Para Orlando Pavani Jr, inteligência emocional pode ser desenvolvida

Se você fica chateado quando recebe uma crítica a ponto de chorar, se não consegue controlar a raiva de determinado colega ou chefe, ou ainda disfarçar a paixão pela companheira de trabalho, está lhe faltando uma boa dose de inteligência emocional.

Essa inteligência está relacionada a todas as áreas do comportamento humano e, em se tratando do ambiente corporativo, está cada vez mais na mira dos gestores e recrutadores, opina Orlando Pavani Junior, CEO da Gauss Consulting, empresa que trouxe para o Brasil um teste que mede essa capacidade.

Segundo Pavani, 90% das pessoas são demitidas pelas coisas que não sabiam sobre si mesmas, normalmente relativas a comportamento.

Confira a entrevista que ele concedeu ao iG:

iG - O que é a inteligência emocional?
Orlando Pavani Junior - Inteligência emocional é um nome interessante para o desmembramento das oito inteligências (interpessoal, intrapessoal, existencial, naturalista, linguística, espacial, musical e físico-cinestésica) defendidas por Howard Gardner. Trata-se de um termo utilizado primeiramente por Daniel Goleman, para representar que as questões emocionais, relativas à ciência do comportamento, são mais responsáveis pelo processo decisório do que a inteligência lógica-matemática clássica.

iG - Por que as empresas testam a inteligência emocional de seus futuros funcionários?
Pavani - Porque 90% das pessoas que são demitidas foram contratadas pelas coisas que sabiam, mas infelizmente acabam sendo demitidas pelas coisas que não sabiam (e já não sabiam no momento da contratação), normalmente relativas a comportamento.

iG - Quão importante é essa inteligência?
Pavani - Ela é muito importante porque é de difícil mensuração e normalmente é a grande responsável pelo insucesso das pessoas academicamente preparadas, mas emocionalmente paradas desde a infância.

iG - Ela é mais importante do que as competências técnicas?
Pavani - Não diria que é mais importante, mas a que menos foi desenvolvida nos seres humanos em geral.

iG - No teste, é possível avaliar características da personalidade do profissional?
Pavani - No teste EQ-MAP, que aplicamos desde 2000, posso dizer que configura uma forma de diagnosticar características emocionais extremamente úteis e congruentes para traçar a personalidade individual de cada profissional.

iG - É possível saber se ele é um psicopata, por exemplo?
Pavani - Não. Um diagnóstico desse tipo demanda uma série de avaliações, preponderantemente realizadas por um médico, e que levam em conta muito mais detalhes.

iG - Na sua avaliação, as empresas estão mais preocupadas com o ser humano que existe por trás do profissional?
Pavani - As empresas de excelência sim, mas a grande maioria das empresas, infelizmente, ainda só consegue enxergar o profissional competente (ou não competente) e não uma pessoa sociável e cheia de problemas comportamentais atrás do profissional. Por quê? Creio que seja porque o próprio empresário ou empreendedor ainda não fez essa viagem para dentro de si próprio, o que o faz sentir-se muito mais em busca de coisas fora do que dentro de si próprio.

iG - É possível desenvolver a inteligência emocional?
Pavani - Com toda certeza, por meio de treinamentos vivenciais de alto-impacto, que são uma variante moderna dos treinamentos meramente vivenciais, em que o que se oferece são sessões práticas com dinâmicas altamente impactantes que acessam não somente os níveis psicológicos do indivíduo, mas também e preponderantemente os níveis neurológicos das sinapses cerebrais.

iG - Poderia dar um exemplo de um tipo de comportamento que seja um bom modelo?
Pavani - Nesse caso, não há como. Um modelo de comportamento depende das expectativas da função que ocupa em determinada empresa, da região em que se interage, das expectativas dos familiares, das expectativas de si mesmo, entre outros. Posso dizer que um modelo de comportamento adequado seria aquele que faz a pessoa feliz, a liberta, sem, contudo, afetar negativamente a felicidade das que estão ao seu redor.

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