Segundo o jornal inglês The Guardian, a prefeitura do município de Kobe recentemente puniu um trabalhador, suspendendo-no por um mês porque se ausentou por 55 minutos do trabalho em um período de seis meses

Brasil Econômico

Japão aprovou uma lei a respeito da punitiva e longa jornada de trabalho do país
Reprodução/ABC TV
Japão aprovou uma lei a respeito da punitiva e longa jornada de trabalho do país

Funcionário público do Japão, de 64 anos, foi multado por almoçar três minutos antes do horário. Segundo o portal inglês The Guardian , o trabalhador terá metade do seu pagamento diário cortado pela conduta “profundamente lamentável” e “passível de desculpas”.

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Diante do ocorrido no Japão , a concessionária de águas da cidade de Kobe convocou uma coletiva de imprensa para se desculpar pela postura do trabalhador. Durante o encontro, os chefes do departamento disseram que o funcionário "violou o horário de almoço 26 vezes em um período de sete meses".

“A pausa para o almoço é do meio-dia às 13h. Ele saiu da sua mesa de trabalho antes do intervalo, violando uma lei de serviço público que exige que os funcionários ‘se concentrem em seus empregos’”, disse um porta-voz da empresa pública.

O funcionário não identificado teria dito que saiu do escritório cedo para comprar o almoço porque precisava de uma “mudança de ritmo” em sua rotina.

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Ainda segundo a reportagem do The Guardian , a cidade de Kobe recentemente suspendeu outro funcionário por um mês porque ele se ausentou por 55 minutos do trabalho em um período de seis meses.

Realidade trabalhista no Japão

O incidente foi noticiado pela mídia local após a aprovação, em maio, de uma nova legislação a respeito da punitiva e longa jornada de trabalho do país.

O congresso japonês aprovou uma lei limitando as horas extras em resposta a um aumento no número de empregados que morreram por “karoshi”, termo usado para mortes causadas por excesso de trabalho, em que a pessoa fica esgotada de cansaço.

A aprovação aconteceu após um trágico episódio do país, em que Matsuri Takahashi, de apenas 24 anos, cometeu suicídio em 2015, após ser forçada a trabalhar longos períodos de trabalho, incluindo finais de semana.

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Segundo o The Guardian , o caso da jovem desencadeou uma grande mobilização pública contra uma cultura do Japão , que, muitas vezes, força os funcionários a trabalharem longos períodos para demonstrarem sua dedicação ao serviço. O governo se viu obrigado a intervir nas relações trabalhistas entre empregados e empresa.

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