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Estudo pode desmascarar a ideia de que mulheres "não sabem negociar salários", argumento recorrente sobre a diferença salarial entre gêneros

Brasil Econômico

Não existe nenhum país do mundo onde as mulheres ganham a mesma quantia que os homens em trabalhos iguais
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Não existe nenhum país do mundo onde as mulheres ganham a mesma quantia que os homens em trabalhos iguais

Homens e mulheres pedem por aumento de salário na mesma proporção, de acordo com um novo estudo internacional, que parece desmascarar uma das explicações mais comuns sobre a persistência da diferença salarial entre gêneros. As informações são do The Guardian.

Ao coletar quase 5 mil dados de trabalhadores australianos, entre homens e mulheres , com mais de 800 empregadores diversos, a pesquisa realizada pela Universidade de Winsconsin, dos Estados Unidos, e pela Universidade de Warwick e pela Cass Business School, do Reino Unido,  não encontraram “nenhuma diferença na maneira de requerer o aumento de salário” entre os dois gêneros.

Desse modo, o levantamento sugere que o argumento de que  existe uma “falta de assertividade” entre mulheres profissionais que requerem melhor remuneração (algo usado frequentemente como uma das razões potenciais por que elas ganham menos dinheiro que seus colegas do sexo masculino, mesmo realizando um trabalho similar) é– no mínimo – ultrapassado. E, mais do que isso, é falso. 

Os pesquisadores também afirmam que o resultado do estudo é importante porque desmascara - e poderá desmascarar - algumas “teorias” mentirosas que alguns lugares e pessoas utilizam como justificativas para discriminação. Além disso, apontam que essas mentiras acabam responsabilizando as vítimas pela situação de desigualdade, ou seja, “colocam a responsabilidade nas mulheres e nas escolhas que fazem”, ao invés de argumentar com os desvios estruturais existentes.

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De acordo com o Fórum Econômico Mundial, não existe nenhum país do mundo onde as mulheres ganham a mesma quantia que os homens em trabalhos iguais. Segundo uma pesquisa realizada pela entidade, a previsão para a equidade de salários entre gêneros é de, pelo menos, 81 anos – caso as taxas continuem no mesmo ritmo que nos dias atuais.

“Nós não sabíamos como esses números poderiam ‘sair do armário’ para explicar o fato de as mulheres ganharem menos. Então, ao observarmos esses dados recolhidos, penso que temos de aceitar que há um elemento de pura discriminação contra as mulheres”, disse o coautor do estudo, Andrew Oswald, professor de economia e de ciência comportamental da Universidade de Warwick.  

Sobre o local para o recolhimento de material de estudo, Oswald explicou que a Austrália é um lugar de teste “natural” para esse tipo de teoria já que é “o único país do mundo a coletar informações de maneira sistemática sobre seus empregados, como o fato de estarem pedindo – ou não - por um aumento”.

A diferença de pagamento entre os gêneros entre australianos e australianas é de 17%, o que representa um número menor do que aquela encontrada nos Estados Unidos, por exemplo, onde os salários delas são 21% menor que deles. Já no Brasil, essa diferença chega a ser de 30%.

Ademais, o novo estudo também refuta a ideia de que “parte da razão de as mulheres não pedirem aumento é porque são mais sensíveis aos danos que tais pedidos podem ter sobre as suas relações interlocais de trabalho”. De acordo com o levantamento, não é bem assim... Porém, os pesquisadores descobriram que há um ponto “fora da curva” nos dados: as mulheres jovens têm aumento de salário tão frequente quanto de homens jovens. Assim, a diferença de salário entre gêneros inicia-se quanto maior for a experiência do profissional.

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“Este estudo tem, potencialmente, um lado positivo”, disse a coautora Dra. Amanda Goodall, professora da Cass Business School da Universidade da Cidade de Londres. “As mulheres jovens de hoje são mais bem sucedidas ao negociar a sua remuneração e as condições de trabalho do que as mulheres mais velhas, e talvez essa tendência continue com esta geração se tornando mais sênior”, analisou.