As noites de Assunção pulsam no ritmo de 30 discotecas

Capital de um país jovem, a cidade de 1,2 milhão de habitantes ferve. São pelo menos 30 discotecas e 80 bares

Aline Cury Zampieri, enviada a Assunção | 22/03/2011 05:46

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A Grande Assunção tem 1,2 milhão de habitantes. São 600 mil na capital e 600 mil nas cidades vizinhas. Em tamanho, fica entre a cidade paulista de Campinas e Recife, capital de Pernambuco. Quem caminha de dia por suas calmas ruas arborizadas, que terminam num ainda selvagem rio Paraguai, não pode nem sequer acreditar em sua intensa vida gastronômica e noturna. Em Assunção, capital de um país onde 65% da população tem menos de 35 anos, as noites fervem.

Esse crescimento tem semelhanças com o Brasil, onde a ascensão das classes C e D também está ajudando a indústria do entretenimento. Cada vez mais pessoas estão saindo de casa para comer e se divertir. Paulo Solmucci, presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), chegou a prever expansão de 10% na receita do setor em 2010, sobre o ano anterior. Os números do ano passado ainda não foram fechados.

Paseo Carmelitas, o bairro que concentra as atrações noturnas em Assunção, é tranquilo de dia, com suas mangueiras e goiabeiras nas calçadas, cozidas pelo sol de quase 40 graus. À noite, se transforma. Cafés, bares, restaurantes, discotecas e pubs lotam. Com um Produto Interno Bruto (PIB) em alta de quase 10% em 2010, as pessoas estão indo para as ruas, gastar o dinheiro extra com diversão.

Foto: Aline Cury Zampieri/iG Ampliar

Nogués tirando um chopp em seu pub, o Kilkenny. Ideia é abrir uma danceteria para o público VIP em breve

Um dos points da capital, o Kilkenny, foi o primeiro pub irlandês da cidade. “O Kilkenny fica cheio inclusive às segundas-feiras”, afirma Adolfo Samaniego, 29 anos, empresário do ramo de construção. Com uma elite pequena, toda a classe alta da cidade se conhece, e se encontra por lá.

O rei da noite da cidade é um empresário da idade de Samaniego. Grande, sorridente, Rodrigo Nogués ataca em várias frentes. Além do Kilkenny, com capacidade para acomodar 450 pessoas sentadas, tem também pizzaria, danceteria, café e karaokê. “Tenho três projetos novos para este ano: um lounge, um restaurante mexicano e uma discoteca premium.”

Nogués conta que seu grupo faturou R$ 3,4 milhões no ano passado. Quando começou, há dez anos, a receita era de R$ 600 mil. Ele calcula que a cidade tenha hoje 30 discotecas e 80 bares.

Para o público VIP

A ideia da discoteca premium é agradar a um público que cada vez mais consome noite, ganha mais dinheiro e está ávido por novidades. “Tem um segmento que está disposto a pagar mais para ter um serviço melhor”, diz. Diferentemente da geração dos pais que, segundo o dono de churrascaria Valdinarte Cardoso de Oliveira é avessa a novidades, os filhos consomem tudo o que cai no colo.

Para Nogués, a nova geração assimila tudo o que é moda no exterior. “Os pais viveram numa geração com 35 anos de ditadura. Os jovens de hoje têm mais informação, são mais empreendedores, abertos. Muitos amigos meus possuem negócio próprio”, diz. O novo pode ser visto nas ruas: há para todos os gostos, mas bares e restaurantes não ficam devendo nada aos das grandes capitais. São modernos e têm cardápios sofisticados.

O encontro com Nogués foi no Kilkenny. Chegou atrasado pois, além de todos os seus negócios, ainda faz parte do conselho do clube de futebol centenário Olímpia, que tem lá seus problemas. Ele abre o computador e mostra, orgulhoso, as festas de aniversário de seus estabelecimentos, feitas no estacionamento ao lado de sua principal danceteria, o Faces, e contam com milhares de pessoas. Gosta de levar músicos famosos para as festas, e mostra fotos ao lado dos Paralamas do Sucesso.

Pelas mãos do pai

Nogués entrou no ramo pelas mãos do pai, Luis Alberto Nogués, que trabalhou no governo do país. Quando deixou o governo, o pai resolveu investir na noite e criou o Faces, danceteria que existe até hoje e que à época tinha espaço para abrigar 3,5 mil pessoas.

“Eu gostava de música, fui DJ dos 15 aos 18 anos, mas não gostava das que tocavam no Faces”, lembra, rindo. O filho do dono nunca ia à danceteria do pai. “Lá tocava música latina, eu prefiro rock.” O pai de Nogués, que é seu sócio, ainda abriu o Pizza Faces e um pub Faces num shopping, há 15 anos.

Antes de assumir a parceria, e enquanto os negócios do pai cresciam, o filho foi estudar no exterior. Formou-se em marketing e administração de sistema de informação no Kansas (EUA), voltou e decidiu ajudar o pai nos negócios. Abriram então outra pizzaria, Índigo, em 2003, e o Kilkenny, sonho antigo, chegou em 2007. A última tacada foi o Karaokê “Cover Singing Bar”, com capacidade para 350 pessoas. Segundo o empresário, o lançamento foi um sucesso e ele pensa em abrir franquias.

Confira:
WWW.faces.com.py
WWW.kilkenny.com.py
WWW.mokai.com.py
WWW.cafeindigo.com.py
WWW.cover.com.py
 

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