os programas de assistência social sejam para os que realmente precisam. Estão fazendo um pente fino e é bom ver os problemas", disse. Nesta segunda-feira (7), o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário anunciou a descoberta de irregularidades em mais de um milhão de benefícios do Bolsa Família, por exemplo.

Para Henrique Meirelles, despesas com Tesouro, Banco Central e Previdência representam o maior problema para o País
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Para Henrique Meirelles, despesas com Tesouro, Banco Central e Previdência representam o maior problema para o País

O representante do governo destacou ainda que o País está vivendo a maior recessão da sua história. Segundo ele, o momento permitiu o estabelecimento de uma base realista que poderá levar à retomada do crescimento da economia. "A crise é muito séria, mas as medidas tomadas são decisivas e devidas há vários anos", disse. 

Para o ministro, o principal problema é o crescimento das despesas primárias do Governo Central. Em setembro, o setor registrou  déficit de R$ 26,4 bilhões . Segundo ele, desde os anos 1990, nenhum governo realizou reduções destes valores em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas do País. "De 2007 a 2015 , em termos reais, a despesa primária do Governo Central cresceu o triplo do PIB”, disse.

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Em sua fala, Henrique Meirelles também considerou como malsucedidas as intervenções feitas em governos passados, com impactos nos preços da gasolina e da energia elétrica. Segundo ele, tais ações, aliadas ao desequilíbrio estrutural da despesa em órgãos como a Previdência, "provocaram certos desarranjos na economia".

* Com informações da Agência Brasil.