Petrobras perde toda a capitalização feita em 2010

Companhia fechou o mês valendo R$ 246,68 bilhões, menos do que valia antes da injeção de R$ 120 bilhões

Brasil Econômico - Ana Paula Ribeiro e Léa De Luca |

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A queda da Petrobras, que deixou de reinar absoluta como a maior por valor de mercado na bolsa - a empresa foi superada pela Ambev em quatro dos últimos cinco pregões -, reflete as críticas que vem recebendo nos últimos meses. A empresa fechou o mês passado valendo R$ 246,68 bilhões, 15,4% de queda neste ano. “Praticamente todo o aumento de capital de R$ 120 bilhões em 2010 desapareceu”, disse Mario Garnero, presidente do grupo Brasilinvest.

O valor das suas ações hoje não reflete o valor patrimonial da empresa, mas apenas 70% dele — o que revela um mau humor do mercado com o ação, que durante anos teve lugar cativo nas carteiras da maioria dos gestores nacionais e internacionais. Cássio Beldi, da gestora de recursos de terceiros Mint Capital, tirou a Petrobras da carteira em março. “A construção do nosso portfólio começa com uma análise quantitativa, com indicadores como preço/lucro e valor patrimonial. Escolhemos, no universo de 400 empresas da bolsa, as que tem características que combinam com nossa filosofia — e até o começo do ano, fazia sentido comprar Petrobras”, diz. “Mas achamos que o governo iria usar muito a empresa para outros fins, que não a atividade dela.”

Beldi explica que sua estratégia, baseada em finanças comportamentais, é calcada em “uma métrica rígida, que não muda; mas nossa equipe de análise tem o dever, de usar suas competências para excluir empresas cujos riscos se apresentam maiores do que as oportunidades, é uma estratégia de defesa, para proteger a carteira”, diz. “Excluímos Petrobras por isso. E foi uma decisão acertada.” No período, a das ações queda foi de 24,7%.

Para Garnero, “é claro que subsidiar o consumo interno da gasolina com preços favorecidos aqui iria comer o capital da empresa. Pagar US$ 20 bilhões para importar derivados porque não tem autossuficiência, ter atrasado o pré-sal por mais cinco anos... tudo isso pega mal junto ao investidor que conhece a realidade do mercado.”

Fatores externos também colaboram para esse derretimento: a desaceleração na economia mundial pesou sobre a petroleira. No ambiente interno, o mais prejudicial na visão de analistas tem sido a resistência do governo em reajustar os preços da gasolina - o que pressionaria ainda mais a inflação. Nesse caso, a potencial perda de receita desagradou investidores, preocupados com o volume de investimentos exigidos pelo pré-sal. Al=em disso, há sinais de que a Bacia de Campos já atingiu sua capacidade máxima de produção e, daqui para frente, a tendência é de queda.

Nem a venda de 40% de um bloco para a OGX não foi suficiente para reverter a tendência de queda. Na avaliação do estrategista da Futura Corretora, Luis Gustavo Pereira, já era esperado desinvestimentos por parte da Petrobras. "Após prejuízo neste ano, os investidores já aguardavam o início dos desinvestimentos na companhia para gerar a preservação do caixa", conclui. Em relatório do dia 11 de setembro, a analista Karina Freitas, da corretora Concórdia, já havia reiterado cautela ao investidores em relação aos investimentos em ações do setor no médio e longo prazos.

Procurada, a Petrobras disse, por meio da sua assessoria de imprensa, que não comentaria sua desvalorização.

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