Alstom critica estrutura para licitação do trem-bala no Brasil

Fabricante de trens diz que seria inviável financiar o projeto e equivaleria exigir que a Embraer financiasse aeroportos

Claudia Facchini, enviada especial a Paris* | 17/03/2011 08:17 - Atualizada em 18/03/2011 16:11

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O presidente da divisão de transportes da Alstom, Philippe Mellier, afirmou em Paris que as investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras referentes aos contratos firmados pela empresa com o metrô de São Paulo não chegaram a resultados concretos e que as suspeitas de irregularidades não passaram, até o momento, “de rumores”.

O executivo também criticou a estrutura para a licitação do trem-bala no Brasil, projeto de mais de R$ 30 bilhões que estava marcado para abril, mas deve ser novamente adiado.

“No setor de transportes, é comum haver investigações, não vejo problema nenhum nisso, já que os governos estão 100% envolvidos”, disse o executivo da multinacional francesa, a segunda maior fabricante de trens do mundo, em entrevista a jornalistas brasileiros, na sede do grupo.

Segundo ele, os contratos firmados pela Alstom são administrados pelos escritórios da empresa na Inglaterra e na Suíça e, por isso, as investigações estão sendo feitas nesses dois países.

No caso do trem-bala, Mellier afirma que a empresa está sendo pressionada a financiar o projeto, entrando como sócia do empreendimento. Pela estrutura proposta, a Alstom precisaria ter uma  participação equivalente às suas encomendas – estima-se que as aquisições de trens e equipamentos de sinalização irão responder por cerca de 10% do custo total do trem-bala, o que representaria mais de R$ 3 bilhões.

“Não é assim que fazemos nossos negócios. Nós não financiamos as obras em outros países. Seria o mesmo que pedir que a Embraer, por exemplo, financiasse a construção de aeroportos (para obter contratos de fornecimento de jatos)", disse Mellier.

A Alstom, porém, tem grande interesse em participar do projeto do trem-bala brasileiro, acrescentou o executivo.

Mas a licitação para o projeto não deve ocorrer em abril. O Ministério Público do Distrito Federal entrou na Justiça para pedir a correção de supostas irregularidades e solicitou que o leilão seja adiado por mais 120 dias.

Brasília

Sobre a suspensão dos contratos assinados com o governo de Brasília relativos ao um projeto para a isntalação de bondes elétricos , Mellier afirmou que espera que o acordo ainda possa ser retomado. O Ministério Público suspendeu no ano passado os contratos firmados pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, cassado por corrupção.

Segundo Mellier, essa também não seria a primeira que um governo suspende contratos. O executivo cita o exemplo do estado da Flórida, nos EUA, que, após a vitória dos democratas, engavetou o projeto para a construção de um trem-bala. No Reino Unido, devido aos cortes no orçamento, o governou cancelou uma licitação de 900 milhões de euros para aquisição de trens para o metrô, que já havia sido vencida pela Alstom.

 

 

* A repórter viajou a convite da Alstom
 

 

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    4 Comentários |

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    • Vagner | 19/03/2011 11:26

      eu acho uma palhaçada essa empresa Alstom participar da licitação, já que ela é suspeitas de corrupção com o dinheiro público e o mais engraçado é que somente ela ganha as licitações do metro de sp, porque será? alguém já pensou nisso? será que não é hora do ministério publico sp, agir com mais força e investigar a fundo toda esta "licitação"...

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    • Laurindo | 17/03/2011 16:18

      Ué??? E essa Alstom pode participar da licitação? Não existe uma lei que proibe empresas suspeitas de corrupção com o dinheiro público, participarem de novas concorrências?

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    • maria lima | 17/03/2011 10:54

      se ela critica tanto a estrutura pq ainda quer entrar na licitação??? hummm tem de desconfiar não????? o negocio é muito bom e ainda ficam criticando, manda de volta pra frança de mãos vazias, esse povo francês soberbo e antipático!! tem outros melhores no mundo!!!

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    • marcos melo | 17/03/2011 10:51

      essa alstom já começou mal, criticando a organização, deveria ser retirada da concorrencia, se fosse na china, eua ou outro pais eles não agiriam assim, alias até os caças não deveriam ser dos franceses, eitaa povo mal acostumado e que se acha, estão precisando de vender pq a crise na europa está explodindo e ainda ficam criticando tudo, deveriam ficar caladinhos e se não gostar das regras que saia da concorrência.. chega de dar ousadia pra esse povo!!!

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