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Veja como uma startup tem mudado a vida de milhares de detentos em cadeias da Califórnia e inspire-se a lançar uma boa ideia no mercado

Startup The Last Mile ensina programação a detentos de cadeia da Califórnia
Reprodução/ The Last Mile
Startup The Last Mile ensina programação a detentos de cadeia da Califórnia

Em teoria, criminosos são colocados atrás das grades para serem mantidos a distância dos outros cidadãos, punidos e reabilitados. Já que 90% dos detentos eventualmente ganham a liberdade, este último motivo, ensinar habilidades e autodisciplina aos detentos para que eles possam voltar a viver dentro da lei, deveria ser prioridade, certo? O problema é que a maioria dos presídios, na verdade, não oferece um passaporte para uma vida estável após a cadeia.

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Nesse sentido, San Quentin, a cadeia  mais antiga da Califórnia, tem algo a ensinar. O presídio tem 3 mil voluntários para uma população carceraria de cerca de 4 mil indivíduos. Os detentos têm aulas de teatro, meditação, música, e ainda podem trabalhar no jornal ou no programa de rádio da prisão.

Mas o que mais impressiona na prisão de San Quentin é mesmo o programa de empreendedorismo da startup The Last Mile, criada especialmente para ajudar os presidiários da Califórnia a conseguir um emprego no setor de tecnologia.

"Acreditamos que ter um emprego é o segredo para retomar a vida em sociedade e quebrar o ciclo do encarceramento", diz a co-fundadora do programa The Last Mile, Beverly Parenti. Estudos apontam que 76% dos presidiários voltam a ser presos apenas cinco anos após o cumprimento de suas penas.

Foi em 2010 que Parenti e o marido, Chris Redlitz, fundaram a organização de treinamento e orientação profissional voltada para os detentos da Califórnia. Os próprios presidiários foram a inspiração para a criação do projeto. Redlitz conheçou muitos deles quando esteve na prisão pela primeira vez para dar uma palestra sobre negócios e empreendedorismo.

"As perguntas que eles faziam eram muito inteligentes e vários deles tinham projetos de negócios que queriam realizar", lembra o empreedendor. Redlitz e Parenti fizeram parte da cena de startups  do Vale do Silício por anos e já haviam fundado outra empresa, a Kicklabs.

Os participantes do programa de empreendedorismo da The Last Mile aprendem a encontrar fontes de receita, escrever planos de negócios e desenvolver uma estratégia de marketing. Ao final, seus projetos são apresentados a uma plateia formada pelos colegas de prisão e por líderes empreendedores. Durante uma das oficinas presenciadas por empreendedores, o presidiário Chrisfino Kenyatta Leal recebeu uma proposta de emprego do fundador e CEO da empresa de tecnologia RoscketSpace Duncan Logan.

"Quando uma pessoa deixa a prisão, a probabilidade de ela fundar uma empresa de tecnologia da noite para o dia é quase nula", diz Parenti, "mas nós podemos ajudar esses homens a encontrar um estágio em empresas do setor para que possam futuramente desenvolver seus próprios negócios".

Parenti e Redlitz convidam com frequência CEOs para dar palestras e fazer visitas aos detentos. O visitante mais ilustre já recebido por eles foi ninguém mais ninguém menos que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.

Em 2014, o programa cresceu e passou a contar com uma escola de programação. Os participantes ainda elaboram um plano de negócio, mas agora podem contar com conhecimentos em HTML, CSS, JavaScript e WordPress para criar um site para suas empresas. 

Os prisioneiros não têm acesso a internet, mas a startup criou um ambiente que fornece todos os recursos necessários para que sejam ensinadas habilidades de programação: os detentos têm acesso a editores de texto e programas de renderização para checar se seus códigos são precisos ou não.

A ausência de internet não é o único aspecto que torna o projeto de programação da The Last Mile diferente.

"Há pessoas que nunca acessaram a internet", conta Parenti. "Muitos deles estão presos há tanto tempo que nunca tiveram a experiência de estar online".

Expansão

Em setembro, o programa foi lançado em outras três prisões na Califórnia, incluindo um presídio feminino. No mesmo mês foi lançado o projeto The Last Mile Works, que permite que detentos formados no projeto de programação em San Quentin possam trabalhar no desenvolvimento de serviços web para clientes que estão fora da prisão e que os contratam através do programa. Dessa forma, os detentos podem ganhar um salário e poupar dinheiro enquanto aprendem novas habilidades e criam um portfolio.

A missão da Last Miles sempre foi ensinar aos detentos habilidades revelantes para que eles pudessem conquistar um emprego que o ajudassem a se manter longe da prisão após o cumprimento da pena. Entretanto, Parenti descobriu que ir às aulas e aprender novas habilidades tem um grande significado para esses homens mesmo dentro da prisão.

"Quando eles estão na sala de aula, esquecem que estão presos", diz Parenti. "Isso dá um sentido à vida mesmo que em um dos piores lugares da Terra."

* Com informações das revistas Time e Fortune

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