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Prática é comum no mercado de luxo, que preza pela exclusividade; nos últimos cinco anos, R$ 450 milhões em produtos foram destruídos

Brasil Econômico

Segundo a Burberry, a destruição das peças é feita para impedir que caiam em
Divulgação/Burberry
Segundo a Burberry, a destruição das peças é feita para impedir que caiam em "mãos erradas" e sejam copiadas ilegalmente

A casa de moda britânica Burberry queimou 28 milhões de libras (mais de R$ 140 milhões na cotação atual) em roupas em estoque no ano passado. Segundo a marca de luxo, a destruição das peças foi feita para prevenir que caíssem em “mãos erradas” e fossem copiadas e até contrabandeadas no mercado negro.

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A prática não é nada incomum: nos últimos cinco anos, a Burberry queimou aproximadamente 90 milhões de libras (R$ 451,8 milhões) em roupas para proteger sua propriedade intelectual. Os estoques em excesso que acabam chegando aos falsificadores, segundo a casa de moda, desvalorizam sua marca e seu nome.

Avaliada em 9,6 bilhões de libras (aproximadamente R$ 48,2 bilhões), a Burberry afirma que encara as questões de desperdício “muito seriamente” e que o processo da queima é especialmente projetado para reaproveitar a energia gerada, de acordo com informações do jornal The Times. A marca defende a prática dizendo, ainda, que é algo corriqueiro na indústria da moda, especialmente no mercado de luxo , que preza pela exclusividade de seus produtos.

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A Burberry não é a única

Famosa pelas suas bolsas exclusivas, a Louis Vuitton também já admitiu queimar os estoques em excesso para impedir cópias ilegais
Reprodução/Facebook
Famosa pelas suas bolsas exclusivas, a Louis Vuitton também já admitiu queimar os estoques em excesso para impedir cópias ilegais


Assim como a casa de moda britânica, as francesas Chanel e Louis Vuitton também costumam incinerar seus estoques em excesso para combater a pirataria . A Richemont, dona da Cartier e da Montblanc, ambas marcas famosas de relógios exclusivos, já queimaram mais de R$ 400 milhões de libras (pouco mais de R$ 2 bilhões) em artigos nos últimos dois anos, segundo o site Evening Standard. Nem mesmo a Nike escapou dessa moda: a marca norte-americana já admitiu retalhar seus calçados antes de jogá-los fora.

Controvérsias

Segundo cofundador do lovethesales.com, 150 bilhões de peças de vestuário são produzidas mundialmente todos os anos e quase metade não é vendida
Repodução/ITV
Segundo cofundador do lovethesales.com, 150 bilhões de peças de vestuário são produzidas mundialmente todos os anos e quase metade não é vendida


A queima do excesso de roupas em estoque é bastante criticada no mundo inteiro - não só pelo desperdício de produtos (que poderiam ser doados ou reutilizados, por exemplo) e mão de obra, mas sobretudo pelos impactos ambientais que essa prática causa. A H&M, que tem cerca de 3 mil lojas em 41 países diferentes, conseguiu contornar parte desse problema ao doar os estoques que não foram vendidos à cidade sueca de Vasteras, que usou os produtos em vez do carvão para gerar energia em suas termelétricas.

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O problema da Burberry é global. Stuart McClure, cofundador do lovethesales.com, um site que ajuda varejistas a vender seus produtos antes do lançamento da coleção seguinte, afirmou ao tabloide britânico The Daily Mirror que 150 bilhões de peças de vestuário são produzidas mundialmente todos os anos e quase metade, cerca de 70 bilhões, não é vendida. "Esse número é impressionante e representa um enorme desafio para o setor de varejo”, completou. “É difícil para as marcas estimar o volume de estoque que necessitam e garantir que ele seja vendido durante a temporada". 

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