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Índice de Pessoa Física sobe e alcança 148,76% ao ano, maior taxa desde janeiro de 2004, afirmou a Anefac nesta quinta (7)

Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês
Marcos Santos/ USP IMAGENS
Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês

As taxas de juros das operações de crédito voltaram a ser elevadas em março de 2016, sendo esta a terceira elevação no ano e décima oitava elevação consecutiva.

De acordo com o diretor executivo de estudos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, estas elevações podem ser atribuídas aos fatores:

- Cenário econômico que aumenta o risco do crescimento nos índices de inadimplência. Este cenário se baseia no fato dos índices de inflação mais elevados, aumento de impostos e juros maiores reduzirem a renda das famílias.

- Recessão econômica, que deve promover o crescimento dos índices de desemprego.

- O fato de que as expectativas para 2016 serem tão negativas quanto a todos estes fatores leva as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência.

Pessoa física

Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras).

A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma elevação de 0,12 ponto percentual no mês (3,30 pontos percentuais no ano) correspondente a uma elevação de 1,54% no mês (2,27% em doze meses) passando a mesma de 7,77% ao mês (145,46% ao ano) em fevereiro de 2016 para 7,89% ao mês (148,76% ao ano) em março de 2016 sendo esta a maior taxa de juros desde janeiro de 2004.

Pessoa Jurídica

Das três linhas de crédito pesquisadas, todas foram elevadas no mês.

A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma elevação de 0,07 ponto percentual no mês (1,36 ponto percentual em doze meses) correspondente a uma elevação de 1,58% no mês (1,99% em doze meses) passando a mesma de 4,43% ao mês (68,23% ao ano) em fevereiro de 2016 para 4,50% ao mês (69,59% ao ano) em março de 2016 sendo esta a maior taxa de juros desde fevereiro de 2005.

Taxa de juros x Selic

Considerando todas as elevações da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central, desde março de 2013, tivemos neste período (março de 2013 a março de 2016) uma elevação da Selic de 7,00 pontos percentuais (elevação de 96,55%) de 7,25% ao ano em março de 2013 para 14,25% ao ano em março/2016.

Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 60,79 pontos percentuais (elevação de 69,10%) de 87,97% ao ano em março de 2013 para 148,76% ao ano em março/2016.

Nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma elevação de 26,01 pontos percentuais (elevação de 59,68%) de 43,58% ao ano em março de 2013 para 69,59% ao ano em março de 2016.

Perspectivas

Tendo em vista o cenário econômico atual que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência a tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses.

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