Transporte bom e barato impulsionam produtividade do País

Por Brasil Econômico - Fernanda Nunes |

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Analistas apontam que a melhoria da qualidade do transporte público, e tarifas menores, resultariam em aumento de produtividade e maiores ganhos para comércio e indústria

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Se o conjunto de trabalhadores brasileiros pudesse converter a hora gasta no trânsito em salário, eles contarian com, pelo menos, mais R$ 1,77 bilhão de ganho a cada mês. O cálculo é conservador, pois considera exclusivamente a população que gasta uma hora no trânsito, no trajeto entre a casa e a empresa – 14,37 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – e estima ainda que a hora de trabalho desse contingente de empregados vale o mínimo permitido por lei, R$ 3,08.

Carolina Garcia/iG São Paulo
Problemas de mobilidade urbana estão entre os entraves à produtividade, segundo FGV

Para grande parcela da população, contudo, essa não é a realidade. Em todo o Brasil, 5,92 milhões de pessoas gastam de uma a duas horas para chegar no emprego. Apenas em São Paulo, são 1,6 milhão. “A perda de tempo no deslocamento até o trabalho é refletida também em perda de produtividade na economia”, ressaltou o professor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Leonardo Mesentier.

Os problemas de mobilidade urbana estão entre os entraves à produtividade, indicador que vem mostrando taxas de crescimento cada vez menores ano a ano desde o início da crise econômica internacional, de acordo com o especialista em mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Fernando Barbosa. “E, sem produtividade, a economia não cresce”, afirmou. “A partir de 2010, a produtividade do trabalho mostrou certa estagnação. Nesse mesmo período, cresceu a taxa de inflação no Brasil, associada a um baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)”, destacou Barbosa, complementando que a produtividade é o motor que impulsiona a economia.

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Além de perder tempo que poderia ser aplicado no trabalho, o empregado que gasta muitas horas com deslocamento tem mais dificuldade para estudar e se qualificar, disse Barbosa. “Entre minha casa e a universidade, onde curso pós-graduação, perco duas horas e meia no engarrafamento. Não fosse isso, gastaria meia hora. A solução é ficar mais tempo na faculdade e esperar o trânsito melhorar. Em compensação, perco tempo com os filhos”, contou a socióloga Caroline Bordolo.

No comércio, uma das soluções adotadas pelo Senac, responsável por treinamento do setor, tem sido promover cursos no próprio local de trabalho e, com isso evitar o deslocamento do trabalhador para estudar, segundo o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Bruno Fernandes. “O empregado do comércio leva de três a quatro horas até o trabalho. Já chega cansado, com pouca disposição”, afirmou.

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Leonardo Mesentier ressalta ainda outros prejuízos à economia decorrentes da má qualidade do transporte nas grandes cidades. As tarifas altas inibem a circulação e, com isso, “a população deixa de desfrutar o que a metrópole tem a oferecer. Deixa de consumir”. Ele destacou também que o custo do transporte mais elevado repercute na valorização dos imóveis próximos aos centros empresariais e comerciais. “Tarifas altas, aluguel caro”, disse.

Sérgio Besserman, economista da PUC-Rio, enumera ao menos quatro prejuízos por conta das dificuldades de mobilidade urbana – perda de produtividade, mais gastos com saúde decorrente do aumento da poluição, piora da qualificação dos trabalhadores e mais geração de gases de efeito estufa. “Não tenho dúvida de que o investimento em infraestrutura de transporte coletivo traria mais benefícios à economia do que o esforço fiscal que tem sido feito pelo governo para incentivar o setor automotivo e o aumento da frota de carros particulares”, afirmou Besserman.

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Para ele, a construção de novas linhas de metrô nas grandes cidades e de corredores exclusivos para ônibus movimentaria mais a economia do que o aumento da compra de veículos gera de ganhos na cadeia produtiva.

A grande transformação logística, no entanto, ocorrerá quando a população optar, de fato, por trabalhar em casa, em vez de se deslocar até a empresa, diz Besserman. “A Internet ainda não produziu mudanças significativas no mercado de trabalho. Vamos assistir grandes mudanças, com uma mobilidade mais inteligente”, prevê o economista.

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