Telexfree pede novo bloqueio da investigação criminal no Acre

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Inquérito, que esteve suspenso por 20 dias, tem como foco os líderes da rede de divulgadores

J. Duran Machfee/Futura Press
Manifestante em protesto a favor da Telexfree, na Avenida Paulista (SP), em 5 de agosto

A Telexfree entrou com um novo habeas corpus para bloquear, pela segunda vez, um inquérito criminal do Acre que tem como foco os responsáveis por captar grande número de associados para a empresa – conhecidos como líderes ou team builders

A investigação já esteve suspensa por 23 dias por uma liminar (decisão temporária) concedida pelo desembargador Francisco Djalma, da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). Em 1º de agosto, o bloqueio foi derrubado pelos dois outros magistrados do órgão, Samoel Evangelista e Eva Evangelista.

Em entrevista concedida no dia da liberação, o promotor de Justiça Rodrigo Curti, do Ministério Público do Acre (MP-AC), lamentou que a liminar causou "vários prejuízos à investigação."

10% da população do Acre

A Telexfree conta com cerca de 1 milhão de divulgadores no País, que pagaram taxas de adesão com a promessa de lucro obtido com a venda de pacotes VoIP, colocação de anúncios na internet e arregimentação de mais pessoas para a rede.

Em 18 de junho, uma decisão em outro processo movido pelo MP-AC bloqueou as atividades da empresa, acusada de ser possivelmente a maior pirâmide financeira da história do País. O argumento do órgão é que o faturamento da Telexfree vem sobretudo das taxas de adesão, e não da venda de pacotes VoIP.

O inquérito criminal teve início em seguida, e tem dado atenção ao papel dos grandes divulgadores, ou team builders, na captação de pessoas para o negócio. Estima-se que haja 70 mil deles no Acre, Estado cuja população é de 700 mil pessoas.

Conforme o iG apurou, ao menos dez divulgadores já foram ouvidos nessa investigação. Além de crime contra economia popular – por formação de pirâmide –, são investigados os delitos de estelionato, lavagem de dinheiro e propaganda enganosa.

Procurados nesta terça-feira (6), os representantes da Telexfree não comentaram o novo pedido de habeas corpus até a publicação desta reportagem. Em outras ocasiões, eles sempre negaram irregularidades no negócio.

Boas chances

As chanches de a Telexfree conseguir um novo bloqueio são boas. O novo pedido será analisado pelo desembargador Francisco Djalma que, além da liminar, também se posicionou contra o inquérito criminal no julgamento do dia 1º de agosto. 

Francisco Djalma aceitou a argumentação dos advogados da Telexfree de que já havia um inquérito sobre atividades da empresa em andamento em Vitória e, por isso, não caberia outra investigação.

A distribuição de um novo habeas corpus ao mesmo desembargador é o correto a se fazer em casos como esse, segundo o Otávio Augusto Rossi Vieira, conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP). Segundo Vieira, o procedimento está previsto na maioria dos regimentos internos de tribunais.

Chque apreendido na sede da Telexfree em nome de Katia Wanzeler, muilher de Carlos Wanzeler, um dos donos da empresa. Foto: ReproduçãoSite da Telexfree parcialmente restabelecido, em 23 de abril de 2014; no dia 25, página havia voltado ao ar. Foto: ReproduçãoSite da Telexfree fora do ar às 17h35 de 15 de abril de 2014. Mais cedo, a Comissão de Valores Mobiliários de Massachusetts anunciou que a empersa é uma pirâmide. Foto: ReproduçãoRepresentantes do Botafogo e da Telexfree apresentam camisa do clube com anúncio da empresa, suspeita de ser pirâmide financiera. Foto: Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress Carlos Costa, diretor de marketing da Telexfree, anuncia recuperação judicial da empresa, em 20 de setembro de 2013. Foto: ReproduçãoAudiência na Câmara dos Deputados sobre empresas suspeitas de serem pirâmides financeiras. Foto: Lucio Bernardo Júnior/Câmara dos DeputadosProcuradora Mariane de Mello, do MPF-GO, participa de programa Mais Você, da TV Globo: Telexfree processou emissora. Foto: Mais Você/TV GloboManifestante participa de protesto em favor da Telexfree próximo à Prefeitura de São Paulo, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressManifestante participa de protesto em favor da Telexfree na Avenida Paulista, em São Paulo, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressProtesto contra a decisão que bloqueou as contas da Telexfree em São Paulo, no dia 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressGrupo faz manifestação em apoio à Telexfree em frente ao Masp, em São Paulo, no dia 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressGrupo de 200 pessoas faz manifestação na Avenida Paulista em apoio à Telexfree, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressEncontro da Telexfree, empresa suspeita de ser pirâmide financeira, na Califórnia, em julho. Foto: DivulgaçãoA polícia acompanhou o protesto de integrantes da Telexfree, ocorrido em julho, em Brasília. Foto: Agência BrasilManifestantes bloquearam rodovia em Brasília em apoio à Telexfree. Foto: Agência BrasilProtesto de pessoas ligadas à Telexfree dificultou o trânsito próximo ao aeroporto de Brasília (julho de 2013). Foto: Agência BrasilReprodução do site da Telexfree com a foto do apresentador Celso Freitas. Foto: ReproduçãoReprodução de vídeo de carreata da Telexfree em Vitória (ES), em 28/6/2013. Foto: Reprodução/YoutubeO ator Sandro Rocha trocou a Telexfree pela Multiclik. Foto: DivulgaçãoVídeo de divulgação da Telexfree em que Carlos Costa afirma ter firmado contrato com a Mapfre. Companhia diz que contrato é falso. Foto: ReproduçãoProtesto a favor da Telexfree na cidade de São Paulo, em 29/6. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressManifestante participa de protesto a favor da Telexfree  (29/6/13). Foto: J. Duran Machfee/Futura PressPromotora Alessandra Marques, do MP do Acre, que investiga a Telexfree, diz ter sido ameaçada de morte. Foto: Divulgação/TJ-AC


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