Maior fabricante mundial de impressoras para jornais decreta insolvência

Depois de 144 anos de operação, a alemã Manroland iniciou processo que deve culminar com seu desaparecimento

iG São Paulo | 02/12/2011 16:42

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Foto: Getty Images Ampliar

Com a queda na encomenda de impressoras de jornais, Manroland acumulou sucessivos déficits

O provável fim da Manroland, o primeiro grande fracasso alemão desde a eclosão da crise financeira mundial em 2008, é consequência direta de um mercado que vem encolhendo ano a ano. Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, mostra que a circulação de jornais caiu, entre 2007 e 2009, 30% nos Estados Unidos, 22% na Grã-Bretanha e 15% no Japão. No mesmo caminho, as receitas publicitárias têm cada vez mais migrado para as mídias digitais.

Leia também: Risco de contágio da crise europeia se materializa

Para completar a equação, com a crise europeia o acesso ao crédito para pequenos e médios empresários, uma boa parcela dos clientes da Manroland, tem se tornado mais complexo. Em geral, uma impressora não sai por menos de 1 milhão de euros. “Ir ao banco e pedir dinheiro para fazer investimentos já não é tão simples”, declarou à agência Bloomberg Claude Vandervelde, um empresário que tem um negócio de impressão de pôsteres e brochuras na Bélgica.

Foto: Divulgação Ampliar

Manroland foi criada há quase 145 anos na Alemanha

Os principais acionistas da Manrolan, a companhia de seguros Allianz, com 65%, e a fabricante de caminhões Man, com algo próximo a 35%, decidiram que não fariam novos aportes na empresa no final de novembro. As duas empresas já haviam investido 275 milhões de euros na companhia em 2006. Por enquanto a Manroland continuará operando e ainda não existe uma definição sobre o destino dos cerca de 6,5 mil funcionários que a companhia tem. Mas poucos tem duvidas de que dificilmente a empresa caminha para o desaparecimento.

Na opinião de alguns analistas, o fim da Manroland pode ser uma boa notícia para o setor. Por conta das dificuldades que vinha passando, a companhia era acusada de pressionar os preços para baixo para tentar ampliar suas vendas. Em uma nota para seus clientes, o analista do banco de investimentos alemão Berenberg Frederik Bitter afirmou que a insolvência da Manroland vai reduzir a supercapacidade de produção do mercado. “Eles eram os principais responsáveis pelo achatamento dos preços das impressoras”, disse ele na nota à qual a agência Bloomberg teve acesso.

A principal competidora da Manroland, a também alemã Heidelberg Druckmaschien, pode ser a grande beneficiada do debacle anunciado agora. A companhia também vem sofrendo perdas constantes (algo como 650 milhões nos últimos três anos) e vem fazendo ajustes de pessoal quase que anualmente. Desde 2008 a Heidelberg já demitiu mais 8 mil trabalhadores desde 2008. O valor de suas ações despencou na última década, saindo de 45,66 em agosto de 2000 para 1,50 euro na última semana. Por isso, o fim de uma das maiores empresas do setor pode significar a sobrevivência de parte da indústria.
 

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