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Além disso, 34% dos brasileiros com dívidas em atraso não sabem ao certo o valor das contas básicas e 40% desconhecem até mesmo os seus rendimentos. Quase 80% fizeram cortes e ajustes no orçamento

23,5% dos consumidores inadimplentes nunca ou, na minoria das vezes, conseguem fechar o mês com tudo pago
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23,5% dos consumidores inadimplentes nunca ou, na minoria das vezes, conseguem fechar o mês com tudo pago

Os consumidores brasileiros estão perdidos quando o assunto é educação financeira e conhecimento em relação às próprias contas. Se não a realidade de todos, pelo menos é para grande parte deles. É o que revela uma pesquisa nacional realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), revelada nesta quarta-feira (14), que mostra que mais de 40% dos consumidores desconhecem seus rendimentos, e 42,2%  daqueles que estão inadimplentes no País desconhecem o número de parcelas a pagar no próximo mês.

Ainda segundo a pesquisa, 33,9% dos consumidores no Brasil não sabem ao certo o valor das contas básicas da casa, além de 40,3% desconhecer sua renda total. Outra amostra preocupante se refere à desorganização nas economias pessoais: quatro em cada dez brasileiros inadimplentes não têm conhecimento sobre os valores dos produtos e serviços comprados a crédito que serão pagos no próximo mês (43,5%) e nem quais são eles (43,5%).

Os dados são preocupantes já que a falta de atenção em relação à educação financeira e o desconhecimento a respeito das próprias contas são algumas das razões que usualmente dificultam o pagamento das dívidas atrasadas e a organização do orçamento familiar. Ou seja, cria-se um círculo vicioso de gastos e falta de renda que vão atingindo, cada vez mais, o bolso dos consumidores brasileiros. E quanto mais desorganizado é o consumidor, mais riscos corre para se tornar inadimplente.

De acordo com o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, estar a par do orçamento é essencial para uma vida financeira livre dos riscos da inadimplência. “O baixo conhecimento das contas, das parcelas a pagar e dos produtos e serviços adquiridos por meio do crédito indica que o consumidor perdeu o controle da situação. Nesse cenário, é extremamente difícil sair da inadimplência, pois a pessoa se torna incapaz de negociar melhor as dívidas e até mesmo de identificar as áreas em que é preciso realizar ajustes e cortes de gastos”, afirma Vignoli.

Prova disso é que 23,5% dos inadimplentes nunca ou, na minoria das vezes, conseguem fechar o mês com todas as contas pagas. “Seja qual for o motivo que levou o consumidor a tornar-se inadimplente, uma coisa é certa: deixar de acompanhar atentamente as próprias finanças e contas só piora as coisas, pois só assim é possível viver dentro do padrão de vida adequado a sua realidade”, aconselha o educador financeiro.

Perfil dos consumidores brasileiros

A pesquisa perguntou aos participantes sobre suas prioridades financeiras. As mais citadas foram as compras de alimentos, produtos de higiene e limpeza (43,9%), seguido pelo pagamento no prazo das contas mensais, tais como luz e telefone (30,6%) e o pagamento das dívidas em atraso para limpar o nome (11%).

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, com a recessão econômica, o desemprego e os efeitos da inflação, o poder de compra e de pagamento de contas das pessoas foi enfraquecido.

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“Além da dificuldade dos consumidores em arcar com suas dívidas, as empresas que prestam serviços básicos, como de água, luz e plano de saúde, mostram cada vez mais disposição em negativar os inadimplentes, como forma de acelerar o recebimento dos compromissos em atraso”, explica Kawauti.

Maioria dos inadimplentes reduziu o consumo de supérfluos

Apesar da desorganização da maioria dos consumidores, por fatores econômicos, alguns hábitos foram modificados nos lares brasileiros. Ainda de acordo com a pesquisa, a inadimplência, o acesso mais restrito ao crédito e a maior dificuldade no pagamento de dívidas fizeram com que parte significativa dos inadimplentes adotasse ações diferentes. Sendo:

79,7% fizeram cortes e ajustes no orçamento;

77,7% abriram mão de coisas que consumiam antes;

75,9% deixaram de fazer compras parceladas;

71,4% agora evitam comprar roupas e calçados;

64,0% deixaram de sair com amigos e familiares para bares e restaurantes;

56,6% cortaram alimentos supérfluos.

Segundo Vignoli, os resultados da pesquisa revelam que os problemas com dívidas em atraso impõem restrições consideráveis ao consumo, obrigando os consumidores a rever o orçamento e se adaptarem à nova condição.

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“Caso não haja a possibilidade de adotar medidas para aumentar a renda, os consumidores inadimplentes se veem obrigados a abandonar hábitos de compra, trocar marcas tradicionais por outras mais acessíveis e deixar de adquirir determinados itens em favor de outros que são prioritários. São mudanças impactantes no padrão de vida, mas é fundamental para que as pessoas consigam obter sobras financeiras no orçamento e possam pagar as dívidas pendentes”, conclui o educador financeiro.