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Suape poderá triplicar PIB de Pernambuco

Empreendimentos como o estaleiro Atlântico Sul têm dado preferência à contratação de trabalhadores que moram nas cidades vizinhas

Alexa Salomão, de Ipojuca (PE) |

Jorge Luiz Bezerra
José Honório: de bicos como pedreiro e pescador a profissional com carteira assinada

O potencial transformador do Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, não se limita ao porto. Dezenas de áreas privadas em cidades do entorno foram tomadas por máquinas e operários. Há nuvens de poeira em cada quilômetro da rodovia que liga Suape aos municípios vizinhos. A rodovia está em fase de duplicação e igualmente tomada de trabalhadores e equipamentos.

Toda a região é um imenso canteiro de obras para terraplenagem, construção de galpões industriais e sede de novas empresas. “Os investimentos em Suape estão transformando a região num polo de atração de novas empresas”, diz Francisco Cunha, sócio da consultoria TGI, com sede em Recife. “Só no estado de Pernambuco, Suape tem o poder de duplicar a renda até 2020 e triplicar o PIB até 2030”.

A vida de muita gente nas cidades vizinhas já mudou. O estaleiro Atlântico Sul, primeiro grande empreendimento que já contratou empregados, priorizou o treinamento da mão de obra local: 82% dos funcionários são pernambucanos que moram em cidades próximas ao porto. Trata-se de uma mudança radical na qualidade do trabalho oferecido. Boa parte da população local ainda vive de serviços temporários e nunca teve chance de conseguir um emprego regular, com carteira de trabalho assinada ou qualquer tipo de especialização.

Canaviais na paisagem

Há razões históricas e econômicas para esse fenômeno. Ainda hoje, a região tem a paisagem coberta por canaviais e depende das vagas provisórias oferecidas por usinas de açúcar e álcool. As alternativas são a pesca quase artesanal por meio de jangadas e bicos em bares, restaurantes e pousadas que gravitam no entorno do balneário de Porto de Galinhas, um dos mais badalados destinos turísticos de Pernambuco. Os moradores acostumaram-se a ser ignorados pelas empresas que no passado se instalaram na área. “Cresci vendo empresas vindo de fora – e trazendo de gente para trabalhar”, diz Clecio Robson Santana, de 32 anos, ex-promotor de vendas do setor de alimentos. “Sempre quis trabalhar em uma indústria, mas nunca consegui vaga”.

Santana inscreveu-se numa espécie de mutirão de reforço escolar promovido pelo governo do estado para melhorar o conhecimento de candidatos a uma vaga em Suape. Muita gente havia concluído o segundo grau, por exemplo, mas não tinha o conhecimento básico do nível. Mais de 10 mil pessoas fizeram o programa de reforço na região. Depois das aulas, Santana cursou o Senai e tirou boas notas, que garantiram uma vaga no centro de treinamento do estaleiro. Hoje é soldador, com salário inicial de R$ 1.005, mais que o dobro dos R$ 480 que recebia para revender biscoitos e massas. Há sete meses no estaleiro, Santana já está na lista de funcionários exemplares. Recebeu, em 2009, o prêmio de melhor soldador do último trimestre do ano.

Perspectiva de vida

Jorge Luiz Bezerra
"Em um ano, a minha vida ganhou outro rumo", diz a ex-empregada doméstica Michele dos Santos
Há casos em que o emprego representou não apenas uma melhora na renda, mas uma guinada na perspectiva de vida. José Honório Alves de Almeida, de 20 anos, e Michele Eutália dos Santos, de 25, moram em Tatuoca, uma ilha próxima a Suape. Ele vivia de bicos como pedreiro e pescador, ela era empregada doméstica. Em 2007, o estaleiro implantou um programa voltado à comunidade local que previa a oferta de cursos de capacitação e a contratação de moradores da Tatuoca. Até agora, 43 foram selecionados para trabalhar no estaleiro.

Almeida hoje é funcionário da área de logística. Opera as máquinas de transporte das gigantescas chapas de aço que vão formar os navios. Não completou um ano na empresa, mas já tem a meta de fazer carreira. “Vou chegar a chefe”, diz ele. Michelle é auxiliar de produção e monitora o trânsito de materiais. A jovem empolgou-se com o novo emprego e com a chance de “crescer na vida”. Estudou, prestou vestibular e passou. No meio do ano, começa a frenquentar o curso de engenharia de produção. “Eu não tinha nenhuma perspectiva de crescer, ganhar mais, estudar: agora tenho uma carreira”, diz ela.

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