Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Famílias vão morar em condomínio pela primeira vez

Especialistas recomendam que moradores recebam orientação sobre regras para convivência em condomínios para evitar conflitos

Marina Gazzoni, iG São Paulo |

A assistente administrativa Sofia Lisboa, 27, nunca morou em condomínios. Ela vive em uma casa, com os pais, mas planeja se mudar para um dos 480 apartamentos do empreendimento Praças Sumaré, lançado pela construtora HM no município de Sumaré, na região de Campinas (SP). O edifício está enquadrado no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e Sofia espera conseguir subsídio de R$ 19 mil.

Leandro Farchi
Sofia Lisboa, que vai morar no Parque Sumaré, condomínio enquadrado no Minha Casa, Minha Vida

Sofia sabe que a mudança de endereço exigirá novos hábitos. O apartamento não terá cachorro, quintal nem cômodos grandes. Os vizinhos estarão mais próximos e todos terão de respeitar o horário de silêncio e as regras definidas na convenção do condomínio. Sofia participa de reuniões com os futuros moradores do empreendimento para definir normas de convivência e distribuição dos custos do condomínio. “Eu não sabia que todo condomínio tinha uma convenção”, afirma.

Ela não é a única. Muitas das famílias beneficiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida vão morar em condomínios pela primeira vez. A maioria das unidades lançadas no programa é de apartamentos e não casas.

“Pessoas que moravam em favelas e em puxadinhos vão morar nos apartamentos do Minha Casa, Minha Vida”, afirma Hubert Gebara, coordenador de um grupo de estudos sobre condomínios do programa habitacional no Sindicato da Habitação (Secovi). "Essa famílias não conhecem as regras de convivência e terão que ser orientadas."

Gebara quer desenvolver um projeto-modelo, com uma lista de ações educativas sobre convivência em condomínios para as construtoras orientarem os moradores dos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida. Para Angélica Arbex, gerente da Lello Condomínios, o trabalho educativo é necessário. “A questão dos limites fica em evidência.", diz. "Num condomínio, o morador não pode, por exemplo, usar a furadeira no domingo. Há restrições que não fazem parte da rotina dos moradores em casas.”

Orientação

A maioria das construtoras não oferece serviços de orientação para os moradores, pois elas não são responsáveis pela administração do empreendimento. Há algumas exceções, como a HM, que desenvolve um projeto de assistência social aos moradores durante dois meses após a entrega das chaves. O programa existe desde 2006 e, coincidentemente, também se chama Minha Casa, Minha Vida. Nele, há reuniões dos moradores, nas quais psicólogos e assistentes sociais os orientam na escolha do síndico e na definição de normas do condomínio.

Para o presidente da HM, Henrique Bianco, a orientação é essencial para a sustentabilidade do empreendimento e do bairro. “Se as construtoras não desenvolverem essas atividades nos lançamentos do Minha Casa, Minha Vida para famílias de até três salários mínimos, o poder público terá de fazer”, afirma. O executivo também ressalta que o projeto beneficia a construtora, pois ela é responsável pela estrutura do edifício por cinco anos após a entrega dos apartamentos.

A futura moradora do empreendimento Praças Sumaré, Sofia Lisboa, afirma que, sem a orientação dos profissionais, os vizinhos sentiriam dificuldades em organizar o condomínio. “As decisões foram dos moradores, mas a iniciativa de formar comissões para discutir as questões do condomínio foram da assistente social", afirma. "Sem ela, ninguém saberia por onde começar.”
 

Leia tudo sobre: Minha Casa Minha Vidacondomíniohabitação

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG