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Alta dos preços e recessão econômica vivida pelo País são os motivos apontados por economistas para o resultado ruim para os trabalhadores

Segundo dados da Fipe, das negociações relacionadas a reajustes, 17 resultaram em redução da jornada e do salário
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Segundo dados da Fipe, das negociações relacionadas a reajustes, 17 resultaram em redução da jornada e do salário

A maioria das negociações salariais coletivas com início de vigência em agosto não acompanhou o crescimento dos preços. Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apontam que 51,8% dos acordos ficaram abaixo da inflação. O resultado interrompe a sequência de queda de ajustes abaixo da inflação, registrada desde março.

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Do total de 597 negociações, 162 trataram de reajustes e 141, de pisos salariais. Entre os acordos relacionados a ajustes, 17 resultaram em redução de jornada e consequente diminuição de salários, sendo um pelo Programa de Proteção ao Emprego (PPE). De acordo com Hélio Zylberstajn, coordenador da pesquisa e professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), o resultado ruim para os trabalhadores é reflexo da situação econômica atual e tem dois motivos. A primeira é a alta dos preços que se mantém em níveis elevados. "Uma empresa que se dispõe a repor a inflação tem que dar aumento de 9,6%, o que é muita coisa".

Outro fator é a recessão vivida pelo País, que ainda não mostrou sinais de recuperação, de acordo com o coordenador do estudo "Recessão e inflação alta tiram dos trabalhadores o poder de barganha". Segundo Zylberstajn, em tempos de recessão, o empregador que oferecer aumento aos funcionários não conseguirá repassá-lo aos preços de seus produtos e serviços, já que o mercado não tem condições de absorver aumentos.

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 A pesquisa utilizou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente a famílias com rende de até cinco salários mínimos (R$ 4.400), que ficou em 9,6%. O levantamento também utilizou dados da Ministério do Trabalho e Emprego.

"Dois anos atrás, a gente viva quase o pleno emprego. Então, os trabalhadores conseguiram aumentos reais, acima da inflação. Hoje a situação é inversa. Quando vai se reverter essa situação? Quando a atividade econômica for retomada, o que vai demorar", afirmou Zylberstajn. No trimestre encerrado em julho, cerca de 11,8 milhões de pessoas estavam a procura de emprego , de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).   

* Com informações da Agência Brasil.