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A classe média chega ao campo de golfe

Condomínios de golfe mais baratos são vendidos em três horas e se espalham por todo o País; conheça alguns deles e opine

Soraia Duarte, especial para o iG |

Três horas foram suficientes para que 710 lotes, localizados na cidade de São Carlos – distante 240 quilômetros de São Paulo – fossem totalmente vendidos no começo deste mês. “Não esperávamos que fosse tão rápido”, diz Carlos Gonzales, presidente do Damha Golf Clube, campo de golfe localizado na área em que dois condomínios abrigam esses terrenos.

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Vista do campo de golfe na Fazenda Boa Vista, em Sorocaba (SP): até pouco tempo, apenas condomínios como este, de altíssimo padrão, eram lançados
Gonzales acredita que o principal chamariz de venda foi, precisamente, o campo de golfe. “O valor agregado de um campo de golfe (a um condomínio) é muito grande”, afirma. “As pessoas saem das grandes cidades em busca de qualidade de vida, e o campo de golfe se enquadra perfeitamente nesse quesito”. Afinal, afirma, ter como jardim da casa uma ampla área verde preservada, como o campo – que no Damha tem 1 milhão de metros quadrados -, “é maravilhoso”, diz.

Essa procura pela qualidade de vida explica por que o número de condomínios com campos de golfe tem aumentado nos últimos anos. Segundo a Federação Paulista de Golfe (FPG), hoje existem 46 clubes de golfe filiados. Desses, 30% estão em condomínios residenciais. “Cinco anos atrás, essa participação era praticamente nula”, afirma Mauro Batista, diretor-executivo da FPG.

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Damha Golf Club, em São Carlos (SP): 710 lotes vendidos em três horas
Contudo, a maior oferta de condomínios não guarda relação com o crescimento de adeptos ao esporte, ainda que a expansão, nesse quesito, também seja relevante. Só em São Paulo, estado que reúne 60% dos golfistas do País, segundo a FPG, há 15 mil jogadores. Dez anos atrás, não somavam mais de 6 mil.

Para Roberto Coelho da Fonseca, diretor da imobiliária Coelho da Fonseca, dos que compram imóveis em um condomínio com campo de golfe, pouquíssimos praticam o esporte. “Nesses empreendimentos, a média (de golfistas entre os compradores) é de 5%”, calcula. Portanto, afirma Fonseca, o crescimento no número de condomínios tem relação com o aumento da procura da “segunda residência”.

A opinião de Fonseca é baseada nos números de vendas da própria Coelho da Fonseca. Cinco anos atrás, diz, a “segunda residência” representava algo como 5% das vendas mensais. Hoje, chega a superar os 20%. No segmento de imóveis de alto luxo, voltados à classe A, Fonseca afirma que o campo de golfe se transforma em diferencial. “O glamour do golfe o transforma em objeto de desejo, além de proporcionar uma paisagem bonita (ao condomínio), agregando valor”, diz.

Batista, da FPG, concorda. Para ele, o campo de golfe é um diferencial que dá liquidez aos imóveis direcionados ao público de alta renda. “É mais fácil vender um imóvel de luxo em condomínio com campo de golfe que em outro local”, afirma.

Ainda que a oferta desses condomínios seja crescente, não é pequeno o investimento necessário para acordar e avistar, ainda da janela do quarto, o gramado do campo. Entre o lote e a construção, estima-se R$ 1 milhão. É o caso do Condomínio Vila da Mata, em São Roque, cidade 40 quilômetros distante de São Paulo. Lançado na última semana de agosto, já teve 60% de seus 114 lotes vendidos. Quem comprou, desembolsou pelo menos R$ 350 mil, preço inicial dos terrenos, e irá gastar quantia semelhante na construção. Já os lotes do Damha, vendidos semanas atrás em São Carlos, custavam de R$ 100 mil a R$ 200 mil.

Esses condomínios apresentam um preço menor ao praticado em outros lançamentos, de acordo com Fonseca. É tendência, afirma, pois estão voltados a atingir o público de renda familiar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil. Os lançamentos anteriores, ou outros atualmente em venda, como o Fazenda Boa Vista, em Sorocaba, e o Haras Larissa, em Monte Mor, próximo a Campinas, focavam apenas o público de altíssima renda. Nesses dois últimos, por exemplo, o preço inicial dos lotes é de R$ 700 mil.

