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Cartão de crédito é o maior vilão das famílias com dívidas, sendo responsável por mais de 70% do endividamento, segundo pesquisa da FecomercioSP

51,7% das famílias paulistanas apontaram ter dívidas a serem pagas no mês de setembro para pesquisa da FecomercioSP
Marcos Santos/USP Imagens
51,7% das famílias paulistanas apontaram ter dívidas a serem pagas no mês de setembro para pesquisa da FecomercioSP

Uma pesquisa realizada pela FecomercioSP revelou, nesta quinta-feira (13), que os paulistanos continuam com dificuldades em manter o orçamento em dia. De acordo com a instituição, setembro traz o terceiro aumento na proporção das famílias paulistanas endividadas – em meio ao cenário econômico atual, com aumento do desemprego, juros altos e inflação elevada (especialmente no setor alimentício).

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Ainda segundo a pesquisa, a parcela de famílias endividadas apresentou alta de 0,2 ponto percentual (p.p) na comparação com o mês de agosto, sendo que 51,7% do total apontaram ter dívidas a serem pagas. Já na comparação anual, a parcela das endividadas apresentou queda de 3 pontos percentuais, uma vez que o número anual é de 54,7%.

Em números absolutos, o total de famílias paulistanas endividadas passou de 1,980 milhão em agosto para 1,988 milhão em setembro. No mês de setembro de 2015, o número era de 1,961 milhão.

Perfis das famílias endividadas

O endividamento é maior nas famílias com renda inferior a 10 salários mínimos, assim como sempre foi. Dentro deste perfil, 55,8% afirmaram ter algum tipo de dívida a pagar no mês de setembro, uma alta de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Contudo, entre as famílias que ganham maios de 10 salários mínimos, a proporção de endividadas caiu 1,6 ponto percentual entre agosto e setembro: passando para 39,8% do total.

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, as famílias de renda mais baixa sentem mais fortemente o impacto do aumento dos preços dos produtos de necessidades básicas, como do grupo de alimentos.

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Entre os consumidores endividados, 35,9% deles comprometem sua renda por mais de um ano com as dívidas; 24,7% até três meses; 19,9% de três a seis meses; e 17,2% comprometem sua renda entre seis meses e um ano.

 Inadimplência

Em relação às contas atrasadas, as famílias paulistanas demonstraram estabilidade na proporção encontrada no mês de agosto. Em setembro, 19,9% afirmaram estar com pagamentos atrasados.

Apesar da “estabilidade”, o patamar das famílias inadimplentes é o maior desde maio de 2012, quando 21,5% estavam na mesma situação.

No comparativo com o mesmo período do ano passado, houve uma alta de 3 pontos percentuais, o que significa, em números absolutos, um total de 765 mil famílias com contas atrasadas em setembro. Já no mesmo mês de 2015, esse número era de 605 mil, apresentando alta, ano a ano, de 160 mil famílias.

Perfis das famílias inadimplentes

Entre as famílias com contas em atraso, 49,6% têm contas vencidas a mais de 90 dias; 25,1% têm contas atrasadas entre 30 e 90 dias; enquanto 24,7% estão com dívidas atrasadas por até 30 dias.

Assim como no caso das famílias endividadas, a inadimplência também segue mais elevada nas famílias com menor renda. Entre as que ganham até dez salários mínimos, 25,2% estão com contas atrasadas - aumento de 0,8 p.p. na comparação com agosto de 2015. Já entre as famílias com renda superior a dez salários, 7,6% disseram estar com débitos atrasados, queda de 1,7 p.p..

Segundo a FecomercioSP, o alto nível das famílias com contas em atraso, na comparação com setembro de 2015, demonstra que o agravamento da crise econômica atual, com a manutenção dos índices inflacionários em alta e o aumento do desemprego. Tudo isso acaba pressionando de maneira muito intensa  o orçamento das famílias, que não conseguiram arcar com o pagamento das dívidas contraídas anteriormente, aumentando a inadimplência em relação ao mesmo período do ano passado.

Tipos de dívida

O cartão de crédito continua sendo o protagonista no cenário de endividamento, de acordo com a FecomercioSP. Ele foi utilizado por 72,6% dos devedores em setembro, que registrou alta de 1,3 p.p. em relação a agosto. De acordo com a assessoria econômica da instituição responsável pela pesquisa, a justificativa da elevação deve-se a um conjunto de fatores que contribuem para a sua maior utilização.

Com a alta da inflação corroendo o poder de compra das famílias, pesando principalmente sobre alimentos e itens não financiáveis, a renda disponível no mês fica cada vez mais comprometida. Com isso as famílias buscam no parcelamento do cartão uma via de financiamento para compra de itens adicionais.

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Na sequência dos tipos de dívidas mais recorrentes estão: o financiamento de carro (14,2%), carnês (13,4%), crédito pessoal (11,9%), financiamento de casa (10,9%) e cheque especial (8,6%). O destaque do mês ficou por conta do item Carnês, que apresentou queda acentuada de 2,9 p.p. em relação ao mês de agosto.