Mas o maior gasto pode vir depois da compra, pois a beleza do campo de golfe pode pesar no bolso. Por isso, Fonseca alerta que, antes de investir, deve-se avaliar um conjunto de coisas, que passa pela infraestrutura e administração do condomínio. “O campo não pode ser colocado em qualquer empreendimento”, afirma. “Se não for bem pensado, pode ser um atravancador das vendas”.

Dilvugação
Associação Terras do Golfe, em Campo Grande (MS): como nos demais condomínios, maioria dos moradores não pratica golfe

Como nem todos os compradores jogam golfe – e se esse for o caso, certamente os demais membros da família não praticam o esporte –, Fonseca considera importante que esses condomínios ofereçam outras opções de lazer e de entretenimento, cuja tendência, diz, vai além das quadras e piscinas. Hoje, muitos condomínios incluem haras, spas e até hotéis cinco estrelas, voltados não apenas para a hospedagem, mas para oferecer serviços aos moradores do condomínio.

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Outro fator a ser avaliado é a forma com que o campo é administrado. Se for de uso exclusivo dos moradores, pode gerar um custo elevado, chegando a onerar o valor da taxa mensal de manutenção em até 40%. “Mas se for bem pensado, o campo ganha vida própria e pode gerar receita para o condomínio”, diz Fonseca.

O Damha, de São Carlos, é um exemplo. Ainda que o campo esteja dentro do condomínio, seus gastos não são compartilhados, o que faz com que o condomínio gire em torno de R$ 250 ao mês, de acordo com Gonzales, diretor do Damha. Para utilizar o campo, é necessário tornar-se sócio, condição oferecida tanto para os moradores como para outros interessados, e que significa o pagamento de uma taxa mensal de R$ 400.

Gonzales explica que, além do quadro de associados, o campo do Damha ganhou vida própria ao se especializar em atividades como promover e organizar torneios esportivos ou eventos para empresas, nicho de atuação que também é cobiçado por outros campos. Afinal, de acordo com a Confederação Brasileira de Golfe (CBG), o mercado do golfe, no Brasil, movimenta ao ano cerca de R$ 500 milhões.

É o caso da Associação Terras do Golfe, em Campo Grande (MS), que anunciou em agosto que irá ampliar o seu campo. Também localizado em um condomínio de casas de alto padrão, o campo deixará de ter nove buracos e passará a ter 18, dimensão necessária para uma partida de golfe oficial. “Será o primeiro campo do Estado com 18 buracos”, afirma Alexandre Miranda, presidente da Associação Terras do Golfe. Esse projeto deve ser concluído em dois anos, e também se estenderá ao número de lotes para residências. “Os condomínios de segunda residência estão esgotados na região, e há muita procura por imóveis desse tipo”, destaca Miranda.

Guy Joseph/Divulgação
Vista do Club House do Águas da Serra Golf Clube, em Bananeiras (PB): primeiro campo de golfe do estado
Ainda que São Paulo concentre o maior número de jogadores e de condomínios, há movimentos como o de Campo Grande em outras localidades do País. A Paraíba, por exemplo, ganhou seu primeiro campo de golfe neste mês. Localizado em Bananeiras, cidade cerca de 100 quilômetros distante de João Pessoa, capital do Estado, o campo está inserido em um condomínio de 665 lotes, que ganhou o nome de Águas da Serra Golf Club. “Há poucos empreendimentos de alto padrão no Nordeste, e o campo de golfe é a atual sensação”, afirma Sebastião Neres, designer do campo. Neres enfatiza que a procura também é motivada pelo potencial de valorização dos imóveis. “Uma casa em um condomínio com campo tende a se valorizar mais que uma residência em outros condomínios”, diz.

Isso, de fato, aconteceu em São Carlos. Os lotes vendidos semanas atrás compõem dois condomínios, que se somam a outros quatro, já habitados. O primeiro deles foi lançado há dez anos, e o metro quadrado foi vendido, na época, por R$ 90. Hoje, informa Gonzales, o mesmo pedaço de terra vale R$ 500. É quase seis vezes mais que o valor pago no passado, superando a valorização estimada, pelo mercado local, para outros imóveis na cidade, que no mesmo período passaram a custar, em média, o dobro. “Isso prova o quanto o campo de golfe agregou valor aos lotes”, afirma.

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